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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Manuel Laranjeira - Pessimismo Nacional. Lisboa. Contraponto, 1955 e Edição do Centenário da morte de Manuel Laranjeira, com prefácio de Miguel Real e fac-simile dos exemplares de o Norte onde o texto foi originalmente publicado

Manuel Laranjeira

Pessimismo Nacional

Lisboa

Contraponto [Luiz Pacheco]

s. d. [1955]

47p [1]

Papel avergoado 200 g
Desta edição tiraram-se 300 exemplares... ex no 216 assinado pelo autor



Esta edição da Contraponto
Disponível apenas a edição do centenário



Peça de Coleção

1ª edição numerada e assinada por Luiz Pacheco de 1955. Na Contraponto Luiz Pacheco voltou a editar este texto em 1985, numa edição menos cuidada, mas igualmente rara.
Texto cheio de actualidade, no contexto da actual crise económica e de valores, com que Portugal está confrontado em 2014, uma atitude e crítica à "inteligentsia" nacional nos anos percursores da implantação da república e cuja actualidade na altura da sua publicação no estado Novo, nos leva a aceitar o pessimisno tão típico do pensamento social português.

e

Edição do Centenário
Opera Omnia Editora
Design da capa de Alexandre Fernandes
Paginação de Vasco Rosa
57p
Prefácio de Miguel Real sobre a "Actualidade de Manuel laranjeira"

2012

"Foi Laranjeia que me mostrou a alma trágica de portugal (...) e não poucos lugares ds abismos tenebrosos da alma humana" - Miguel de Unamuno



Foto da capa:

Rapariga da guitarra
Fotografia de Jorge de Almeida Lima, 1916
ANTT (PT/TT/JAL/ 0446)

Exemplar da Contraponto muito estimado, capa manchada de humidade, miolo limpo.
e
Edição do centenário da morte de Manuel Laranjeira ( 22/2/1912) como novo com assinatura do proprietário original

Preço Edição da Contraponto: 75 € 
Preço da Edição do Centenário: 36€
As duas em simultâneo: 100€

com portes registados para Portugal Continental e ilhas
+ 10€ para correio registado internacional
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Pedidos a 2mitodesisifo@gmail.com ou em www.leiloes.net





sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Luiz Pacheco. Carta-sincera a José Gomes Ferreira com uma nota do autor por causa da província. Lisboa, Contraponto,[1958]

Luiz Pacheco
Carta-sincera a José Gomes Ferreira com uma nota do autor por causa da província.
Lisboa,
Contraponto,
s.d [1958]
1ª edição
Colecão A Antologia em 1958
18,6 cm x 13,2 cm
44 págs. + 1 folha em extra-texto


Dístico: «Do polo fixo: onde inda se não sabe que outro “clerc” comece ou mundo acabe» composto em Bodoni e impresso sobre papel superior 


PEÇA DE COLECÇÃO





Transcrito de Frenesi:

Incluído nesta colecção surrealista publicada pelo pintor / poeta Mário Cesariny, o ainda editor de surrealistas e abjeccionistas Luiz Pacheco sugere aqui, com inusitada verve e o correcto estilo literário, ao já então grande poeta José Gomes Ferreira que se deixe de «croniquetas» nos periódicos, isto a propósito de certa coluna jornalística – «À Porta da Livraria» – que este alimentava no Ler: «[...] elas têm estilo lá isso têm e não é mau. Mas ó diacho! é o estilo dos poemas, é a imagética dos poemas, é o vocabulário dos poemas, é tudo dos poemas! E então ficamos preocupados e um tudo-nada suspeitosos: os corvos de névoa, pântanos de cinzas, séculos de musgo, as chagas de grilhetas, verdades de punhal, criptas de morcegos, soluços de chicote, sonâmbulos de trapos, lençois de êxito, horizontes moles, chicotes de unhas, cidades de fome, luar dos ossos, dentes do coração, cabelos dos charcos, lágrimas de areia que criavam tão forte ambiente também servem para falar de porcarias do Chiado?!... então o Poeta não dá poemas e dá isto?! é então isto que o preocupa agora? e o resto? as lágrimas dos outros? o mundo dos outros? José Gomes Ferreira pode estar a escrever em casa um, dois, três livros de poemas ou seja o que for óptimos, sublimes. Não sei, não tenho nada com isso, ainda que me interessasse sabê-lo. O que não pode é entretanto mostrar ao público as plumas negras que tinha no lixo do saguão. Mais vale estar calado. [...]»

Exemplar muito estimado, capa e miolo limpo

Preço : 150 € 
com portes registados para Portugal Continental e ilhas
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Natália Correia. O Homúnculo. Tragédia jocosa com 4 ilustrações da autora. Lisboa: Contraponto, 1ª edição, 1965

Natália Correia
O Homúnculo
Tragédia jocosa com 4 ilustrações da autora.
Lisboa
Contraponto [Luiz Pacheco]
1ª edição
4 ilustrações "hors-texte" de Natália Correia
1964



2 exemplares ambos muito estimados, capa, lombada, miolo irrepreensíveis. Ambos valorizados pela dedicatória da autora:

1) Ao Jornal Diário de Notícias em data não identificada
2) Ao poeta e republicano Alfredo Guisado em 1964. A edição é distribuida em 1965 e proibida, mas muitos distribuidos desta forma sobreviveram e circularam clandestinamente.

Livro apreendido pela censura e que terá levado o Ditador Salazar a dar ordens expressas a Silva Pais, Diretor da PIDE/DGS, para que: "Apreendam a obra, prenda-na, mas não lhe toquem. É uma mulher muito inteligente"


 






 Preços : 
Com dedicatória ao Diário de Notícias  - 150 € 
Com dedicatória ao poeta Alfredo Guisado - 170€

com portes registados para Portugal Continental e ilhas
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O Homúnculo – Tragédia Jocosa (1ª edição: 1965)

transcrito de Peças Breves no Teatro Escrito de Natália Correia - Armando Nascimento Rosa
ESTCL



E uma das vias pessoais trilhadas por Natália, para além de um eros fl amejante que lhe é congénito, é essa sua predilecção pelo riso catártico, liberador do indivíduo face aos condicionalismos políticos de um meio cultural asfi xiante e mesquinho: «se alguém me quiser encontrar, procure-me entre o riso e a paixão» (Correia, 2001: 8); escreverá ela mais tarde, em 1983, num prólogo, em jeito de ultimato anarquista, ao volume decontos A Ilha de Circe. Daí que o sucedâneo dramatúrgico da feiticeira Cotovia seja de facto uma peça que acentua o registo do escárnio através de uma forma dramática breve; uma «sátira política», no dizer da autora (Lello, 1988: 23), que apresenta estratégias de delírio surreal e absurdista para retratar Salazar e seus acólitos no pequeno palco das misérias lusitanas. O Homúnculo – Tragédia Jocosa, assim se chama a peça com a qual Natália afi rmaria ter começado a escrever deliberadamente para a cena (Lello,1988: 23), talvez porque neste texto a consciência dramatúrgica dos processos cénicos suplante os expedientes verbais da poetisa virtuosa. Publicado em 1965, pelo temerário editor e escritor Luiz Pacheco (n. 1925), com quatro ilustrações da autora (numa técnica mista de pintura e colagem, em sugestivas imagens de um grotesco surreal), o livro é imediatamente apreendido pela PIDE, tornando-se um texto clandestino que passa secretamente de mão em mão como senha conspiratória. Peça breve em cinco quadros, O Homúnculo é uma das raras obras mestras (conjuntamente com O Clube dos Antropófagos, de Manuel de Lima, escrita em 1957, enquanto o autor era hóspede da casa de Natália, em Lisboa) que no teatro português consegue operar o cruzamento entre a estética surrealista, o teatro do absurdo, e a sátira política.



Decorrendo a acção «no palácio de el-rei Salarim, senhor absolutíssimo da Mortocália » (Correia, 1965: 11), os jogos onomásticos e semânticos são provocatoriamentetransparentes: se  o nome Salarim remete para o ditador, já o lugar mortuário da fábula, Mortocália, é o epónimo fabulístico que designa o Portugal da ditadura, que sacrifica a sua juventude numa guerra colonial em África, iniciada em 1961, quatro anos antes da publicação do texto. Reino de thanatos ainda, porque repressor do princípio de eros; no qual o sádico Salarim proíbe o acto de urinar, metáfora explícita do sexo: «ordenando que se obstruissem os orifícios por onde machos e fêmeas (...) se obstinavam em praticar essa antiga necessidade» (Correia, 1965: 21) A didascália longa com que a peça abre convida mesmo a que seja lida em cena por um ou vários actores, dada a informação cenológica que disponibiliza, com uma vivacidade de escrita corrosiva.

Veja-se a descrição trágico-paródica do protagonista:

Salarim tem nariz (ou bico) arqueado e dois olhos de fogo muito juntos, situados quase no alto da cabeça. Da sua idade só se pode dizer que por meios naturais era de esperar que já tivesse morrido há muito tempo, mas que por outros meios, talvez sobrenaturais (há quem diga que usando em proveito próprio o tempo que roubou aos súbditos), conseguiu suster a foice, sempre que a morte julgou chegada a altura de ceifar os seus muito esticados anos. (Correia, 1965: 11)

As figuras dramáticas d’ O Homúnculo situam-se, como vemos por este exemplodescri tivo, na categoria ubuesca de títeres caricaturais, nos quais um recorte de surrealismo expressionista exibe, de forma bem legível, a correspondente tipificação alegórica. Assim, para além de Salarim, que parodia Salazar, temos, logo na contracena do primeiro quadro, a presença do Bispo; jogando na cena essa cumplicidade perversa entre o poder político e o eclesiástico, que caracterizou o fascismo lusitano; nomeadamente numa submissão equívoca da Igreja católica face ao status quo ideológico do Estado Novo. Equivocidade que a peça desenvolve, já que a máscara de servidão do Bispo (onde é inevitável vermos satirizado o cardeal Cerejeira, aliado eclesial de Salazar) serve para que este consiga controlar a seu favor o megalómano e solitário Salarim.

Uma fala desconcertada do ditador, dirigida ao Bispo, demonstra-o:

SALARIM: Já estás a falar demais. Quando te comprei tinhas um silêncio verdadeiramente

colaborador. A tua tagarelice perturba-me. (Leva as mãos à cabeça.)

Sinto-me tonto, confuso... Desconheço-me... (ibid.: 16)

Por sua vez, o bobo Mnemésicus denuncia o seu alegorismo ácido no fi gurino que enverga, uma vez que vem «vestido de catedrático» (Correia, 1965: 16); sátira acrescida, portanto. O poder cultural legitimado, que a instituição universitária representa, surge na peça sob a identidade do bobo de Salarim, de quem este depende a ponto de chamá-lo, sintomaticamente: «Mnemésicus, minha alma!», ou «sol do meu espírito» (ibid.: 16). Temos pois nestas duas duplas que Salarim constitui, ora com o Bispo, ora com o Bobo, dois ecos dramatúrgicos paródicos bem distintos: no primeiro caso, as sado-burlescas parelhas beckettianas (Hamm e Clov, de Fim de Partida, por exemplo);
no segundo caso, a referência ao par shakespeariano do rei louco Lear e do seu sábio Bobo (é por isso de sublinhar o facto de o discurso de Salarim conhecer um arrebatamento monologante no momento de entrada em cena de Mnemésicus, o seu intelectual conselheiro). Ante a inveja do Bispo, Salarim prostra-se e humilha-se à chegada desse seu Bobo académico, um duplo que lhe insufla sopro anímico; e estabelece com eleuma dependência erodramática que a retórica infl amada de Salarim verbalizara: «Sem ti anoiteço. Extingue-se a minha condição reinante e revela-se a minha propensão paraverme» (ibid.: 16).

O poder militar comparece também, inevitavelmente, a abrir o segundo quadro, através da fi gura patética do General, que se entusiasma mais com a agricultura do seu quintal doméstico, do que com as lides da guerra; caricatura de um Portugal ensimesmado e eminentemente rural, reduzido à condição de curiosidade turística, que de súbito é atirado para uma guerra africana com a qual pouco se identifica. A obsessão genocida de Salarim, para com o povo de Mortocália, é flagrante na sua perversão de misógino em que «os vícios solitários» são as «sentinelas da abstinência», tendo por «amante perpétua (...) uma hidra com dez milhões de cabeças», que podiam ser ainda mais «não fossem a avitaminose, a mortalidade infantil e a emigração» (ibid.: 18). Ao seu Bobo confessor, Salarim revela a obsessão regressiva de sadismo necrófi lo com que conduz os destinos de uma Mortocália, submissa do poderio norte-americano, face ao qual não aspira a ser nada mais do que estância turística:

SALARIM: (...) Mas o prato substancial do turista americano é a arquitectura local: os jazigos. Não se trata precisamente de dar sepultura aos mortos. Urge acabar de uma vez para sempre com essa superstição que nos legaram os gregos. Somos um povo progressivo. Tão progressivo que atingimos a transcendência de uma preocupação oposta: dar mortos às sepulturas. O ritmo de construção é alucinante. Não minto se disser que mandei edifi car alguns milhões de sepulturas. Tantas sepulturas quantas cabeças tem a minha hidra. (ibid.: 21)

O curioso é ver que nesta farsa de fantoches humanos será o Bispo a incitar o General para que este se rebele em armas (mas de uma forma não sangrenta, conforme à hipocrisia dos católicos costumes), contra o despotismo demente de um Salarim dominado pela ascendência do Bobo académico. Para convencer o militar campónio, o Bispo tem de disfarçar-se de demónio chifrudo de modo a assustar o General, por forma a que este julgue que arderá nas chamas infernais caso não se revolte contra o poder do ditador. Porém, o General entusiasma-se no seu ardor de insurrecto e já pensa em assassinar Salarim, para espanto do manhoso Bispo, que vai sempre lançando apartes de comentário teatral em voz alta.

BISPO (aparte): Tomou-me o freio nos dentes! Tenho que segurá-lo antes que ultrapasse os dois mil anos da nossa santa sabedoria! (Alto) Cuidado, meu fi lho! Não te deixes tentar. Salarim é rei. Foi sagrado. Não pequemos. A Igreja é contra o regicídio.(ibid.: 25)

O objectivo do Bispo (alegoria da Igreja) é manipular o General (personificação do poder militar) para aniquilar o Bobo Mnemésicus (o poder intelectual), eliminando assim a infl uência deste junto do ditador Salarim, para que só o Bispo ocupe esse lugar.

Os intentos do prelado intriguista serão conseguidos. Depois de dominar os impulsos do General, o Bispo ilude o Bobo, firmando com este um falso pacto revolucionário.

Ele sabe como lidar com Mnemésicus, segundo afi rma ao General: «[O Bobo] é um intelectual. A maneira de os vencer é deixá-los falar (Esfrega as mãos.) Mais tarde ou mais cedo caem na ratoeira dos próprios sons» (ibid.: 27). E é uma ratoeira que o Bispo arma ao Bobo; antes de este surgir em cena no 3º quadro, o Bispo avisa Salarim de que o seu fi el Bobo deixou de o ser e vem munido de uma pistola. O diálogo-chave entre o Bobo e Salarim (que anatomiza a natureza teatral, ilusionista, da imagem do poder que o ditador constrói de si mesmo), convencerá este de que o Bispo «papagaio» (ibid.: 29) dizia a verdade. Salarim começa por perguntar a Mnemésicus se este lhe vem dar «uma lição de História» (ibid.: 30):

BOBO: (...) A História é a raiva dos que não participam dela e é com estes que é preciso contar. Sobretudo fazer o possível para não excitar essa raiva. Concorda que tens feito muito pouco nesse sentido.

SALARIM: Sou uma personagem. Não preciso deles.

BOBO: As personagens só existem na imaginação dos cronistas. Não tens feito nada para conquistar a simpatia deles. Isso põe em risco a tua realidade. (ibid.: 30)

Na sequência de uma ardilosa esgrima dialogal, o Bobo persuade Salarim de que uma revolução de rebeldes, que já «saquearam o palácio e esvaziaram os cofres» (ibid.: 30), se prepara para o destronar e de que a única forma de ele sair com dignidade é suicidar-se. O Bobo coloca-lhe nas mãos o revólver para esse efeito, mas Salarim, em vez disso, matará a tiro o Bobo Mnemésicus (sua alma danada, ou seja sua enteléquia), sendo atacado de seguida por amnésia identitária, que, se o isenta teatralmente de responsabilidades por ter morto «este desconhecido» (ibid.: 31), tem como reverso a perda de si mesmo. Ao matar o Bobo, Salarim matou o que restava da sua consciência; nesta tragédia jocosa, ele torna-se um autómato ontológico-político:

Estou vazio, vazio. Apenas sobrevivo como um saco que se esvaziou. Oh! Oh! Quem sou eu? Quem sou eu?» (ibid.: Contém esta peripécia, ao mesmo tempo, a parábola do que sucede ao intelectual que se alia ao poder ditatorial, para usufruir dos privilégios deste; neste negócio faustiano, a sua voz acaba por ser silenciada pela conspiração dos poderes (eclesial e

militar) que lhe disputam a infl uência e o controlo do déspota.

Na peça, o triunfo pertence ao Bispo, com o seu evangelho equívoco que prega sentenças deste género: «A guerra é precisa para trazer a paz»; «O descontentamento e a subalimentação são o que resta de espiritual no horizonte humano»; «A agricultura garante-nos um certo estado de indigência necessário à vida do espírito». E é sob o signo agrícola, no quarto quadro que «descem do céu três anjos barrocos com trombetas que fi cam suspensos no ar», e cantam uma hossana sociocrítica, nada angélica, representando os poderes da alta fi nança, ou seja, «os cofres celestiais» (ibid.: 35).

Salarim imbecilizado é agora, como o diz o Bispo, não «mais do que uma sombra, uma aparência, uma alma perdida, vagabunda». A pedido mais uma vez do Bispo, o General dita a Salarim aquilo que ele deve ser: um patriota, que poderá mostrar-se útil às searas contra o ataque de «aves ruins» (ibid.: 36). Salarim será pois nada mais que um «espantalho » reinante, numa representação, do poder agónico, análoga ao final daquela que é a mais impressionante fábula política do teatro português da primeira metade do 
século XX: O Fim (1909), de António Patrício (1878-1930); peça em vários aspectos precursora da tragicidade absurda de Beckett e da crueldade psicotrópica de Artaud, em cujo decadentismo expressionista se efabulava premonitoriamente a queda da monarquia portuguesa, pela transfiguração poético-trágica da leariana Rainha-avó Maria Pia, que enlouquecera na sequência do regicídio de 1908. E se no fi nal da peça de Patrício se chamavam os corvos para cumprir a função de aves necrófagas, no quinto quadro d’ O Homúnculo, a condição de espantalho é encarnada verbalmente por um Salarim «manifestamente demente», numa fala longa, que descreve os estragos orgânicos que as diferentes espécies de aves fazem, devorando o seu corpo. Na irrisão cénica que a peça propõe, com nítidos contornos absurdistas, o drama prometeico é aqui reduzido ao esventrar de um espantalho, ao qual já não se apropria sequer a designação inumana, mas alquímica, de homúnculo com que o título nomeia o protagonista.

Ao coro de anjos celestes opõem-se, em terreno contraponto, quatro ceifeiras que «trazem as duas metades de um pano toscamente pintado representando uma seara» (ibid.: 36). Podemos classifi car o bizarro confronto coral com que a peça termina, entre anjos e ceifeiras, como uma paródia negra (ou tragédia jocosa, segundo o subtítulo nataliano) que joga surrealmente com tópicos correntes, à época, da literatura marxista do neo-realismo, nomeadamente no que respeita ao confl ito de classes, entre dominadores e dominados, exploradores e explorados; confl ito com que em riso amargo se retrata o país de então, preso ao triplo subdesenvolvimento rural, cultural, e espiritual:

ANJOS: Mas só no Dia do Juízo se distribuem as riquezas.

CEIFEIRAS: As nossas almas engordemos morrendo pelos donos destes campos.

ANJOS: Por entre as nuvens vos aparecemos...

CEIFEIRAS: Bendita a fome que faz ver anjos! (ibid.: 38)

O Homúnculo (1965) surge-nos como a primeira obra de um conjunto de três peças para as quais propomos a designação de trilogia de mitos lusitanos, fundada em afinidades que nos parecem irmaná-las, já que, sublinhe-se, nunca esta nomenclatura e este agrupamento textual fossem sugeridos pela autora. A Pécora (com edição boicotada em 1967) e O Encoberto (1969) são as outras duas obras que integrarão tal trilogia. Para além de serem textos que Natália comporá em sequência e proximidade cronológicas, a similaridade na concepção estilística dos títulos indicia logo à partida um parentesco que os temas desenvolvidos, por cada um dos dramas, confirmarão. A designação nominal, comum a cada uma destas peças (constituída, repare-se, por umsubstantivo singular, com artigo defi nido), visa colocar no palco, com intentos fabulísticos, imaginativos e provocatórios, mitos específi cos da realidade histórico-política e/ou psico-religiosa portuguesa; daí, por isso, esta opção pela denominação, objectiva e irónica, de trilogia de mitos lusitano. Assim, enquanto O Homúnculo se ocupou com o automitificado ditador Salazar, já A Pécora esconde uma virulenta parábola motivada livre e libertinamente pelo fenómeno controverso das aparições marianas de Fátima, em 1917; se bem que os dados dramatúrgicos utilizados se mostrem antes bastante mais próximos dos que envolveram as fraudulentas aparições de La Salette, em França, ocorridas em 1846, data próxima desse fi nal do séc. XIX que vem a ser o tempo histórico-dramático da peça. Por sua vez, O Encoberto será a criação teatral nataliana a dar voz a um mito messiânico persistente no imaginário lusíada: o do rei D. Sebastião, morto jovem no norte de África, na batalha de Alcácer Quibir, em 1578 (data que assinala o ocaso da aventura expansionista marítima portuguesa), em torno do qual se gerou a lenda de que ele haveria de regressar vivo e salvífi co numa manhã de nevoeiro, como se de um heróico Godot se tratasse. É de assinalar que o mito sebástico, para o qual Almeida Garrett desafi ara em 1837 os dramaturgos vindouros, haveria de dar origem, sob distintas interpretações pessoais, a outras duas obras representativas do teatro escrito português do século XX: O Indesejado (1945), de Jorge de Sena, e El-Rei Sebastião (1949), de José Régio; bem como ainda ao drama inacabado O Rei de Sempre, de António Patrício (de que restam cenas fragmentárias datadas de 1914).


O HOMÚNCULO DE PENFIELD.
cit Wikipedia


Aluno de Charles Sherrington (1857-1952), considerado por muitos o pai da neurociência de sistemas, o neurocirurgião Wilder Penfield (1891-1976) foi o responsável pelo início da revolução na compreensão do cérebro.

Através de suas observações, obtidas durante procedimentos neurocirúrgicos para remoção de focos epilépticos corticais durante 19 anos, em pacientes cuja epilepsia não podia ser contida com medicamentos, Penfield mapeou o tipo de sensações táteis geradas por estimulações elétricas de regiões corticais localizadas à frente e atrás do sulco central.

Gerou-se, assim, a imagem mítica do Homúnculo e foi dado um passo gigantesco na compreensão do funcionamento do cérebro por via de populações.

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Natália Correia. Cântico de País emerso. Contraponto, 1ª edição, 1961

Natália Correia

Cântico do País Emerso

Porto [ind. tipog.],

 s.d. [1961]

Contraponto [de Luiz Pacheco]

1.ª edição

22,9 cm x 17,3 cm

40 págs.


Peça de colecção

Obra de imediato proibida pela censura, circulou clandestinamente, dado o poema celebrar a acção revolucionária de Henrique Galvão ao tomar de assalto o Santa Maria, navio que, depois, irá servir ao regime colonial como cargueiro de tropas «para Angola já, e em força!».

cit de Frenesi Livros.






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sexta-feira, 12 de julho de 2013

A minha mulher. Anton Tchekov, Contraponto, 1996, 1ª edição. Versão de Luíz Pacheco

A minha mulher

Anton Tchekov

Contraponto

1996

1ª edição

Versão ( tradução ) de Luíz Pacheco

Ilustrações Luís Filipe

coleção autores estrangeiros

tiragem 1000 exemplares

ISBN 972-95042-1-0

118p

12x16,5





Sobre a mítica Editora Contraponto de Luiz Pacheco

Fundação da Contraponto

Luiz Pacheco cria a Contraponto: Edições e Distribuição em 1950 (Setembro), na rua Rafael Andrade, nº12 1º, Lisboa. Motivado pela ideia de combate ao regime vigente e pela luta contra as instituições. Concebe uma editora cujo objectivo era a denúncia da situação política, social e literária. O trabalho de escrita, revisão, tratamento gráfico e distribuição era, todo ele, feito pelo Luiz Pacheco. Contava com a colaboração de alguns amigos que se propunham para realizar certas tarefas e, por outro lado, garantir a publicação das suas obras.
Inicia a sua actividade com a publicação do primeiro número de "Cadernos de Crítica e Arte" sob organização e direcção de José Nunes Ferreira e Pitta Simões, tiragem de 2000 exemplares mas vendeu-se muito mal. 
Artigos publicados: "Sobre a poesia de Carlos de Oliveira"; "Apontamento" de Augusto Abelaira; "O Presidente" de Pacheco; entre outros.
Colaboradores: Augusto Abelaira, Jaime Salazar Sampaio, Arlinda Franco Oliveira, Vasco Vidal, Eugénio Morais Cardigos.
Em 1952 saiu o segundo número de "Cadernos de Crítica e Arte" , com uma tiragem de 1000 exemplares. Desta vez, as vendas superaram as expectativas.
Artigos publicados: Tentativa de publicar uma peça de Garcia Lorca mas foi cortada pela Censura. É alterada por poemas de Pedro Oom e Carlos Drummond de Andrade.
Colaboradores: Luiz Pacheco, Tomás Ribas, Paulo-Guilherme de Eça Leal, Alfredo Margarido, Renato Ribeiro, Manuel Nunes da Fonseca, António Nuno Barreiros, Francisco Aranda, Florentino Goulart Nogueira, Egito Gonçalves.
Em 1962 publica o terceiro, e último, número de "Cadernos de Crítica e Arte". Por questões económicas este número só contém as páginas 1, 2, 7 e 8. A tiragem foi de 1000 exemplares mas 500 ficaram na tipografia da Sertã.
Colaboradores: Luiz Pacheco, Artur Ramos, Ernesto Sampaio, António José Forte.
primeiro livro publicado pela Contraponto foi em 1951, intitulado "Discurso sobre a reabilitação do real quotidiano" de Mário Cesariny de Vasconcelos.

Logótipo

O criador do logotipo da Contraponto foi o Paulo Guilherme d'Eça Leal. Este está presente na maioria das publicações produzidas pela editora. No caso dos folhetos, panfletos e em stencyl o nome da editora por vezes não surgia no pé da capa ou página ou surgia, em letras normais

Edição de 1996 da mítica Contraponto de Luiz Pacheco
Estado como novo
Com ex-libris do proprietário coevo

Preço 30€  

com portes registados incluídos para Portugal Continental e ilhas

+ 8€ para correio registado internacional normal
UPS ou correio rápido a orçamentar

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Estórias de coisas. José-Alberto Marques . 1ª edição, Contraponto,[1972] 2ª edição 2008, Edição Bonecos Rebeldes

Estórias de coisas

José-Alberto Marques

1ª edição
Contraponto [Luiz Pacheco]
[1972]
54p[1]

e

 2ª edição

 2008

Edição Bonecos Rebeldes

Coleção Musa Irregular, 4

75 p.



Posfácio de Zetho Cunha Gonçalves

Capa Fernando Martins
edição de 625 exemplares
ISBN 978-989-8137-16-6


1ª Edição de Estórias de Coisas na mítica Editora Contraponto de Luiz Pacheco, livro 128 de 300 exemplares e muito valorizado pela assinatura do autor e do editor Luiz Pacheco







José Alberto Marques

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José Alberto Marques, nasceu a 4 de Outubro de 1939, em Torres Novas, é um dos poetas mais conhecidos e consagrados da poesia contemporânea portuguesa, protagonismo que nunca aclamou, sendo porém muitas vezes menosprezado pela critica literária portuguesa.
                  
Dono de uma vida particularmente difícil, José Alberto Marques, cedo começou a despertar a sua paixão pela poesia, não só pela sua, mas fundamentalmente a criada por parte dos outros autores. Frequentou a universidade, apesar de não dar muito tempo a esta causa, muitas vezes devido á vida que levava e ás horas de trabalho que o atormentavam para se sustentar a si mesmo e aos seus estudos. Foi editor do jornal Quadrante da Faculdade de Direito de Lisboa, seguindo o seu percurso literário, onde ficou bastante conhecido devido ao movimento da poesia experimental, tendo sido dele o 1º poema concreto em Portugal, intitulado de Solidão, na revista do Colégio Andrade Corvo entre o ano de 1958 e 1959.
                  
Vários cargos desempenhou na sua vida, muitos deles ligados á literatura e arte portuguesa, tendo sido Orientador pedagógico de português, fazendo também parte da direcção do S.P.G.L. No seu currículo encontram-se variadas obras e publicações, escrevendo livros de poesia, romances, livro infantis, livros juvenis, publicando também vários textos de critica literária em diversos diários e jornais de Portugal, bem como elaborou algumas exposições não só no nosso país, mas também no estrangeiro no que toca a á poesia visual. Encenou várias peças de teatro, realizou vários happenings, bem como outro tip de performances.
                  
No que toca à poesia experimental, organizou conjuntamente com Erneste de Melo e Castro, a obra Antologia da Poesia concreta, que continha um mundo de descoberta e de criatividade que algo de novo. Ao contrário de muitos dos poetas verbais que têm, normalmente uma certa incapacidade para dizer os seus poemas e as suas obras em público, José Alberto é um desses casos particulares, conseguindo valorizar os seus poemas através da forma que os consegue dizer, realizando performances poéticas ao longo dos anos. Participou também em outras publicações como Operação I e Operação II, obras estas resultantes também da poesia experimental. È-lhe reconhecida a qualidade do seu trabalho como poeta verbo-experimental e como romancista, onde outras obras fazem dele um histórico no que toca a poesia experimental.
Exemplares muito estimados. Em excelente estado de conservação tanto a edição originária como a mais recente que está como nova.

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Isto de estar vivo. Luiz Pacheco e Alice Geirinhas. 1ª edição. Contraponto. 2000

Luiz Pacheco

Alice Geirinhas ( ilustrações )

Isto de estar vivo

Lisboa

Contraponto

2000

1ª edição

exemplar 293/300

128p









Luiz Pacheco, em discurso directo. "Isto de estar vivo ainda um dia acaba mal. É uma frase do Manuel da Fonseca. Para o Manuel acabou, coitado. Ele caiu de uma escada abaixo, os amigos estavam à espera dele no café, ele não aparecia, foram lá a casa dele, e deram com ele inanimado. Depois ficou em coma profundo e morreu daí a uns 8 dias, talvez.
Isto [o lar] não é uma casa alegre. Não pode ser. É o terceiro lar onde estou e já sei que não há hipótese de arranjar melhor. Agora, para pagar isto é que me vejo um bocado aflito, porque eu não tenho dinheiro que chegue para isto. Como é que faço? Olhe, faço os possíveis. Isto custa para cima de mil euros por mês. O que eu recebo não dá para estar descansado. Tenho uma situação muito incerta.
Tenho um subsídio vitalício de 120 contos por mérito cultural. Há muita gente que tem. Agradeço isso ao Alçada Baptista. E ao Balsemão. Foi o Balsemão que inventou um decreto, que era o do mérito cultural, para legalizar estas pensões. O meu subsídio em princípio é vitalício, é um subsídio pelo passado. Mas com essa maluca das Finanças - por acaso até é gira, é muito feia mas é gira, é uma mulher a sério, não é o Peixoto, aliás o Barroso! - nunca se sabe. Mas não, porque se uma pessoa tem mérito cultural não o perde por causa da Ministra das Finanças.
Eu até estou um bocado resguardado. Enfim, estou bem aqui. Este quarto é um bom quarto, apetece trabalhar. Eu é que já não estou muito capaz de trabalhar, porque a memória, a vista, tudo isso inibe um tipo. Já não leio os jornais, não consigo. A minha ligação com o mundo é a rádio.
(...)
Para escrever bem, para estar atento - por desejar está-lo - é preciso um tipo ler muita coisa. Sim, o trabalho do Lobo Antunes interessa-me. Tem muitas qualidades. Tem métier, já escreveu alguns 15 romances, são anos de escrita. Esse também diz que não pode estar sem escrever, mas esse é verdade. Mas também é maluqueira. Ele tem muita pancadinha. Há livros do Lobo Antunes de que eu gostei porque me tocavam. Gostei deles por bairrismo, porque ele falava de Benfica, e da Avenida Grão Vasco, da palmeira ao pé dos correios. O Lobo Antunes é um tipo um bocado sentimental, é um tipo um bocado arrapazado".
(...)
Quem tiver dois palmos de testa ou um só de nuca perceberá - depois de ler esta entrevista na íntegra - qual a importância (relativa) que hoje os jornais de papel todos juntos têm...


Exemplar excelente
Assinado pelo autor



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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Carlos Wallenstein. Cinco histórias sem classificação especial. Contraponto. 1953

Carlos Wallenstein

(1926–1990)

Cinco histórias sem classificação especial

(1º livro do actor)

1ª edição

Exemplar 392 assinado pelo autor

Contraponto

1953

51p


Uma das primeiras edições ( 1953 ) da mítica editora Contraponto de Luís Pacheco

Obra muito difícil de encontrar no mercado livreiro






Sobre a mítica Editora Contraponto de Luiz Pacheco

Fundação da Contraponto

Luiz Pacheco cria a Contraponto: Edições e Distribuição em 1950 (Setembro), na rua Rafael Andrade, nº12 1º, Lisboa. Motivado pela ideia de combate ao regime vigente e pela luta contra as instituições. Concebe uma editora cujo objectivo era a denúncia da situação política, social e literária. O trabalho de escrita, revisão, tratamento gráfico e distribuição era, todo ele, feito pelo Luiz Pacheco. Contava com a colaboração de alguns amigos que se propunham para realizar certas tarefas e, por outro lado, garantir a publicação das suas obras.


Inicia a sua actividade com a publicação do primeiro número de "Cadernos de Crítica e Arte" sob organização e direcção de José Nunes Ferreira e Pitta Simões, tiragem de 2000 exemplares mas vendeu-se muito mal. 


Artigos publicados: "Sobre a poesia de Carlos de Oliveira"; "Apontamento" de Augusto Abelaira; "O Presidente" de Pacheco; entre outros.


Colaboradores: Augusto Abelaira, Jaime Salazar Sampaio, Arlinda Franco Oliveira, Vasco Vidal, Eugénio Morais Cardigos.


Em 1952 saiu o segundo número de "Cadernos de Crítica e Arte" , com uma tiragem de 1000 exemplares. Desta vez, as vendas superaram as expectativas.


Artigos publicados: Tentativa de publicar uma peça de Garcia Lorca mas foi cortada pela Censura. É alterada por poemas de Pedro Oom e Carlos Drummond de Andrade.


Colaboradores: Luiz Pacheco, Tomás Ribas, Paulo-Guilherme de Eça Leal, Alfredo Margarido, Renato Ribeiro, Manuel Nunes da Fonseca, António Nuno Barreiros, Francisco Aranda, Florentino Goulart Nogueira, Egito Gonçalves.


Em 1962 publica o terceiro, e último, número de "Cadernos de Crítica e Arte". Por questões económicas este número só contém as páginas 1, 2, 7 e 8. A tiragem foi de 1000 exemplares mas 500 ficaram na tipografia da Sertã.


Colaboradores: Luiz Pacheco, Artur Ramos, Ernesto Sampaio, António José Forte.



primeiro livro publicado pela Contraponto foi em 1951, intitulado "Discurso sobre a reabilitação do real quotidiano" de Mário Cesariny de Vasconcelos.


Artigos presentes no arquivo da Censura:

A 11 de Setembro de 1953 recebe uma notificação do Grémio Nacional de Editores e Livreiros com a seguinte mensagem: "Acresce o facto de estar editando obras sem autorização dos autores, conforme reclamação apresentada por alguns deles que se dirigiram a este Grémio na suposição de que dispuséssemos dos meios repressivos para por cobro a essa usurpação" . Também com a mesma data recebeu outro aviso relativo à falta de registo nos serviços do Grémio Nacional como editorial .

Em jeito de elucidação, António Maria Pereira (Presidente da Direcção do Grémio Nacional dos Editores e Livreiros) esclarece os vários avisos por parte da Direcção do Grémio Nacional, num seu cartão de visita, redigindo umas singelas palavras. Passo a citar: "Com cordiais cumprimentos cumprindo a sua missão de Director do Grémio, perante este caso, esclarece a título confidencial, que tanto autores como editor pertencem aos chamados "surrealistas" grupo de jovens poetas incompreendidos por quem aprecia João de Deus e Augusto Gil, mas pessoas inofensivas" . 11/09/55 (?)


No dia 7 de Outubro de 1953 enviou um requerimento solicitando desenvolver uma editora designada "Contraponto", destinando-se "à publicação de dois pequenos folhetos anuais de poesia e literatura, sem fins comerciais e unicamente literários". Este pedido foi aprovado nos finais de 1953 .


No entanto, a 7 de Dezembro de 1957 - Luiz Pacheco informa os Serviços da Censura que suspendeu a actividade como editor .


Colecção Teatro no Bolso:


Em 1956 divulga os primeiros números da Colecção Teatro no Bolso, em pequeno formato, que acompanhavam o mundo teatral em Lisboa. Cada volume era vendido a 10 escudos nas livrarias e 5 escudos à porta dos teatros. Em promoção especial, séries de três números pela módica quantia de 15 escudos. Os volumes avulsos custavam 6 escudos. Juntamente com Cacilda Becker, em 1959, percorre o país vendendo estas pequenas publicações com autores consagrados, como por exemplo: Henrik Ibsen; Molière; Alfonso Castelao; Luigi Pirandello; Marquês de Sade; Almeida Garrett; Camilo Castelo Branco; Guillaume Appolinaire; entre outros. Em paralelo, a Companhia do "Teatro de Sempre" também publicava peças de ilustres autores, que facultaram algumas traduções a Luiz Pacheco (funcionário da Inspecção dos espectáculos). Esta Companhia pertencia ao Teatro Avenida de Lisboa, sob a direcção artística de Gino Saviotti e colaboração de Laura Alves e Giuseppe Bastos.





Delfim da Costa:


Nos anos 60, algumas obras foram publicadas com o pseudónimo Delfim da Costa (o cangalheiro da cidade). A origem deste pseudónimo colectivo é contada no verso de um panfleto intitulado "Caca, cuspo e ramela", que passo a citar: "Juntaram-se Manuel de Lima, Luiz Pacheco e Natália Correia, em casa desta, e fizeram um papel com pretensões a anónimo, assinado Delfim da Costa (o cangalheiro da cidade) e titulado Requiem pelos corpos penados mais em destaque no cemitério ulissiponense. Outros artigos que compõem esta colecção: 30 coplas de pé quebrado compostas, musicadas, cantadas por Delfim da Costa, o cangalheiro da cidade; Ária de Delfim da Costa: pro domo sua."



Logotipo:
O criador do logotipo da Contraponto foi o Paulo Guilherme d'Eça Leal. Este está presente na maioria das publicações produzidas pela editora. No caso dos folhetos, panfletos e em stencyl o nome da editora por vezes não surgia no pé da capa ou página ou surgia, em letras normais.


Assinantes:

Levantamento de algumas regiões, às quais pertenciam os respeitantes assinantes e contribuintes da editora, nos anos 90. Quer o número de assinante, quer a quota recebida eram apontados atenciosamente num caderno. Luiz Pacheco enviava postais RSF a todos os assinantes presentes na sua lista e conhecidos, avisando-os da nova publicação. Porém, existe um postal que circulou entre os fiéis assinantes que não passou de um mero postal. O título mencionado no postal - As minhas cinco chagas, de mestre Almada Negreiros (ficção e memórias) - não chegou a ser publicado nem produzido. No entanto, recebeu as contribuições, que serviram para financiar a obra seguinte.


Impresso em papel avergoado. Impressão a magenta
Em bom estado, com manchas de acidez na capa e miolo. Capa sem defeitos na lombada. Miolo impecável
Pequeno rasgão na capa e corte dos cadernos irregular 

Edição de 1953 da mítica Contraponto de Luiz Pacheco

Preço 65€  

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