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domingo, 7 de julho de 2013

Idéologies des indépendences africaines. Yves Bénot. Éditions François Maspéro. 1969

Idéologies des indépendences africaines.
Yves Bénot.
Éditions François Maspéro
1969
Cahiers libres 139-140
428p


livro 253 de uma tiragem de 3300



Sobre Yves Benot * Em frances...

Yves Benot, pseudonyme de Édouard Helman, né à la Ferté-sous-Jouarre le 23 décembre 1920 et mort à Paris le 3 janvier 2005, est un historien français du colonialisme, unjournaliste et un militant anticolonialiste.
Son père, médecin né en Roumanie, exerçait à La Ferté-sous-Jouarre où il se distingua pendant la bataille de la Marne en 1914. Arrêtés et déportés en 1943, lui et son épouse furent gazés à leur arrivée en camp d'extermination. Interrompant des études de lettres, Yves Benot rejoint pour sa part la France libre par l'Espagne. Après la fin de la guerre, il reprend une activité littéraire (préparation d'un volume de textes d'Antonin Artaud) et politique (Revue du Moyen-Orient). Il commence aussi une carrière de professeur de lettres, d'abord auMaroc où il exerce une activité journalistique.

Revenu en France, il travaille dans des publications liées au Parti communiste français. En 1958, il rejoint la Guinée nouvellement indépendante pour enseigner au lycée de garçons de Conakry. En 1962, après le procès des enseignants, il rejoint le Ghana deNkrumah où reste jusqu'à la chute de celui-ci.

Très inspiré par les Lumières du xviiie siècle, il démontre leur avance sur leur temps malgré leurs ambiguïtés. Il estime que, plutôt que de s'indigner, rétrospectivement, des insuffisances de la lutte contre l'esclavage, il convient surtout de réintégrer la colonisation dans l'Histoire et d'en comprendre les mécanismes.

Il est inhumé le 8 janvier 2005 au cimetière du Père-Lachaise (36e division)



Livro da famosa serie Cahiers Libres de Francois Maspero



Os livros das Editions Francois Maspero marcaram as gerações juvenis dos anos 60/70 (Les Génerations de Rêve et de poudre).

Nos últimos tempos do marcelismo ter um pequeno livro com um design extraordinário e autores e títulos inacessíveis em Portugal era uma experiência marcante.


Pôr uma capa nos livros era vulgar no meio estudantil da época e permitia a sua leitura em sítios públicos, no caso nas tardes longas de Verão nos cafés, locais de frequência regular dos estudantes.

François Maspero e a sua livraria no Quartier Latin era um local de peregrinação da esquerda europeia: 


"Entre 1956 e 1975, uma livraria fazia parte do circuito de um certo Portugal político em Paris. A "Joie de Lire", na rue St. Severin, junto à place St. Michel, propriedade do editor François Maspero, era um ponto de encontro de muitos, que por aqui viviam, com outros que, como eu, por aqui passavam, a partir da segunda metade dos anos 60. Para aquela espécie de turistas políticos que alguns de nós então éramos, a Maspero (ninguém dizia a "Joie de Lire") era uma "meca" da livralhada inacessível em Portugal, à qual se juntavam panfletos e publicações dos partidos portugueses na clandestinidade, que despertavam a nossa imensa curiosidade.

François Maspero tinha como orientação não entregar à polícia - à "polícia da burguesia" - quem fosse apanhado a roubar livros, o que criou, em muita gente, uma espécie de impunidade que, ao que se dizia, terá acabado por levar a livraria à ruína económica. Fui testemunha presencial de uma frutuosa e furtuosa "romagem" à Maspero de um amigo português, ao tempo estudante em Paris, convenientemente dotado de um avantajado capote alentejano, que dava espaço para um eficaz "arquivar" de volumes. Ainda o estou a ouvir: "Ora cá está ele! Faltava-me o volume 8 das obras do Bataille!". E lá desapareceu o avantajado volume da Gallimard no bojo do capo" 

Citado de Francisco Seixas da Costa 
https://duas-ou-tres.blogspot.com/




1 Place Paul Painlevé, París - Sede das Éditions François Maspero ( hoje Editions IVREA)

citado de duas ou três coisas.blogspot.com

Sobre o editor e escritor trotskista francês oriundo duma família de partisans e cujo pai morreu em Buchenvald:  http://www.youtube.com/watch?v=eNY-l7FuSnA&feature=colike 





François Maspero interviewé par Chris Marker.

François Maspero est ouvert à tout, il est de tous les combats militants sur les plans politique, social et culturel. Cela explique les multiples collections qui composent l’inventaire de son catalogue. Mentionnons (sans prétendre à l’exhaustivité !) la série « Histoire classique », où il publie notamment l’helléniste et ancien grand Résistant Jean-Pierre Vernant ; « Histoire contemporaine » où l’on trouve les fameuses études de Daniel Guérin sur le fascisme, mais aussi l’historien communiste orthodoxe Albert Soboul ; « Voix », qui donne la parole à Nazîm Hikmet et à des écrivains de tous pays ; « Bibliothèque socialiste » qui offre un éventail de classiques du marxisme : Boukharine, Rosa Luxemburg, Samuel Bernstein, etc. Dès 1967, la Petite collection Maspero, sur le modèle de ce que faisait Suhrkamp en Allemagne, propose plus de 270 titres en format de poche bon marché : on y trouve Aden Arabiede Paul Nizan (Maspero est à l’origine de sa redécouverte), Giap, Hô Chi Minh, le Che, Trosky, Ernest Mandel, mais aussi le pédagogue Célestin Freinet, la communarde Louise Michel, et bien d’autres. Remarquons que les éditions Maspero se sont intéressées à des domaines d’étude nouveaux, comme la situation des travailleurs étrangers en France, les bidonvilles, ou encore l’approche critique de la médecine. ( http://www.gauchebdo.ch/?Francois-Maspero-un-editeur-engage)



Livro , brochado, capa plastificada, com algumas manchas de humidade no miolo. Assinatura de posse e oferta na folha de rosto

Preço: 75€ + portes


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sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Hóspede de Job. José Cardoso Pires. Arcádia. 2ª edição 1964

O Hóspede de Job
José Cardoso Pires
 Arcádia
2ª edição
1964
254p.






( 1ª edição de 1963)
Prémio Camilo Castelo Branco

Outubro é o mês que se assinala a data do nascimento assim como da morte de José Cardoso Pires. Nasceu na aldeia de São João de Peso, conselho de Vila de Rei a 2 de Outubro de 1925 e foi em Lisboa, a 26 de Outubro de 1998, que viria a falecer.
Ao longo da sua carreira publicou vários livros e conquistou vários galardões literários. Com “O Hospede de Job” venceu o Prémio Camilo Castelo Branco, obra dedicada ao seu irmão que perdeu a vida quando cumpria o serviço militar obrigatório.
“Na véspera, as mulheres tinham marchado sobre a Vila e, todas em coro, apresentaram-se na Câmara. Pediam pão para casa, trabalho para os maridos.”
Editado pela primeira vez em 1963 mas escrito em 1953, O Hóspede de Job é um livro que descreve muito bem o Portugal de então. Dessa forma descobrimos um país onde o desemprego abundava e a fome era uma constante; onde as pessoas, pela força da necessidade, faziam muitos quilómetros a pé na esperança de arranjar emprego; onde já existiam algumas máquinas agrícolas, mas onde essas mesmas máquinas preocupavam os trabalhadores pois pensavam que ainda iriam agravar mais a falta de trabalho; nessa altura os guardas andavam pelas aldeias a cavalo e prendiam muitas pessoas por aspetos políticos e os jovens eram obrigados a cumprir o serviço militar.
“Na grande maioria são homens-operários, homens-camponeses, cobertos com uma farda que cobriu antes deles outros operários, outros camponeses, ou pescadores”
O filho de Aníbal é um desses homens. No quartel onde está fazem-se testes militares comandados pelo hóspede de job, Gallager, um americano a mandar nas nossas tropas. João Portela, que esfomeado andava naquela zona há procura de emprego fica sem uma perna por causa dos testes militares, ele simboliza todos aqueles que ficaram sacrificados pela tirania de uma ditadura. Tio Aníbal é o típico português que se preocupa com a vida dos outros. Floripes, uma jovem, está pressa numa cela por cima de uma Igreja, sitio onde já poucas pessoas rezam.
“Tu não pertences aos presos comuns…”
Este livro reaviva o passado para que essas memórias não sejam esquecidas, mas existe uma pergunto inevitável: Como é que a PIDE autorizou a publicação da obra?


Despacho da PIDE sobre O Hóspede de Job



Exemplar com miolo e capa em estado excelente. Encadernação editorial. Miolo amarelecido do tempo 



Preço 35€  

com portes registados incluídos para Portugal Continental e ilhas

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Minha Senhora de Mim. Maria Teresa Horta. 2ª edição 1974


Minha Senhora de Mim

Maria Teresa Horta
Editorial Futura
Coleção Nova visão Futura
2ª edição
(1ªedição de 1971 

dos 

Cadernos de Poesia da D. Quixote)
1974

91 p






Minha Senhora de Mim ( infopedia)



Cumpre relembrar, na abordagem da poesia de Maria Teresa Horta, uma análise de Fernando J. B. Martinho (cf.Tendências Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50, 1996, p. 144) sobre as formas de que a poesia de amor de David Mourão-Ferreira, enquanto celebração do corpo do desejo, se reveste, descrevendo umagraduação pela qual "a expressão do 'desejo' pode ir do alusivo, por uma aproximação metonímica que evitadizê-lo claramente [...] ao metafórico, que, todavia, se não inibe, pela veemência exclamativa de ir além dasimples sugestão [...] e à sua aberta assunção". Enquanto a poesia do autor de A Secreta Viagem manifesta uma preferência pela aproximação sinedóquica do corpo do desejo, percorrendo sobretudo a expressão alusiva e metafórica do desejo, numa poesia em que "tende a evitar-se o que não conte com a cumplicidade imaginativa do leitor e, assim, se aproxime perigosamente do literal", a poesia de Maria Teresa Horta, marcada até certo ponto pelo contexto e intenção iconoclasta da coautora das Novas Cartas Portuguesas, não teme, embora incluindo o discurso metafórico, sinedóquico e metonímico, uma "aberta assunção" da expressão do desejo. Emcomposições como «O Meu Desejo», «Poema ao Desejo», «Entre Nós e o Tempo» ou «Rosa», situadas naterceira parte de Minha Senhora de Mim, a linguagem despe-se o mais possível de véus retóricos que retardem a expressão da exaltação do corpo, da sensualidade, do erotismo, do sexo. A libertação da linguagem que nomeia o "espasmo", o "esperma", as coxas entreabertas "no início dos teus beijos" ou "a raiva do punhal que enterras/ no sol pastoso / do meu ventre" funciona, pela sua subversão e violência, a um nível mais elevado, como libertação da condição feminina e da condição humana face a convenções racionais, morais e sociais, castradoras da manifestação do ser humano numa totalidade em que o corpo e o desejo foram a última cidadela da censura.



Exemplar com miolo e capa em estado excelente. 



Preço 25€  

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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Uma estátua para herodes. Natália Correia. 1974. 1ª edição

Uma estátua para herodes
Natália Correia
1974
1ª edição
exemplar 565
Arcádia
Coleção Arcano 13
Capa de Manuel Dias
141 p




Sobre Natália Correia por Eduardo Pitta em 13/9/2010


Se fosse viva, Natália Correia faria hoje 87 anos. Por essa razão, um grupo de amigos e admiradores celebra a data no Botequim, o bar-restaurante do Largo da Graça (Lisboa) que abriu em 1971 a meias com Isabel Meyrelles. Nos anos 1970-80, o Botequim foi ponto de passagem obrigatório de grande parte da intelligentzia nacional. Foi também lá que, no Verão de 1975, os principais estrategas do Grupo dos Nove prepararam o que viria a ser o 25 de Novembro. Melo Antunes, Vera Lagoa, Francisco Sá-Carneiro, Snu Abecasis, Helena Roseta (mais tarde co-proprietária), Ramalho Eanes, Mário Cesariny, José-Augusto França, Vergílio Ferreira, David Mourão-Ferreira, Fernanda de Castro, Ary dos Santos e Fernando Dacosta eram habitués. O Botequim sobreviveu até 1995, dois anos depois da morte de Natália. Uma vez fechado, o espaço foi ocupado pela Associação José Afonso e, entre 2005-07, pela livraria Pequeno Herói, nome de um livro infantil de Natália. Agora voltou a ser o Botequim.

Por razões que a sociologia da literatura explicará, Natália foi uma mal-amada da democracia. Combatente anti-fascista com actividade consequente no MUD e na CEUD, a esquerda literária virou-lhe as costas. (Em 1979 foi eleita deputada independente nas listas do PSD.) Autora de uma obra vastíssima, no domínio da poesia, ficção, teatro, ensaio, narrativa de viagens e crónica; organizadora de antologias de poesia trovadoresca, medieval, barroca, erótica, surrealista e outras; directora do Século e da Vida Mundial, editora da Arcádia — qualidade em que se deslocou aos matos da Guiné para receber das mãos de Spínola o original de Portugal e o Futuro, publicado dois meses antes do 25 de Abril —; apoiante da Frente de Libertação Açoriana e autora do Hino dos Açores; hostess do mais exclusivo salão literário de Lisboa, por onde passou toda a gente que contava, incluindo, para espanto dos indígenas, Ionesco, Michaux, Yourcenar, Claude Roy e Henry Miller (Agustina e Sophia nunca lhe perdoaram esses serões); condenada em Tribunal Plenário por ter organizado a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (1966), Natália foi, de facto, a derradeira personagem da vida cultural portuguesa. Jorge de Sena define como ninguém o seu perfil: alguém que se impôs na vida literária portuguesa «pela forma como soube transformar o escândalo numa espécie de terror sagrado do provincianismo embevecido.»

Conheci Natália tarde (em 1977), mas guardo lembrança de algumas passagens pelo Botequim e, sobretudo, de um serão prodigioso em casa de amigas comuns. Natália era uma força da natureza. Protagonizou acesas polémicas no Parlamento, recebeu prémios e comendas, escreveu obras admiráveis — entre outras, o romance Madona (1968), os livros de poesia As Maçãs de Orestes (1970), A Mosca Iluminada (1972), Sonetos Românticos (1990), e o ensaio Uma Estátua para Herodes (1974) —, e casou quatro vezes, a última das quais com Dórdio Guimarães. Diz quem sabe que foi, nos anos 1940-50, a mulher mais bela de Lisboa. Hoje é um bom dia para ir ao Largo da Graça lembrar tudo isto.


Exemplar com miolo em estado excelente. Capa cartonada com mazelas visíveis na fotografia



Preço 60€  

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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Carlos Wallenstein. Cinco histórias sem classificação especial. Contraponto. 1953

Carlos Wallenstein

(1926–1990)

Cinco histórias sem classificação especial

(1º livro do actor)

1ª edição

Exemplar 392 assinado pelo autor

Contraponto

1953

51p


Uma das primeiras edições ( 1953 ) da mítica editora Contraponto de Luís Pacheco

Obra muito difícil de encontrar no mercado livreiro






Sobre a mítica Editora Contraponto de Luiz Pacheco

Fundação da Contraponto

Luiz Pacheco cria a Contraponto: Edições e Distribuição em 1950 (Setembro), na rua Rafael Andrade, nº12 1º, Lisboa. Motivado pela ideia de combate ao regime vigente e pela luta contra as instituições. Concebe uma editora cujo objectivo era a denúncia da situação política, social e literária. O trabalho de escrita, revisão, tratamento gráfico e distribuição era, todo ele, feito pelo Luiz Pacheco. Contava com a colaboração de alguns amigos que se propunham para realizar certas tarefas e, por outro lado, garantir a publicação das suas obras.


Inicia a sua actividade com a publicação do primeiro número de "Cadernos de Crítica e Arte" sob organização e direcção de José Nunes Ferreira e Pitta Simões, tiragem de 2000 exemplares mas vendeu-se muito mal. 


Artigos publicados: "Sobre a poesia de Carlos de Oliveira"; "Apontamento" de Augusto Abelaira; "O Presidente" de Pacheco; entre outros.


Colaboradores: Augusto Abelaira, Jaime Salazar Sampaio, Arlinda Franco Oliveira, Vasco Vidal, Eugénio Morais Cardigos.


Em 1952 saiu o segundo número de "Cadernos de Crítica e Arte" , com uma tiragem de 1000 exemplares. Desta vez, as vendas superaram as expectativas.


Artigos publicados: Tentativa de publicar uma peça de Garcia Lorca mas foi cortada pela Censura. É alterada por poemas de Pedro Oom e Carlos Drummond de Andrade.


Colaboradores: Luiz Pacheco, Tomás Ribas, Paulo-Guilherme de Eça Leal, Alfredo Margarido, Renato Ribeiro, Manuel Nunes da Fonseca, António Nuno Barreiros, Francisco Aranda, Florentino Goulart Nogueira, Egito Gonçalves.


Em 1962 publica o terceiro, e último, número de "Cadernos de Crítica e Arte". Por questões económicas este número só contém as páginas 1, 2, 7 e 8. A tiragem foi de 1000 exemplares mas 500 ficaram na tipografia da Sertã.


Colaboradores: Luiz Pacheco, Artur Ramos, Ernesto Sampaio, António José Forte.



O primeiro livro publicado pela Contraponto foi em 1951, intitulado "Discurso sobre a reabilitação do real quotidiano" de Mário Cesariny de Vasconcelos.


Artigos presentes no arquivo da Censura:

A 11 de Setembro de 1953 recebe uma notificação do Grémio Nacional de Editores e Livreiros com a seguinte mensagem: "Acresce o facto de estar editando obras sem autorização dos autores, conforme reclamação apresentada por alguns deles que se dirigiram a este Grémio na suposição de que dispuséssemos dos meios repressivos para por cobro a essa usurpação" . Também com a mesma data recebeu outro aviso relativo à falta de registo nos serviços do Grémio Nacional como editorial .

Em jeito de elucidação, António Maria Pereira (Presidente da Direcção do Grémio Nacional dos Editores e Livreiros) esclarece os vários avisos por parte da Direcção do Grémio Nacional, num seu cartão de visita, redigindo umas singelas palavras. Passo a citar: "Com cordiais cumprimentos cumprindo a sua missão de Director do Grémio, perante este caso, esclarece a título confidencial, que tanto autores como editor pertencem aos chamados "surrealistas" grupo de jovens poetas incompreendidos por quem aprecia João de Deus e Augusto Gil, mas pessoas inofensivas" . 11/09/55 (?)


No dia 7 de Outubro de 1953 enviou um requerimento solicitando desenvolver uma editora designada "Contraponto", destinando-se "à publicação de dois pequenos folhetos anuais de poesia e literatura, sem fins comerciais e unicamente literários". Este pedido foi aprovado nos finais de 1953 .


No entanto, a 7 de Dezembro de 1957 - Luiz Pacheco informa os Serviços da Censura que suspendeu a actividade como editor .


Colecção Teatro no Bolso:


Em 1956 divulga os primeiros números da Colecção Teatro no Bolso, em pequeno formato, que acompanhavam o mundo teatral em Lisboa. Cada volume era vendido a 10 escudos nas livrarias e 5 escudos à porta dos teatros. Em promoção especial, séries de três números pela módica quantia de 15 escudos. Os volumes avulsos custavam 6 escudos. Juntamente com Cacilda Becker, em 1959, percorre o país vendendo estas pequenas publicações com autores consagrados, como por exemplo: Henrik Ibsen; Molière; Alfonso Castelao; Luigi Pirandello; Marquês de Sade; Almeida Garrett; Camilo Castelo Branco; Guillaume Appolinaire; entre outros. Em paralelo, a Companhia do "Teatro de Sempre" também publicava peças de ilustres autores, que facultaram algumas traduções a Luiz Pacheco (funcionário da Inspecção dos espectáculos). Esta Companhia pertencia ao Teatro Avenida de Lisboa, sob a direcção artística de Gino Saviotti e colaboração de Laura Alves e Giuseppe Bastos.





Delfim da Costa:


Nos anos 60, algumas obras foram publicadas com o pseudónimo Delfim da Costa (o cangalheiro da cidade). A origem deste pseudónimo colectivo é contada no verso de um panfleto intitulado "Caca, cuspo e ramela", que passo a citar: "Juntaram-se Manuel de Lima, Luiz Pacheco e Natália Correia, em casa desta, e fizeram um papel com pretensões a anónimo, assinado Delfim da Costa (o cangalheiro da cidade) e titulado Requiem pelos corpos penados mais em destaque no cemitério ulissiponense. Outros artigos que compõem esta colecção: 30 coplas de pé quebrado compostas, musicadas, cantadas por Delfim da Costa, o cangalheiro da cidade; Ária de Delfim da Costa: pro domo sua."



Logotipo:
O criador do logotipo da Contraponto foi o Paulo Guilherme d'Eça Leal. Este está presente na maioria das publicações produzidas pela editora. No caso dos folhetos, panfletos e em stencyl o nome da editora por vezes não surgia no pé da capa ou página ou surgia, em letras normais.


Assinantes:

Levantamento de algumas regiões, às quais pertenciam os respeitantes assinantes e contribuintes da editora, nos anos 90. Quer o número de assinante, quer a quota recebida eram apontados atenciosamente num caderno. Luiz Pacheco enviava postais RSF a todos os assinantes presentes na sua lista e conhecidos, avisando-os da nova publicação. Porém, existe um postal que circulou entre os fiéis assinantes que não passou de um mero postal. O título mencionado no postal - As minhas cinco chagas, de mestre Almada Negreiros (ficção e memórias) - não chegou a ser publicado nem produzido. No entanto, recebeu as contribuições, que serviram para financiar a obra seguinte.


Impresso em papel avergoado. Impressão a magenta
Em bom estado, com manchas de acidez na capa e miolo. Capa sem defeitos na lombada. Miolo impecável
Pequeno rasgão na capa e corte dos cadernos irregular 

Edição de 1953 da mítica Contraponto de Luiz Pacheco

Preço 120€  

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Alexandre O'Neill. Coração Acordeão. O Independente. 2004



Coração Acordeão

Alexandre O' Neill

2004

O Independente

1ª edição em livro

Coleção Horas Extraordinárias: 

Série inéditos da imprensa

Capa - Desenho original de André Carrilho

Concepção editorial de Vasco Rosa

Patrocínio editorial da Fundação Oriente

173 p



Não o amor não tem asas
se tem asas são as mãos
que se enlaçam para a festa
maravilhosa do corpo
e entre elas o coração

coração acordeão

Alexandre O'Neill

Coração Acordeão. Edição de Vasco Rosa. Lisboa, O Independente, 2004. p.13



Alexandre O’Neill – Um poema que circulou na clandestinidade

por manuel margarido

 Aqui há um par de dias referi a colecção Horas Extraordinárias – Série de Inéditos da Imprensa, a propósito livro Urzes, de Manuel Hermínio Monteiro, nela dado à estampa. Nesta iniciativa do semanário O Independente (em alguns títulos contando com a colaboração da Assírio & Alvim, que partilha, de resto, o copywright, assinando Vasco Rosa o prefácio) foi editado um título com inéditos e dispersos de Alexandre O’Neill posteriores à edição das Poesias Completas do autor naquela casa editora, em 2001.Coração Acordeão reúne, assim, textos que haviam «escapado» àquele volume, como conta Vasco Rosa, no prefácio. Pela sua variedade, diversidade e desigual interesse (desigualdade essa muito mais promissora que o termo especifica), aqui se deixa um deles, de carácter biográfico/literário. Foi quase escolhido abrindo o livro onde calhasse, porque este se lê de uma ponta à outra, em pulinhos de estilo, em saltinhos de gozo. Não foi assim tão «ao acaso»: é sempre fascinante ler um autor escrever sobre a génese de uma obra (um poema) ainda que eventualmente «menor», e confrontar o que nos conta com o resultado final.
Antecede o texto e o poema o prefácio, de Vasco Rosa, que ajuda a perceber a aventura deste livro.
«A segunda edição Assírio & Alvim das Poesias Completas tornou assaz evidente, já em Novembro de 2001, que chegara a hora de empreender uma demanda exaustiva aos Dispersos de Alexandre O’Neill (1924-86), a larguíssima parte das quais em papel de jornal, de modo a identificar e permitir publicar todos os seus escritos, reimprimindo, na passada, dois livros de crónicas há muito esgotados: As Andorinhas não Têm Restaurante, Dom Quixote, 1970, e Uma Coisa em forma de Assim, Presença 1985 (antes 1980).
À generosidade do editor Manuel Rosa devo a oportunidade de unir nessa campanha os meus esforços aos de Perfecto C. Cuadrado, Maria Antónia Oliveira e Luís Manuel Gaspar, tornando o livro que o leitor tem agora nas mãos — com a quantidade de textos «desconhecidos» que transporta — uma peça do puzzle o’neilliano, produzida , ademais, no contexto de uma colecção de autores da segunda metade do século XX em que, só por absurdo, ele poderia faltar.
Dentro de semanas, senão dias, sairá — autêntico verso ou reverso deste Coração Acordeão — uma reedição de Uma Coisa em forma de Assim.
A Afonso e Teresa Gouveia dirijo um aceno d’amigo. A Luís Manuel Gaspar agradeço todas as informações genuinamente partilhadas. Aos funcionários da Hemeroteca de Lisboa, a paciência de meses.»
VASCO ROSA
Três publicações recentes dedicadas aos escritor: o n.º 13 de Relâmpago. Revista de Poesia da Fundação Luis Miguel Nava; o Caderno 2 do Centro de Estudos do Surrealismo da Fundação Cupertino de Miranda; Alexandre O’Neill: Passo tudo pela Refinadora, de Laurinda Bom.

«Morte de Catarina Eufémia», José Dias Coelho (D.R.)
Um poema que circulou na clandestinidade
Não sei se foi o Carlos Brito ou o Fernando Correia da Silva quem teve, primeiro, a ideia de «vingar» poeticamente a morte de Catarina Eufémia, que, por deficiência de informação, nós julgávamos, ao princípio, chamar-se Maria da Graça Sapinho. O nome de quem a metralhou, esse, parece não deixar lugar a dúvidas: Carrajola.
Não era o apelido (como ainda hoje não é) que queríamos vituperar, mas aquele seu infame portador. Fechei-me em casa. Meditei o trágico acontecimento e logo senti que, de certo modo, ele era «abstracto» para mim. Eu desconhecia o Alentejo e, embora identificado com a luta dos camponeses alentejanos, a realidade do caso não me «entranhava» por forma a que eu arrancasse bem de dentro o meu protesto.
Senti, ao mesmo tempo, que não me podia ficar por palavras, que era preciso experimentar amor ou ódio. Entrei pelo desprezo. Foi então que me surgiu, antes de qualquer verso, este: És como um percevejo num lençol! A partir daí, a linha de força do poema estava encontrada. A segunda estrofe, endereçada a Catarina, é algo convencional. O que a salva é o verso, que reutilizei noutro poema: Quando o Alentejo se puser a rir.
Esses meus versos, que transcrevo de cor, juntaram-se a outros de gente amiga, e assim surgiu, tirado do copiador, um pequeno cancioneiro clandestino em memória de Catarina Eufémia. Alguém o terá guardado? Será ocasião de abrir os arquivos ou puxar pela retentiva para que este e outros documentos possam finalmente ver a luz (livre) do dia.

À MEMÓRIA DE CATARINA EUFÉMIA

Podes mudar de nome, carrajola
pôr umas asas brancas, arvorar
um ar contrito,
dizer que não, que não foi contigo,
disfarçar-te de andorinha, de sobreiro ou de velhinha,
podes mudar de nome, carrajola,
de aldeia, de vila ou de cidade
— és como um percevejo num lençol!

Quando tivermos Portugal nos braços
e pudermos amá-lo sem sofrer,
quando o Alentejo se puser a rir,
Catarina Eufémia, minha irmã,
então o teu filho há-de nascer!

O’Neill, Alexandre, Coração Acordeão, Lisboa: O Independente, 2004

(previamente publicado na Flama, 24 de Maio de 1974)

Nota: escolheu-se o justamente conhecido desenho de José Dias Coelho, artista plástico e militante do Partido Comunista Português, também ele assassinado pela polícia do regime do Estado Novo.

Livro como novo. Com assinatura de proprietário coevo datada de 2004
Livro de capa cartonada de encadernação editorial, com sobrecapa em papel couché brilhante

Preço 25€  

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