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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Jorge Amado, A Morte e a morte de Quincas Berro d' água. 1ª edição, Junho 1978, Europa-América

Jorge Amado

A Morte e a morte de Quincas Berro d' água

1ª edição 

Junho 1978

Publicações Europa-América

Obras de Jorge Amado, 19

100p


 





A Morte e a Morte de Quincas Berro D'água*

https://www.facebook.com/pages/Jorge-Amado/49408359282?fref=ts

11 de Março de 2009 às 12:04
Cap 1


ATÉ HOJE PERMANECE CERTA CONFUSÃO em torno da morte de Quincas Berro Dágua. Dúvidas por explicar, detalhes absurdos, contradições no depoimento das testemunhas, lacunas diversas. Não há clareza sobre hora, local e frase derradeira. A família, apoiada por vizinhos e conhecidos, mantém-se intransigente na versão da tranqüila morte matinal, sem testemunhas, sem aparato, sem frase, acontecida quase vinte horas antes daquela outra propalada e comentada morte na agonia da noite, quando a lua se desfez sobre o mar e aconteceram mistérios na orla do cais da Bahia. Presenciada, no entanto, por testemunhas idôneas, largamente falada nas ladeiras e becos escusos, a frase final repetida de boca em boca representou, na opinião daquela gente, mais que uma simples despedida do mundo, um testemunho profético, mensagem de profundo conteúdo (como escreveria um jovem autor de nosso tempo). 
Tantas testemunhas idôneas, entre as quais Mestre Manuel e Quitéria do Olho Arregalado, mulher de uma só palavra, e, apesar disso, há quem negue toda e qualquer autenticidade não só à admirada frase mas a todos os acontecimentos daquela noite memorável, quando, em hora duvidosa e em condições discutíveis, Quincas Berro Dágua mergulhou no mar da Bahia e viajou para sempre, para nunca mais voltar. Assim é o mundo, povoado de céticos e negativistas, amarrados, como bois na canga, à ordem e à lei, aos procedimentos habituais, ao papel selado. Exibem eles, vitoriosamente, o atestado de óbito assinado pelo médico quase ao meio-dia e com esse simples papel – só porque contém letras impressas e estampilhas – tentam apagar as horas intensamente vividas por Quincas Berro Dágua até sua partida, por livre e espontânea vontade, como declarou, em alto e bom som, aos amigos e outras pessoas presentes. 
A família do morto – sua respeitável filha e seu formalizado genro, funcionário público de promissora carreira; tia Marocas e seu irmão mais moço, comerciante com modesto crédito num banco – afirma não passar toda a história de grossa intrujice, invenção de bêbedos inveterados, patifes à margem da lei e da sociedade, velhacos cuja paisagem devera ser as grades da cadeia e não a liberdade das ruas, o porto da Bahia, as praias de areia branca, a noite imensa. Cometendo uma injustiça, atribuem a esses amigos de Quincas toda a responsabilidade da malfadada existência por ele vivida nos últimos anos, quando se tornara desgosto e vergonha para a família. A ponto de seu nome não ser pronunciado e seus feitos não serem comentados na presença inocente das crianças, para as quais o avô Joaquim, de saudosa memória, morrera há muito, decentemente, cercado da estima e do respeito de todos. O que nos leva a constatar ter havido uma primeira morte, senão física pelo menos moral, datada de anos antes, somando um total de três, fazendo de Quincas um recordista da morte, um campeão do falecimento, dando-nos o direito de pensar terem sido os acontecimentos posteriores – a partir do atestado de óbito até seu mergulho no mar – uma farsa montada por ele com o intuito de mais uma vez atazanar a vida dos parentes, desgostar-lhes a existência, mergulhando-os na vergonha e nas murmurações da rua. Não era ele homem de respeito e de conveniência, apesar do respeito dedicado por seus parceiros de jogo a jogador de tão invejada sorte e a bebedor de cachaça tão longa e conversada. 
Não sei se esse mistério da morte (ou das sucessivas mortes) de Quincas Berro Dágua pode ser completamente decifrado. Mas eu o tentarei, como ele próprio aconselhava, pois o importante é tentar, mesmo o impossível.  


Exemplar como novo, capa e miolo limpos



Preço : 25€ 
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Jorge Amado - Jubiabá. Lisboa, Livros do Brasil, 1969

Jorge Amado
Jubiabá
1969
5ª edição
Lisboa
Edições Livros do Brasil
331p.




Wikipedia

Severiano Manoel de Abreu ou Jubiabá (20 de abril de 1886 - 28 de outubro de 1937) foi um babalorixá do Candomblé e capitão do Exército de Salvador, Bahia. Recebia o caboclo Jubiabá, que foi o caboclo mais famoso da Bahia, a ponto de chamarem o pai-de-santo pelo nome do caboclo. Foi pai-de-santo do não menos famoso babalorixá Joãozinho da Goméia que recebia o caboclo Pedra Preta.




A controversa personalidade de Jubiabá

O primeiro texto da série de notas, artigos e reportagens sobre a cultura afro-baiana foi publicado em O Estado da Bahia no dia 09 de maio de 1936 com o título “As ‘macumbas’ através de interessantes reportagens do Estado da Bahia” e o subtítulo “Jubiabá, o célebre ‘pai de santo’, ouvido por nós, faz sensacionais revelações”.Trata-se de uma nota criada para anunciar a série de reportagens que viria a ser publicada nos meses seguintes. Para a primeira delas, foi escolhido o nome do pai de santo Jubiabá, um dos mais famosos de seu tempo, líder religioso de um candomblé de caboclo no Morro da Cruz do Cosme. Jubiabá, também, era o título do mais recente romance publicado por Jorge Amado, o que despertava ainda mais a curiosidade em torno de sua imagem. Como veremos mais tarde, numa sequência de três reportagens, Jubiabá e Jorge Amado travam uma deselegante discussão através das páginas do jornal por causa do romance.

Em 11 de maio de 1936, O Estado da Bahia publica a entrevista com Severiano Manoel de Abreu, com o título “No mundo cheio de mistérios dos espíritos e ‘pais de santos’”, acompanhado por dois subtítulos. O primeiro: “Iniciando uma larga reportagem sobre espiritismo e candomblés o Estado da Bahia viu e ouviu o famoso Jubiabá, herói do último romance de Jorge Amado”. E mais abaixo: “De incrédulo a médium curador – Cruz do Cosme e seu reduto – Até entre os espíritos há melindres e vaidades – Pai de 22 filhos vivos e influência política”.

Jubiabá novamente é apontado como o personagem do romance homônimo de Jorge Amado, dito vaidoso e detentor de influência política. As ligações políticas do capitão Severiano Manoel de Abreu com membros e assessores do governo, a exemplo de Martinelli Braga, oficial de gabinete do governador Juracy Magalhães, são destacadas nas entrevistas, inclusive por ele mesmo. Elas conferiam prestígio ao pai de santo, possibilitavam a troca de favores, atraíam benfeitorias para a comunidade e contribuíam para preservar sua casa de culto da violência policial.

O preconceito explícito nas páginas dos jornais da época praticamente se restringia às religiões de origens africanas e indígenas, enquanto o espiritismo e o ocultismo, de raízes europeias, eram mais aceitos socialmente, consideradas doutrinas mais “civilizadas”, como denota este trecho da entrevista: Mesmer e Flamarion, Cagliostro e muitos outros fizeram admiradores e fervorosos prosélitos, com os seus passes, livros ou trues [sic] hábeis e impressionantes.

Ao lado destas e outras crenças em que a grande família humana se divide, o fetichismo tem também o seu grande número de fiéis entre os africanos e indígenas de outras raças até mais ou menos civilizadas.

Por sua vez a legião de espíritos é numerosíssima, congregando em torno dos centros e associações mediúnicas milhares de crentes em curas e milagres, melhoria de condições financeiras ou de afeto que se afasta.Não raro registra a imprensa casos de envenenamentos ou de loucura devido aos meios empregados para a “cura” do paciente.



Exemplar curioso dado tratar-se do livro de estudo do curso de 1969 da Faculdade de Letras de Lisboa, da proprietária coeva Flora C. Natal. O livro está profusamente anotado a lápis resultande do seu estudo e quiça cabulado para o exame da cadeira.

 Ainda assim em bom estado de conservação, miolo limpo, capa e lombada em bom estado mas com mancha de humidade, bastante manuseado.

Preço : 15 € 
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domingo, 18 de agosto de 2013

Usina - José Lins do Rego - 1ª edição - s.d.(anos 50)

Usina

José Lins do Rego
1ª edição
s.d.(anos 50)
Editora Livros do Brasil
Coleção "Livros do Brasil"
Capa Infante do Carmo
271 p




Créditos a Rui Martins em http://tertuliabibliofila.blogspot.pt/

José Lins do Rego – “Usina”. Romance.“Ciclo da Cana do Assucar V”

1ª edição brasileira 

Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1936. 1ª edição. Encadernação original brochura. 392 pp. 

Tiragem: 5.000 exemplares (1ª edição)
Usina é uma narrativa descritiva do meio de vida nos engenhos de açúcar e nas plantações de cana do Nordeste. Em 1936, após a publicação dessa obra, José Lins do Rego decretou o fim do "ciclo da cana-de-açúcar".
Usina retoma a história do Moleque Ricardo, a partir de sua prisão com os companheiros grevistas em Fernando de Noronha até o seu retorno ao engenho.
Com pouco mais de estariam no velho Santa Rosa, que Ricardo deixara há oito anos, fugido, como de um presídio, de uma ilha de trabalhos forçados. escapara de lá para não ser alugado e fora pior que isso. Tivera dores que os alugados não sofriam nunca.
É na segunda parte do livro que começa propriamente Usina, quando são narrados os acontecimentos que envolvem o Santa Rosa depois que Carlos Melo, fugindo dos problemas que envolviam o engenho, entrega o seu património a parentes.
O Santa Rosa transforma-se na Usina Bom Jesus. O Dr. Juca sonha com o prestígio, negociando com Zé Marreira, proprietário da Fazenda São Félix, deixa-se levar pela ambição e faz a sua primeira operação desastrosa. As hipotecas contraídas e a pressão da Usina São Félix, na figura do Dr. Luís, terminam por forçar a venda. A enchente do Rio Paraíba, destruindo a antiga propriedade, simboliza o fim de um ciclo. O usineiro retira-se com a família em meio à destruição física dos seus antigos domínios.



José Lins do Rego – Obras: uma descrição bibliográfica e bibliófila.


Os romances de José Lins do Rego são agrupados em três temáticas diferentes: 

Ciclo da cana-de-açúcar:
José Lins escreveu cinco livros a que nomeou "Ciclo da cana-de-açúcar", numa referência ao papel que nele ocupa a decadência do engenho açucareiro nordestino, visto de modo cada vez menos nostálgico e mais realista pelo autor: Menino de Engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935), e Usina (1936). Aos quais acrescentaria Fogo morto (1943).

Ciclo do misticismo e do cangaço reúne duas obras: Pedra Bonita (1938) e Cangaceiros (1953).

Não se enquadrando em qualquer destas temáticas temos: Pureza (1937); Riacho doce (1939) e Eurídice (1947).

Otto Maria Carpeaux fez uma súmula de sua obra: “A obra de José Lins do Rego é profundamente triste. É uma epopéia da tristeza, da tristeza da sua terra e da sua gente, da tristeza do Brasil (...) Há na sua obra a consciência de que tudo está condenado a adoecer, a morrer, a apodrecer. Há a certeza da decadência dos seus engenhos e dos seus avós, de toda essa gente que produziu, como último produto, o homem engraçado e triste que lhe erigiu o monumento. É grande literatura.”
Na obra de José Lins do Rego, a parte mais importante é a que corresponde ao chamado ciclo da cana-de-açúcar. Partindo de experiências autobiográficas – a vida no engenho do avô – o escritor encontra na memória o fundamento de seus romances, nos quais fixa melancolicamente a decadência do engenho-de-açúcar, substituído como modo de produção pela fábrica. Participante, ou pelo menos observador, deste processo, José Lins do Rego esforça-se para registrar a verdadeira revolução social desencadeada pela nova tecnologia de produção açucareira que, em pouco tempo, levou um grande número de senhores de engenho a mais completa bancarrota económica.
Pesou também sobre Lins do Rego, a influência de Gilberto Freyre, cujo “Manifesto regionalista”, de 1926, propugnava por uma arte voltada para as questões específicas da sociedade nordestina. No prefácio de Usina, o próprio José Lins do Rego delimitou o ciclo da cana-de-açúcar:
“A história desses livros é bem simples: comecei querendo apenas escrever umas memórias que fossem as de todos os meninos criados nas casas-grandes dos engenhos nordestinos. Seria apenas um pedaço da vida o que eu queria contar. Sucede, porém, que um romancista é muitas vezes o instrumento apenas de forças que se acham escondidas no seu interior.”









Exemplar muito estimado ( em excelente estado de conservação), miolo limpo como novo, alguns cadernos ainda por cortar


Preço 15€  

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domingo, 16 de dezembro de 2012

Memórias do Cárcere - Graciliano Ramos - 1974 Círculo de Leitores

Memórias do Cárcere

Graciliano Ramos

1974

Lisboa
Círculo de Leitores
512p


Trecho da obra

“O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, que futuro nos reservariam? Provavelmente não havia lugar para nós, éramos fantasmas, rolaríamos de cárcere em cárcere, findaríamos num campo de concentração. Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova. Se nos largassem, vagaríamos tristes, inofensivos e desocupados, farrapos vivos, fantasmas prematuros; desejaríamos enlouquecer, recolhermo-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo. Essas idéias, repetidas, vexavam-me; tanto me embrenhara nelas que me sentia inteiramente perdido.”




Filme Memórias do Cárcere: http://www.youtube.com/watch?v=zA7RJsNhSN8

Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos

citado de http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/m/memorias_do_carcere

Graciliano Ramos foi preso em março de 1936, acusado de ligação com o Partido Comunista. Prisão sem processo, mas que não evitou a deportação do acusado, num porão de navio, para o Rio, onde permaneceu encarcerado. Foi demitido do cargo de Diretor da Instrução Pública e levado a diversos presídios, até Janeiro de 1937, quando foi libertado. Dessa experiência resultou a obra Memórias do Cárcere, publicada postumamente em 1953. A obra não é o relato puro e simples do sofrimento e humilhações do homem Graciliano Ramos; é a análise da prepotência que marcou a ditadura Vargas e que, em última análise, marca qualquer ditadura. É um dos depoimentos mais tensos da literatura brasileira.

Escrito em quatro volumes (sem o capítulo final, pois Graciliano faleceu antes de concluí-lo), Memórias do Cárcere narra acontecimentos da vida de Graciliano Ramos e de outras pessoas que estiveram presas durante o Estado Novo. A narrativa é amarga, mas sem exageros ou invenções, nessa obra Graciliano Ramos é fiel aos acontecimentos. Se há amarguras e sordidez, é porque as situações vividas foram sórdidas e amarguradas. 

A narrativa de Graciliano Ramos, pela exposição de motivos contida no capítulo de abertura da obra, dá ao texto uma autenticidade autobiográfica, sobretudo se a ela somarmos a “explicação final” de Ricardo Ramos, na qual ficam esclarecidas as dificuldades que impediram o autor de dar definitivamente o texto por concluído. Essa narrativa, característica do relato autobiográfico, oferece a típica junção autor-narrador-personagem, sendo possível percebê-la como resultado da experiência vivida, o que aproxima Graciliano Ramos da noção de narrador clássico. 

A autoridade do narrador clássico é referendada pela perspectiva da morte, conforme se percebe já no início do texto: “... estou a descer para a cova...”. A morte, para o filósofo alemão, confere autoridade, pois é nesse momento que o saber humano assume uma força maior, tornando imperativa a sua transmissão. O narrador clássico sabe dar conselhos. Narra porque tem experiência de vida, e é essa experiência que lhe dá sabedoria. A obra do escritor alagoano, ao fazer uso da forma autobiográfica, ao falar de si mesmo, intencionalmente mistura a sua voz a outras, até então silenciadas, contrariando assim a perspectiva natural desse tipo de relato. 


Memórias do Cárcere é o testemunho da realidade nua e crua de quem, sem saber por quê, viveu em porões imundos, sofreu com torturas e privações provocadas por um regime ditatorial chamado de Estado Novo. 


Na obra Graciliano Ramos não diz diretamente que se sente injustiçado, embora o tenha sido e isso se explicita no próprio texto. Não fica insistindo que não deveria estar naquelas situações, isso faz com que a indignação do leitor não fique restrita às suas histórias particulares, mas se direcione a situações vivenciadas por muitas pessoas. O que o autor retrata, e é o que mais interessa em Memórias do Cárcere, é um olhar de quem foi preso, algo que é muito mais abrangente do que se fixar no olhar do narrador.

O discurso, regido pela égide da opressão, é caracterizado pelo desdobramento: pois é psicológico, e, ao mesmo tempo, um documentário; é particular, mas universaliza-se. 


Livro de capa cartonada, protegida com sobrecapa em película plástica. Miolo em muito bom estado. 

Preço: 15€ + portes

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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O rei da terra - Dalton Trevisan - 3ª edição revista - 1979

O rei da terra
Dalton Trevisan
1979
3ª Edição Brasileira revista
Editora Record
A 1ª edição é de 1972
(Não foi editado em Portugal)



Prémio Pessoa 2012

Recensão crítica

O 'O rei da terra' é uma fábula do amor insatisfeito, cruel, frustrado. Ler estas narrações que Dalton Trevisan expõe em seu estado de chaga é inquietar-se. Ao acentuar a precariedade de suas criaturas, cria um universo quase mitológico, varrido pela tragicomédia. E não faltam, nesta coleção de alegrias e dores sórdidas, outros mitos - a mulher castradora de maridos, a noiva esfaqueada no banquete de núpcias, o moço loiro. Trevisan deixa  em todos os dentes do vampiro.


Raridade


Livro novo... Nunca foi usado



Preço: 30€ (portes incluídos)

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Em busca de Curitiba perdida Dalton Trevisan 1992 1º edição brasileira Record

Em busca de Curitiba perdida
Dalton Trevisan
1992
1º edição brasileira Record
(não foi editado em portugal)
Ilustrado
Capa, Encarte, e ilustrações de Poty


Prémio Pessoa 2012

Recensão crítica :


Em Busca de Curitiba Perdida é uma coletânea com 23 textos de Dalton Trevisan, que dão uma noção geral da obra deste autor que parece não aceitar a modernização da cidade. No conto Lamentações da Rua Ubaldino, ele recorda o passado da rua onde reside - "No Princípio Era o silêncio na Rua Ubaldino" - mas o barulho da atual "metrópole" incomoda o escritor - "o amplificador dos agudos desafinados de Gog e Magog" - que amaldiçoa o tempo presente: "mais fácil passar um camelo pelo fundo duma agulha/ do que entrar um guitarrista cenobita no reino de Deus." 

Em Curitiba Revisitada, Dalton pergunta: "uma das três melhores do mundo em qualidade de vida/ depois ou antes de Roma?", e segue cutucando a capital ecológica - "cinqüenta metros quadrados de verde por pessoa/ de que te servem/ se uma em duas vale por três chatos?" - até definir Curitiba: "falso produto de marketing político.

" Outro detalhe importante na obra do "Vampiro de Curitiba" é a utilização de personagens que vivem à margem da sociedade de consumo, sem perspectivas de ascensão social, praticamente presos a necessidades imediatas. "Ao utilizar sempre os mesmos João e Maria, o autor está fazendo uma crítica e ironizando a visão oficial da cidade, que não dá chance aos menos favorecidos". 

No conto Canção do Exílio, o autor-narrador diz que apesar de ter vivido, não quer morrer em Curitiba. Ora, se alguém xinga tanto uma cidade, por que não vai viver em outro lugar? Dalton Trevisan, mesmo criticando, faz uma declaração de amor à cidade, às avessas. Considerado o maior contista da língua portuguesa de todos os tempos, 

Trevisan criou um estilo único de escrever, caracterizado por usar uma linguagem enxuta, que com poucas palavras consegue comunicar aquilo que deseja. Para ter uma idéia, basta ler um trecho de A Faca no Coração, quando ele define: "O amor é uma faca no coração. Cada dia se enterra mais fundo, que não deixe de sangrar."

Livro como novo. Em muito bom estado





 Preço: 50€ (portes incluídos)

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Contos eróticos - Dalton Trevisan - 2ª edição - 1986

Contos eróticos
Dalton Trevisan

1986
2ª edição revista
Editora Record
1ª Edição Brasileira é de 1984
(nunca editado em Portugal)
Ilustrado



Prémio Pessoa 2012

Recensão crítica:

Este livro contém 16 contos extraídos de outras obras do autor. A obra é repleta de metáforas e referências ao Cântico dos Cânticos, livro bíblico escrito por Salomão. Outra coisa que chama atenção nos contos são as expressões e personagens que se repetem, você verá muitas vezes coisas do tipo "Boquinha de 10 anos", "Broinha de fubá mimoso", "dente de ouro", "arara bêbada" entre outros. E ainda verá que há personagens que protagonizam várias histórias, como por exemplo João, Maria, Pedro, O Doutor e Dinorá.

Nos contos ele usa uma linguagem que varia entre rebuscada e regional, com palavras chulas e por que não dizer engraçadas. Creio que muitos se decepcionem com o livro por ele não alcançar o objetivo dos leitores que o buscam, porém o livro tem um grande valor literário.

Contos como "A Noite da Paixão" (meu favorito), "Esse Mundo Engraçado" ou "Meu Querido Assassino", prendem o leitor pelos diálogos, que de longe são as melhores partes dos contos.

Os contos do livro podem ser lidos de forma individual, porém o leitor notará que os contos, escolhidos pelo próprio autor para esse volume, têm uma pequena ligação entre si. Extraídos de obras como "O Vampiro de Curitiba", "Novelas Nada Exemplares" ou "Chorinho Brejeiro", o que confirma o fato que ele repete os personagens não apenas nos contos de um livro, mas em todos os seus livros de contos.


 Preço: 30€ (portes incluídos)

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Pão e Sangue - Dalton Trevisan- 2ª edição - 1996

Pãe e Sangue

Dalton Trevisan

1996
2ª edição revista
Editora Record
1ª Edição brasileira é de 1988
(nunca editado em Portugal)

Profusamente Ilustrado 
Capa e ilustrações do miolo de http://pt.wikipedia.org/wiki/Poty_Lazzarotto
Prémio Pessoa 2012
A obra:

Um Dalton Trevisan mais sanguinolento, mais tenso e imprevisível! É a eterna história dos conflitos conjugais e familiares revisitados sempre com um olhar a cada vez mais impiedoso e estranhamente sedutor!


Raridade

Livro como novo... Nunca foi usado


Preço: 30€ (portes incluídos)

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Pico na veia - Dalton Trevisan- 1ª edição - 2002

Pico na veia
Dalton Trevisan


2004

1ª Edição Brasileira

(não editado em Portugal)

Editora Record

Montagem da capa de Ricardo



Prémio Pessoa 2012

Extrato de recensão muito crítica de Almir de Freitas:


Em Pico na Veia, Dalton Trevisan exibe o lado mais simplório da fragmentação que tem caracterizado a ficção brasileira

Era uma vez João e Maria, personagens assíduos de um escritor de Curitiba que não gostava de dar as caras nem sair por aí dando declarações. A história é conhecida, ou melhor, são conhecidas na história do conto brasileiro contemporâneo as pequenas e sintéticas narrativas de Dalton Trevisan, quase sempre focadas em gente simples, de vidas atribuladas por coisas miúdas. Se não tinham nada de fulgurante – como de fato não tinham –, possuíam lá sua originalidade e ajudavam, com a sua simplicidade, a compor um retrato da diversidade literária do país. Entretanto, de algum tempopara cá e por razões ainda não devidamente estudadas, parece que algo desandou com o conto e as novelas derivadas de narrativas curtas, produzindo uma galeria de obras divididas entre uma certa tradição temática e algumas tentativas de inovação formal. Pico na Veia, novo livro do escritor curitibano, é mais do que sintomático desse fenômeno: é o limite do suportável de uma prosa que se mostra cada vez mais fragmentada, que se concede o aval de ser passada para o papel sem maiores labores do ofício de escrever.

A rigor, Pico na Veia não chega a ser um livro de contos. É, antes, um amontoado de micronarrativas, frases soltas, ruídos de diálogos, pedaços de silêncios com supostos subentendidos – tudo criando lacunas num mundo de lacunas, conhecidas da já vasta obra do escritor. É nela, espalhada um pouco em cada volume, que está a gente pobre, triste e doente como a de Mistérios de Curitiba(1968); os relacionamentos difíceis de A Guerra Conjugal (1969); as perversões sexuais e o bizarro cotidiano de Morte na Praça (1964) ou Pão e Sangue (1988). E aqui e acolá, as referências à cidade enganosa em que o escritor, “vampiro”, se esconde.

Raridade
livro em muito bom estado


Texto de Público 14/12/2012


Quando em Maio o escritor brasileiro Dalton Trevisan foi distinguido com o Prémio Camões, o maior prémio literário de língua portuguesa, o júri não tinha como o contactar por este viver praticamente enclausurado longe de qualquer atenção mediática. Não foi por isso de estranhar que esta quarta-feira Trevisan não tenha aparecido na cerimónia de entrega do prémio. No seu lugar foi a editora.
Não gosta de dar entrevistas nem de ser fotografado e não é visto habitualmente nas ruas. É assim que Dalton Trevisan é conhecido e já por isso em Maio a questão de o escritor aparecer ou não nesta cerimónia tinha sido levantada. O júri explicou na altura ser alheio a isso e que o escritor era premiado pelo seu mérito e não em função de poder ou não aparecer para receber o prémio.
No seu lugar foi Sonia Jardim, vice-presidente da editora Record, que há mais de 30 anos edita a suas obras, e leu uma pequena mensagem de Trevisan. “Os muitos anos, ai de mim, já me impedem de receber pessoalmente o prémio”, escreveu o escritor, actualmente com 87 anos, referindo-se ao Prémio Camões, que tem o valor de cem mil euros, como “o prémio dos prémios”. “Nunca jamais pensei merecer tamanha distinção. A consciência das minhas limitações como escritor proibiu-me sonhos mais altos. E agora, sem aviso, o prémio Camões”, continua na sua mensagem.
À Agência Brasil, a editora disse que o autor de O Vampiro de Curitiba (que passou a ser a sua alcunha) continua “activo” e está já a preparar um novo livro que deverá ser lançado em 2013.
Dalton Trevisan, que nasceu em 1925 em Curitiba, é licenciado em direito e foi depois de ter sido jornalista na área do crime e crítico de cinema que se dedicou à literatura. Começou a publicar em 1945, apesar de mais tarde ter renegado os seus dois livros de juventude: Sonata sempre ao Luar e Sete anos de Pastor. Entre 1946 e 1948, editou a revista Joaquim, "uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil", por onde passaram os maiores nomes da cultura brasileira.
Em 1959, lançou Novelas Nada Exemplares e recebeu o Prémio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Cemitério de Elefantes (Prémio Jabuti e Prémio Fernando Chinaglia, da União Brasileira dos Escritores) foi uma das primeiras obras do escritor editadas em Portugal, pela Relógio d’Água, em 1984. Destaca-se também Noites de Amor em Granada e Morte na Praça (Prémio Luís Cláudio de Sousa, do PEN Club do Brasil). Guerra Conjugal foi transformado em filme em 1975. Só publicou até agora um romance: A Polaquinha. Em 1996, recebeu o Prémio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto da sua obra. E em 2003 dividiu com Bernardo Carvalho o Prémio Portugal Telecom de Literatura com o livro Pico na Veia. Recentemente no Brasil publicou O Anão e a Ninfeta, obra vencedora do Prémio Portugal Telecom deste ano na categoria de conto e de crónica.
Na altura em que o Prémio Camões foi anunciado, o júri justificou a escolha escrevendo que Trevisan “significa uma opção radical pela literatura enquanto arte da palavra”. “Tanto nas suas incessantes experimentações com a língua portuguesa, muitas vezes em oposição a ela mesma, quanto na sua dedicação ao fazer literário sem concessões às distracções da vida pessoal e social”, lia-se então na acta. O presidente do júri, o escritor brasileiro Silviano Santiago, evocou os contos de Machado de Assis e Edgar Allan Poe como antecedentes de Trevisan no século XIX. "Ele vem dessa direcção e encontra, no século XXI, o argentino Borges. Pega essa tradição e dentro dela é capaz de trabalhar de maneira original." Chega a "quase um poema em prosa", exprimindo o quotidiano. Um conto transformado em haiku.

O Prémio Camões, instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989, é o maior prémio de prestígio da língua portuguesa, no valor de cem mil euros. Com a sua atribuição é prestada anualmente uma homenagem à literatura em português, recaindo a escolha num escritor cuja obra contribua para a projecção e reconhecimento da língua portuguesa.




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2 3 4 - Dalton Trevisan - 1ª edição revista - 1997

2 3 4
Dalton Trevisan 
1997 
1ª Edição Brasileira 
(Não editado em Portugal) 
Editora Record 
Ilustrações in-folio e desenho da capa de George Grosz




Prémio Pessoa 2012
Recensão:

Mais uma vez, o contista maior do Brasil (nenhum outro escritor brasileiro, ao longo de nossa história, se dedicou ao conto com tamanha fidelidade) mostra que continua em plena forma, esbanjando graça e encanto em histórias que não perdoam as misérias humanas. Trevisan, já com uma obra feita e um nome respeitado no exterior, continua não tendo medo de experimentar novas linguagem narrativas, dentro, é claro, das fronteiras de seu universo ficcional.


234 , mosaico composto por narrativas que vão do haicai ao miniconto, investe de forma explícita no acto da leitura. Saboroso elogio da leveza, ele responde à necessidade moderna, proposta por Italo Calvino, de concentração de poesia e do pensamento.


Raridade
Livro como novo... Nunca foi usado


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Arara bêbada - Dalton Trevisan - 1ª edição - 2004

Arara Bêbada

Dalton Trevisan

2004

1ª Edição Brasileira

(Não editado em Portugal)

Editora Record

Ilustrações da capa. George Grosz


Prémio Pessoa 2012

Recensão:

Em 'Arara Bêbada', Dalton Trevisan volta ao género que o consagrou - os minicontos. O livro traz uma coletânea de textos inéditos do 'Vampiro de Curitiba'. Ao todo o livro reúne sessenta e oito pequenas histórias construídas com ironia cortante e humor cáustico abordando as várias facetas da condição humana.

São textos enxutos que retratam a realidade do Brasil de hoje, onde a miséria, o desemprego e o desespero diante da falta de perspectivas se misturam com a esperança por um futuro melhor e a alegria de amar.


Raridade

Livro como novo... Nunca foi usado


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Ah, é? - Dalton Trevisan- 1ª edição - 1994


Ah, é?

Dalton Trevisan

1994

1ª Edição Brasileira

(não editado em Portugal)

Editora Record

Profusamente ilustrado. Capa e ilustrações de Poty http://pt.wikipedia.org/wiki/Poty_Lazzarotto

Prémio Pessoa 2012

Referência à obra:
Ah, É?
(ministórias)

01
Domingo inteiro em pijama, coça o umbigo. Diverte-se com os pequenos anúncios. Em sossego na poltrona, entende as borbulhas do gelo no copo de bebida. Uma velhice tranqüila, regando suas malvas à janela, em manga de camisa. Única dúvida: ganhará o concurso de palavras cruzadas?
02
Rataplã é o gato siamês. Olho todo azul. Magro de tão libidinoso. Pior que um piá de mão no bolso. Vive no colo, se esfrega e ronrona.

— Você não acredita. Se eu ralho, sai lágrima azul daquele olho.

Hora de sua volta do colégio, ele trepa na cadeira e salta na janela. Ali à espera, batendo o rabinho na vidraça.

Doente incurável. O veterinário propõe sacrificá-lo. A moça deita-o no colo. Ela mesma enfia a agulha na patinha. E ficam se olhando até o último suspiro nos seus braços. Nem quando o pai se foi ela sentiu tanto.
03
Ao tirar a calcinha, ele rasga. Puxa com força e rasga. Vai por cima. Ó mãezinha, e agora? Com falta de ar, afogueada, lavada de suor. Reza que fique por isso mesmo.

Chorando, suando, tremendo, o coração tosse no joelho. Ele a beija da cabeça ao pé — mil asas de borboleta à flor da pele. O medo já não é tanto. Ainda bem só aquilo. Perdido nas voltas de sua coxa, beija o umbiguinho.

Deita-se sobre ela — e entra nela. Que dá um berro de agonia: o cigarro aceso na palma da mão. Mas você pára? Nem ele.
04
Só de vê-la — ó doçura do quindim se derretendo sem morder — o arrepio lancinante no céu da boca.

"Ministórias" extraídas do livro "Ah, é?", Editora Record - Rio de Janeiro, 1994, pág.13 e seguintes.

Raridade
Livro em muito bom estado


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