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domingo, 7 de julho de 2013

Idéologies des indépendences africaines. Yves Bénot. Éditions François Maspéro. 1969

Idéologies des indépendences africaines.
Yves Bénot.
Éditions François Maspéro
1969
Cahiers libres 139-140
428p


livro 253 de uma tiragem de 3300



Sobre Yves Benot * Em frances...

Yves Benot, pseudonyme de Édouard Helman, né à la Ferté-sous-Jouarre le 23 décembre 1920 et mort à Paris le 3 janvier 2005, est un historien français du colonialisme, unjournaliste et un militant anticolonialiste.
Son père, médecin né en Roumanie, exerçait à La Ferté-sous-Jouarre où il se distingua pendant la bataille de la Marne en 1914. Arrêtés et déportés en 1943, lui et son épouse furent gazés à leur arrivée en camp d'extermination. Interrompant des études de lettres, Yves Benot rejoint pour sa part la France libre par l'Espagne. Après la fin de la guerre, il reprend une activité littéraire (préparation d'un volume de textes d'Antonin Artaud) et politique (Revue du Moyen-Orient). Il commence aussi une carrière de professeur de lettres, d'abord auMaroc où il exerce une activité journalistique.

Revenu en France, il travaille dans des publications liées au Parti communiste français. En 1958, il rejoint la Guinée nouvellement indépendante pour enseigner au lycée de garçons de Conakry. En 1962, après le procès des enseignants, il rejoint le Ghana deNkrumah où reste jusqu'à la chute de celui-ci.

Très inspiré par les Lumières du xviiie siècle, il démontre leur avance sur leur temps malgré leurs ambiguïtés. Il estime que, plutôt que de s'indigner, rétrospectivement, des insuffisances de la lutte contre l'esclavage, il convient surtout de réintégrer la colonisation dans l'Histoire et d'en comprendre les mécanismes.

Il est inhumé le 8 janvier 2005 au cimetière du Père-Lachaise (36e division)



Livro da famosa serie Cahiers Libres de Francois Maspero



Os livros das Editions Francois Maspero marcaram as gerações juvenis dos anos 60/70 (Les Génerations de Rêve et de poudre).

Nos últimos tempos do marcelismo ter um pequeno livro com um design extraordinário e autores e títulos inacessíveis em Portugal era uma experiência marcante.


Pôr uma capa nos livros era vulgar no meio estudantil da época e permitia a sua leitura em sítios públicos, no caso nas tardes longas de Verão nos cafés, locais de frequência regular dos estudantes.

François Maspero e a sua livraria no Quartier Latin era um local de peregrinação da esquerda europeia: 


"Entre 1956 e 1975, uma livraria fazia parte do circuito de um certo Portugal político em Paris. A "Joie de Lire", na rue St. Severin, junto à place St. Michel, propriedade do editor François Maspero, era um ponto de encontro de muitos, que por aqui viviam, com outros que, como eu, por aqui passavam, a partir da segunda metade dos anos 60. Para aquela espécie de turistas políticos que alguns de nós então éramos, a Maspero (ninguém dizia a "Joie de Lire") era uma "meca" da livralhada inacessível em Portugal, à qual se juntavam panfletos e publicações dos partidos portugueses na clandestinidade, que despertavam a nossa imensa curiosidade.

François Maspero tinha como orientação não entregar à polícia - à "polícia da burguesia" - quem fosse apanhado a roubar livros, o que criou, em muita gente, uma espécie de impunidade que, ao que se dizia, terá acabado por levar a livraria à ruína económica. Fui testemunha presencial de uma frutuosa e furtuosa "romagem" à Maspero de um amigo português, ao tempo estudante em Paris, convenientemente dotado de um avantajado capote alentejano, que dava espaço para um eficaz "arquivar" de volumes. Ainda o estou a ouvir: "Ora cá está ele! Faltava-me o volume 8 das obras do Bataille!". E lá desapareceu o avantajado volume da Gallimard no bojo do capo" 

Citado de Francisco Seixas da Costa 
https://duas-ou-tres.blogspot.com/




1 Place Paul Painlevé, París - Sede das Éditions François Maspero ( hoje Editions IVREA)

citado de duas ou três coisas.blogspot.com

Sobre o editor e escritor trotskista francês oriundo duma família de partisans e cujo pai morreu em Buchenvald:  http://www.youtube.com/watch?v=eNY-l7FuSnA&feature=colike 





François Maspero interviewé par Chris Marker.

François Maspero est ouvert à tout, il est de tous les combats militants sur les plans politique, social et culturel. Cela explique les multiples collections qui composent l’inventaire de son catalogue. Mentionnons (sans prétendre à l’exhaustivité !) la série « Histoire classique », où il publie notamment l’helléniste et ancien grand Résistant Jean-Pierre Vernant ; « Histoire contemporaine » où l’on trouve les fameuses études de Daniel Guérin sur le fascisme, mais aussi l’historien communiste orthodoxe Albert Soboul ; « Voix », qui donne la parole à Nazîm Hikmet et à des écrivains de tous pays ; « Bibliothèque socialiste » qui offre un éventail de classiques du marxisme : Boukharine, Rosa Luxemburg, Samuel Bernstein, etc. Dès 1967, la Petite collection Maspero, sur le modèle de ce que faisait Suhrkamp en Allemagne, propose plus de 270 titres en format de poche bon marché : on y trouve Aden Arabiede Paul Nizan (Maspero est à l’origine de sa redécouverte), Giap, Hô Chi Minh, le Che, Trosky, Ernest Mandel, mais aussi le pédagogue Célestin Freinet, la communarde Louise Michel, et bien d’autres. Remarquons que les éditions Maspero se sont intéressées à des domaines d’étude nouveaux, comme la situation des travailleurs étrangers en France, les bidonvilles, ou encore l’approche critique de la médecine. ( http://www.gauchebdo.ch/?Francois-Maspero-un-editeur-engage)



Livro , brochado, capa plastificada, com algumas manchas de humidade no miolo. Assinatura de posse e oferta na folha de rosto

Preço: 75€ + portes


Pedidos a 2mitodesisifo@gmail.com ou em www.leiloes.net

3,40€ em correio registado nacional continental ou 1,20€ em correio normal nacional continental


sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Hóspede de Job. José Cardoso Pires. Arcádia. 2ª edição 1964

O Hóspede de Job
José Cardoso Pires
 Arcádia
2ª edição
1964
254p.






( 1ª edição de 1963)
Prémio Camilo Castelo Branco

Outubro é o mês que se assinala a data do nascimento assim como da morte de José Cardoso Pires. Nasceu na aldeia de São João de Peso, conselho de Vila de Rei a 2 de Outubro de 1925 e foi em Lisboa, a 26 de Outubro de 1998, que viria a falecer.
Ao longo da sua carreira publicou vários livros e conquistou vários galardões literários. Com “O Hospede de Job” venceu o Prémio Camilo Castelo Branco, obra dedicada ao seu irmão que perdeu a vida quando cumpria o serviço militar obrigatório.
“Na véspera, as mulheres tinham marchado sobre a Vila e, todas em coro, apresentaram-se na Câmara. Pediam pão para casa, trabalho para os maridos.”
Editado pela primeira vez em 1963 mas escrito em 1953, O Hóspede de Job é um livro que descreve muito bem o Portugal de então. Dessa forma descobrimos um país onde o desemprego abundava e a fome era uma constante; onde as pessoas, pela força da necessidade, faziam muitos quilómetros a pé na esperança de arranjar emprego; onde já existiam algumas máquinas agrícolas, mas onde essas mesmas máquinas preocupavam os trabalhadores pois pensavam que ainda iriam agravar mais a falta de trabalho; nessa altura os guardas andavam pelas aldeias a cavalo e prendiam muitas pessoas por aspetos políticos e os jovens eram obrigados a cumprir o serviço militar.
“Na grande maioria são homens-operários, homens-camponeses, cobertos com uma farda que cobriu antes deles outros operários, outros camponeses, ou pescadores”
O filho de Aníbal é um desses homens. No quartel onde está fazem-se testes militares comandados pelo hóspede de job, Gallager, um americano a mandar nas nossas tropas. João Portela, que esfomeado andava naquela zona há procura de emprego fica sem uma perna por causa dos testes militares, ele simboliza todos aqueles que ficaram sacrificados pela tirania de uma ditadura. Tio Aníbal é o típico português que se preocupa com a vida dos outros. Floripes, uma jovem, está pressa numa cela por cima de uma Igreja, sitio onde já poucas pessoas rezam.
“Tu não pertences aos presos comuns…”
Este livro reaviva o passado para que essas memórias não sejam esquecidas, mas existe uma pergunto inevitável: Como é que a PIDE autorizou a publicação da obra?


Despacho da PIDE sobre O Hóspede de Job



Exemplar com miolo e capa em estado excelente. Encadernação editorial. Miolo amarelecido do tempo 



Preço 35€  

com portes registados incluídos para Portugal Continental e ilhas

+ 8€ para correio registado internacional normal
UPS ou correio rápido a orçamentar

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sábado, 6 de outubro de 2012

5 anos de ataque a Portugal, 2º ediçao 1968 ( 1º ed. é de 1967)


5 anos de ataque a Portugal
Brado de armas de um soldado de África
2ª edição
1968
Ernesto Moreira dos Santos
Capa do Prof. Valentim Francisco Malheiro
Guimarães Editora


Legenda da capa: "... Portugal no caminho da fé e da luz - sempre olhado por sombras negras e olhos cubiçosos de gente de má fé, simbolizados numas aves de rapina..."

1968

Estado razoável, algumas marcas de uso

Obra apologética do nacionalismo colonial e defesa da politica ultramarina do Estado Novo e da Guerra Colonial, contra a condenação internacional da politica ultramarina pela comunidade internacional.

Livro de exaltação nacionalista das "virtudes" do soldado português e de exaltação da sua participação no esforço de guerra.

Obra rara e panfletária apadrinhada pelo regime e divulgada profusamente no país, ao ponto de sairem 2 edições no espaço de poucos meses.

O presente volume está valorizado pela inscrição na capa a marcador vermelho "Merda" e carimbo do proprietário coevo a Biblioteca da AEIST - Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico. Este volume terá sido "subtraído" à biblioteca, a par de outras obras do mesmo teor nacional-fascista, aquando da eleição de uma direcção democrática da Associação de estudantes em Julho de 1974.

Apresenta ainda assinatura do actual proprietário e data de posse




Preço: 25€ + portes

Pedidos a 2mitodesisifo@gmail.com ou em www.leiloes.net

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Famintos - Luís Romano 1ª edição portuguesa 1975


Famintos
Romance do povo caboverdiano sobre o domínio colonialista
1ª edição
Editora Nova Aurora
Coleção Literatura Nova nº 2


Luís Romano de Madeira Melo (Santo Antão, Cabo Verde, 10 de junho de 1922 - Brasil, 22 Janeiro 2010) foi um poeta, novelista e folclorista cabo-verdiano, com trabalhos em português e em crioulo cabo-verdiano da ilha de Santo Antão, idioma que preferia designar por "língua cabo-verdiana".

No final dos anos 50 do século XX, Luís Romano aderiu aos ideais da independência, tendo chegado a desempenhar cargos de direção no PAIGC, sendo perseguido pela PIDE.

Fugiu para Argel e Paris e exilou-se, depois, no Brasil, onde viveu desde 1962.

Sobre Luis Romano ver:


Estado razoável, algumas marcas de uso.

Obra escrita nos anos 40, transportado clandestinamente para África, publicado pela primeira vez no Brasil em 1962 e interditado pela censura.

Existe uma edição em inglês publicada nos EUA pelo PAIGC. Editada ainda en italiano, francês e russo (editada pela União dos escritores soviéticos).

A edição portuguesa é das Publicações Nova Aurora (Editora ligada ao MRPP)


ainda sobre Rui Romano um post significativo

José Lopes


Comentário:


Luiz Silva, Mnin de Mont , ‘est un homme de gauche’ na concepção francesa republicana da palavra. É um grande patriota caboverdeano, um mindelense de gema, verdadeiro combatente da liberdade, na sua acepção total, em francês ‘liberté tout court’. Estas palavras resumem a postura da pessoa que se fundiu nas lutas no Mindelo contra as prepotências do regime fascista- salazarista e no fervilhar intelectual e estudantil do Liceu Gil Eanes, sob a batuta de um dos maior caboverdeano de todos os tempos o Mestre Baltazar Lopes

Tal como Luiz Romano, ele abraçou a causa da independência e como emigrante em França ajudou a recrutar elementos para a luta do PAIGC. Aquilo que destaca Luiz Silva do resto dos seus contemporâneos, é que foi e continua sendo um homem de causas. Passados poucos anos da independência, nos anos 80, já tínhamos de novo o Luiz, numa altura em quase todo o establishment caboverdeano se empolgava com os méritos e as particularidades caboverdeanas da democracia revolucionária ou participativa’ do PAICV, ou se calava, ou se mergulhava de novo na Pasárgada para, de resto nunca mais daí sair, ele não contente com a situação. 

Denunciava com o Alfredo Margarido, no jornal da oposição Terra Nova, o anacronismo do regime instalado criticando duramente a política da emigração ( os emigrantes eram então considerados pelo regime como estrangeirados ou potenciais subversivos). Temos hoje de novo Luís lutando para o reconhecimento do papel da emigração em Cabo Verde e de várias outras causas justas no Mindelo: o clube de golfo do Mindelo, o movimento em defesa da memória e da casa do Dr. Adriano Silva e do Património mindelense, o movimento para a preservação do Éden Park e outras futuras causas. Luiz Silva tal um grande professor, vem-nos fazer conhecer o percurso de Luiz Romano, o autor do famoso livro Famintos, obra de denuncia do abandono que o regime colonial de Salazar votou a Cabo Verde. A pergunta que o Luiz frequentemente faz e que aqui reitero é a seguinte: como é que possível que passados 35 anos da independência de Cabo Verde, este país ainda não tenha um política coerente da emigração/imigração? O país dá-se ao luxo de não aproveitar os potenciais recursos humanos e financeiros da emigração, contrariamente ao que muitos países fazem. Como é possível que até hoje Mindelo não tenha aproveitado pessoas como o Luís Silva e Luiz Romano, homens com muita vivência e experiência humana, que tanto poderiam ajudar a ilha e o país? Luiz não quero te desanimar, mas tu bem conheces verdades de ‘La Pallisse’: santos de casa não fazem milagres; as políticas de emigração em Cabo verde nasceram tortas, pelo que se calhar tarde ou nunca se endireitarão.

Ver também o Livro Chiquinho de Mestre Baltazar Lopes emhttp://alfarrabistamitodesisifo.blogspot.pt/search?q=baltazar+lopes


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