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domingo, 1 de junho de 2014

STUART / COMPIL. E ORGAN. NELSON DE BARROS ; PREF. JOSÉ JÚLIO MARQUES LEITÃO BARROS, 1962 1ª edição

STUART
1914-1966
COMPILAÇÃO  E ORGANIZAÇÃO NELSON DE BARROS
PREFÁCIO. JOSÉ JÚLIO MARQUES LEITÃO BARROS

Lisboa : Tempo, [D.L. 1962]
64p
Ilustrada
35x25 cm








Stuart Carvalhais o Desenhador de Bonecos Por: Osvaldo Macedo de Sousa

(Artigo publicado na Rev. Historia nº 29 Março 1981)
Vinte anos de esquecimento se passaram sobre a morte de Stuart Carvalhais e já poucos são os que se lembram dele. José Herculano Stuart Torrie de Almeida Carvalhais foi um humorista transmontano que viveu Lisboa. O Stuart - como era conhecido - nasceu em Vila Real de Trás-os-Montes, a 7 de Março de 1887. Seus avós eram proprietários rurais do Alto Douro, e por via materna tinha ascendência numa família da alta nobreza escocesa - os Stuart Torrie. Seu pai, apesar de ter cursado engenharia agronómica, não quis fixar raízes, preferin¬do deambular de terra em terra e de profissão para profissão. Poucos meses após o nascimento de José Herculano, muda-se para Zalamea-la-Real (Espanha), seguindo depois para Alenquer, Montemor-o-Novo, Lisboa ... e com ele deambulará o jovem Stuart.
Em 1901, Stuart encontra-se já em Lisboa, onde frequenta várias escolas, completando assim a sua educação começa da em casa com professores particulares, à qual se tinham seguido dois anos no Liceu de Évo¬ra. Até que nível chegaram os seus estudos é impossível precisar. Por volta de 1905 entra para o estúdio do mestre Jorge Colaço, onde inicia a sua aprendizagem artística como pintor de azulejos, podendo ao mesmo tempo seguir a criação artística de caricaturista e de ilustrador do mestre. Jorge Colaço não só lhe abriu perspectivas estilísticas c conceptuais no campo da caricatura, com também o lançou nos jornais.
A partir de 1906 começam a aparece trabalhos de Stuart no Suplemento Cómico do Século. Será aqui, e nestes primeiro tempos, que ele abrirá novas perspectivas em Portugal na banda desenhada para crianças. Após várias experiências de interesse entre 1909 a 1911, será de 1914 a 1922, depois menos intensivamente mas com mesmo interesse, que, com as histórias ( «Quim e Manecas», «Manecas e João Manuel». «Cocó, Reineta e Facada» e outras histórias, Stuart imporá a história ilustrada para crianças na imprensa diária ou semanal. Stuart não foi só um introdutor, mas um inovador técnico.
A partir de 1911, Portugal vive um intenso movimento artístico - a introdução do modernismo. Stuart está na primeira linha da vanguarda e, como português, Pa era o seu sonho ... Em 1913, de maneira imprevista (como era o próprio Stuart) encontramo-lo perdido entre a massa de artistas de Montmartre.
Foi para Paris como um artista desconhecido, e regressa passado um ano como cartoonista famoso. Em poucos meses, Stuart conseguirá vencer no difícil meio parisien¬e, mas, como a estabilidade, o compromisso e as responsabilidades o incomodavam, acaba por recusar a fama internacional e fugir a um processo judicial por quebra de contrato de exclusividade com um dos maiores jornais humorísticos da época, o  «Ruy Blas», onde chegou a ser um dos principais artistas.
Regressou definitivamente a Lisboa. Mal chegou, e também de um modo imprevisto, casou-se e tem um filho (1914-15). Um casamento desigual e estranho.

Stuart regressou para a mediocridade do seu país. De Paris trouxera a saudade, a frustração, a revolta contra si próprio. Tinha perdido a oportunidade e as condições de «criar» ao seu nível, de ganhar confiança em si mesmo. Tinha recusado a ocasião de ser o pintor que sonhara ser. Em Portugal, a desilusão, a falta de oportunidades, a necessidade de sobrevivência, o vício, o álcool e as mulheres fizeram com que o sonho se tornasse irrealizável e Stuart «não passou de um desenhador de bonecos».
A vida de Stuart nos anos 20, 30, 40 e 50 transforma-se na fuga à família e às responsabilidades, na fuga de si próprio. Foram a frustração, o vício e o excesso de trabalho para os jornais como caricaturista e cartoo¬nista; para livros, revistas e partituras de música, como ilustrador; como cenógrafo e figurinista para o teatro de revista; como decorador para a Feira Popular ... Este trabalho será galardoado com vários prémios internacionais e um do SNl, o que não impediu que a insatisfação fosse o sentimento dominante de Stuart, e que os críticos e historiadores de arte se esquecessem da sua obra. Stuart viria a morrer com um ataque cardíaco no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a 3 de Março de 1961. Faz agora 20 anos.
O que terá tornado Stuart num artista a não esquecer? 

Talvez que, ao se ler o que atrás foi dito, se pense que nada fez e que muito poderia ter feito. Talvez este pensamento esteja cor¬recto, principalmente depois de se conhecerem as suas potencialidades inaproveitadas, o seu génio, do qual ele nos deixou apenas uma sombra.
«Stuart tinha demasiado lá dentro», diz-nos Semke, e esta frase leva-nos a descobrir o mundo interior de Stuart. Tinha imensas potencialidades, frustradas por um espírito sem a mínima confiança em si, e por um mundo artístico para o qual não estava preparado. O meio das artes em Portugal, dominado pela concorrência, pela mesquinhez, pelo mal-estar entre os artistas, era-lhe adverso. Stuart, o mãos-largas, o homem que nunca se zangou com amigos, sempre pronto a ajudar toda a gente, não se sentia bem no meio artístico
A sua vida familiar foi também uma frustração, já que o seu espírito nada tinha em comum com o dos seus pais nem com o da sua mulher. Os amigos eram muitos ao balcão da taberna, mas raros no seu coração. Stuart, para além da falta de confiança, não teve o estímulo nem o apoio de que necessi¬tava. Em breve se foi afundando no álcool, de onde foi impossível tirá-lo.
Como se poderá falar das suas potencialidades escondidas, se aparentemente o que fez foi nulo? Teremos que destrinçar, de entre as milhentas obras de ocasião ou com o simples intuito de ganhar dinheiro, as obras de grande qualidade - e que não são poucas.
Após um período de tendência modernista, em que foi director de jornais de vanguarda humorística como «Sátira» e «ABC a Rir», sofre um certo retrocesso estilistico, para se concentrar na pesquisa de um traço novo, inconfundível no qual vem a «retratar» a Lisboa antiga e o seu povo. Foi neste traço, tão característico, que ficaram grava¬das para sempre as belas pernas das varinas, das costureirinhas, das bonitas raparigas, e também os bêbados, os gatos matreiros, os «cães vadios» e suas prostitutas, os ardinas - enfim, Lisboa. Stuart fixou para sempre a cidade antiga que ia desaparecendo para dar lugar à Lisboa «cosmopolita» dos nossos dias. Ninguém como ele soube conhecer e retratar através do desenho a cidade e o seu povo.
Desperdiçou-se no «boneco» para o jornal diário, gastou-se no humorismo, do dia-a-dia, no desenho de improviso, mas mesmo essa obra deverá ser reconhecida no seu valor de análise psicológica e social. Stuart não foi um pintor de telas - como em parte gostaria ter sido -, nem de encomendas ofi¬ciais. Não foi um pintor ao serviço da burguesia, nem um artista da cor. Ele foi o mestre do preto e branco, o branco da folha de papel, e o preto da tinta da china, do lápis, do carvão, do pau de fósforo, da borra do café, da cinza, da graxa ...
A sua obra merece um outro tratamento não o esqueçamos! '
Será mesmo que faz 20 anos..(Agora são 50 anos) que Stuart Carvalhais «morreu»?

Miolo em Excelente estado. Capa um pouco suja

Preço: 70€ 

com portes registados incluídos para Portugal Continental e ilhas
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Pedidos a 2mitodesisifo@gmail.com ou em www.leiloes.net


Stuart e os seus bonecos. Lisboa: SPECIL. [s.d., 1962] 1º edição

Stuart e os seus bonecos

Lisboa

SPECIL

Edição Armando Pauloro

[s.d., 1962]

1º edição

Prefácio Aquilino Ribeiro

Coleção: Bom humor de algibeira, 8

17 x12 cm

176+2

ilustrado






   "Malempregado Stuart! Num meio sem carácter, com diminutíssima cultura, sem um estratificado social apreciador da beleza artística, não podia encontrar, já não digo galardão, mas incentivo condigno, o seu lápis tão singular, filho de uma genialidade nata. Dir-me-ão que esteve em Paris e não lançou raízes. É certo. Mas por um ou outro jornal, o Rire, o Sourire, aAssiette au beurre, deixou espalhadas algumas centelhas da sua verve maravilhosa. Não perdurou ali, porquê? Não é difícil explicar o  malogro, se malogro é, à face da sua psique, pessoa aparentemente humilde e dotada de uma altivez ibérica indomável, dominada por um certo não-te-rales de temperamento que apenas se prevalece da escudela e da tarimba, possuída de enjoo manifesto pela cortesania: "o tenha a bondade... faz-me um grande favor"... tudo uma forma ralaça de ser lusitano à beira dostruggle-for-life que campeia na Europa para lá dos Pirinéus. Mas o lugar dele era lá, na fileira dos Gavarni, Caran d'Ache, Daumier, Forain, Leal da Câmara. Como eles, superava no poder de observação com aquele seu olhinho azul, meio de felino, meio de dentirrostro, depois na arte de traduzi-la em linhas e dar-lhe uma legenda. Esta era como uma lançada – a estocada do diestro orlada de sangue vivo – num facto, numa anedota, num homem ou grupo de homens, borra-botas ou de alto coturno. A legenda, para esses, era como um relâmpago a iluminar a montanha do Sinai. Era um segredo do ofício; negócio de Hermes e do Espírito Santo; as suas aplicações ao quotidiano, um dos grandes dons de Stuart ."

Aquilino Ribeiro (1885-1963), prefácio ao livro póstumo Stuart e os Seus Bonecos (1962).

Excelente estado. Capa e miolo em excelente estado, embora um pouco suja

Preço: 35€ 

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Mário de Sá-Carneiro. A confissão de Lúcio.1961. 2ª edição ( 1ª de 1914). Edições Ática

Mário de Sá-Carneiro


A confissão de Lúcio


Narrativa


1961


2ª edição ( 1ª de 1914)


Edições Ática


Coleção obras completas de Mário de Sá-Carneiro






A CONFISSÃO DE LÚCIO - Mário de Sá Carneiro (resumo)

Novela escrita em primeira pessoa, consiste em uma análise do mundo sensorial. Ao modo próximo dos simbolistas, o narrador vai captando as relações mais íntimas do âmbito da percepção, levando esse conjunto de sensações a rever o conceito de realidade e aproximá-la do fantástico. Nesta obra o narrador, um sujeito provinciano está a contemplar a beleza e a riqueza do mundo cultural e urbano de Paris. O protagonista ao fechar num enredo absurdo, um tanto quanto sem lógica, deixa-se condenar por um crime que, a rigor, não cometera, mas tudo isso é fruto de um amor pervertido que o leva a ficar próximo da loucura: “Cumprido dez anos de prisão por um crime que não pratiquei e do qual, entanto, nunca me defendi.”
Num primeiro momento a história de desenvolve na Paris de 1895. O narrador, Lucio, nos conta do meio artístico e destaca-se nessa narração a figura de Gervásio Vila Nova: escultor, dono de uma conversa envolvente, embora fosse algo “disperso, quebrado, ardido”. Destaca-se ainda, nesse momento, a admiração que vai desenvolver por uma misteriosa americana, mulher rica e linda: “Criatura alta, magra, de um rosto esguio de pele dourada - e uns cabelos fantásticos, de um ruivo incendiado, alucinante.” Por meio dela fica sabendo da chegada de Ricardo Loureiro, poeta cuja obra era muito admirada.
Numa festa promovida por Gervásio, Lúcio é apresentado a Ricardo. Logo da primeira conversa vai se desenvolver uma grande amizade e admiração entre ambos.
A admirada americana ruiva desaparece de cena, Gervásio também encerra aqui sua participação no enredo, uma vez que retorna a Portugal. Enquanto as conversas com os outros tinham um interesse voltado para o intelectual, o conhecimento, as feitas com Ricardo pareciam atingir a alma de Lúcio. Desse amizade nasce uma relação que pode ser representada como sendo uma projeção de Lúcio sobre o outro, Ricardo. Pressente-se um tom de homossexualidade: “Mas uma criatura do nosso sexo, não a podemos possuir. Logo eu só poderia ser amigo de uma criatura do meu sexo, se essa criatura ou eu mudássemos de sexo.”
Ricardo vai para Lisboa, ficam os amigos separados por um ano, trocam-se cinco cartas durante esse período. Em dezembro de 1897 Ricardo retorna a Paris: “As suas feições haviam-se amenizado, acetinado - feminilizado, eis a verdade.” Lúcio sabia, no entanto, que Ricardo havia se casado. Num jantar Lúcio é apresentado a ela, Marta: “Era uma linda mulher loira, muito loira, alta, escultural (....) Cheguei a ter inveja de meu amigo.”
Os três ficaram amigos inseparáveis. Participavam em reuniões de amigos intelectuais e artistas, e nessas se destacava a figura de Sérgio Warginsky, músico russo, que no entanto, vai criar uma impressão negativa e de quase ódio em Lúcio.
Envolvido com sua produção literária, por vezes, Ricardo deixava Lúcio a sós com Marta. Entre situações às vezes constrangedoras que beiravam o limite da amizade, Lúcio começa a se sentir envolvido pela figura de Marta. Até que, enfim, Marta torna-se amante de Lúcio. Lúcio acaba se apaixonando por Marta, apesar de continuar a amizade com Ricardo. Estranhamente Lúcio atenta para alguns detalhes da fala de Ricardo, como quando o amigo lhe diz que ao se observar ao espelho não mais se via: “Ah! Não calcula o meu espanto... a sensação misteriosa que me varou... Mas quer saber? Na foi uma sensação de pavor, foi uma sensação de orgulho.”
Por outro lado, Marta também parecia a Lúcio como uma mulher irreal: “sim, em verdade, era como se não vivesse quando estava longe de mim.” Nada confirmava sua existência além do perfume penetrante que ficava no leito, precisava não mais provar o amor, mas a existência real dessa misteriosa mulher que tanto se entregava a ele e que traía com intensidade o amigo: “As suas feições escapavam-me como nos fogem as das personagens dos sonhos. E, às vezes, querendo-as recordar por força, as únicas que conseguia suscitar em imagem eram as de Ricardo. Decerto por ser o artista quem vivia mais perto dela.”
Depois de algum tempo, Marta torna-se fugidia, demora-se menos com Lúcio, os encontros tornam mais difíceis. Lúcio começa a desconfiar de Marta e desenvolve um sentimento de ciúme. Nas tardes em que apenas encontra o amigo Ricardo, começa a procurá-la desesperadamente. Uma vez seguindo Marta, descobre que ela fora ao apartamento de Sérgio Warginsky. Por essa época, Lúcio terminara uma peça de teatro e começa a andar pelas ruas, em uma dessas andanças encontra Ricardo, este lhe faz uma estranha afirmação, de que Marta é uma criação de Ricardo: “Compreendemo-nos tanto, que Marta é como se fora a minha própria alma,. Pensamos da mesma maneira; igualmente sentimos. Somos nós dois... (...) E ao possuí-la, eu sentia, tinha nela, a amizade que te deveria dedicar.”
Nesta cena alucinante, Ricardo mata Marta, e então Lúcio descobre que um mistério envolvia essa morte: Marta folheava um livro, em pé, ao fundo da casa. Ricardo dá-lhe um tiro à queima roupa: “E então foi o Mistério... o fantástico Mistério da minha vida...
Ó assombro! Ó quebranto! Quem jazia estiraçado junto da janela não era Marta - não! - era o meu amigo, era Ricardo... E aos meus pés - sim, aos meus pés! - caíra o seu revolver ainda fumegante!...”
Marta desaparecera, como uma ilusão, uma névoa.

Livro marcante de uma época e de uma personalidade histórica do modernismo português.
Excelente encadernação de carneira com filete a ouro.
Muito bom estado. Miolo impecável

Preço 75€  

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Manifesto Anti-Dantas e por extenso por José de Almada-Negreiros poeta D'Orpheu Futurista e tudo, 3ªedição

Manifesto Anti-Dantas e por extenso por

José de Almada-Negreiros

poeta D'Orpheu

Futurista e tudo

3ª Edição

Lisboa

Edições Ática

2000

15 p.


Opúsculo como novo da reedição do famoso manifesto modernista Anti-Dantas. Impresso com capa cartonada e miolo agrafado. Assinatura do proprietário coevo na página de rosto datado de Dezembro de 2000.
Edição que respeita a grafia original do autor.




Cronologia / Biografia de José de Almada Negreiros citada de http://www.vidaslusofonas.pt/almada_negreiros.htm

1893: Nasce em S.Tomé e Príncipe - 1896: Morte da mãe. - 1900: Entra como aluno interno no Colégio dos Jesuítas, em Campolide. O pai casa novamente - 1905: Redige e ilustra jornais manuscritos - 1910 : É extinto o Colégio dos Jesuítas. Vai para Coimbra - 1911: Lisboa. Ingressa na Escola Internacional - 1915: Escreve o Manifesto Anti-Dantas - 1919: Vai para Paris - 1920: Regressa a Lisboa - 1925: Pinta dois painéis para a Brasileira do Chiado - 1927: Parte para Madrid - 1932: Regressa a Lisboa - 1933: Casa com Sarah Afonso - 1934: Nasce o filho José - 1938: Conclui os vitrais da Igreja de Nª Senhora de Fátima - 1939: Morre o pai em Paris. - 1943: Faz os estudos preparatórios para os frescos da Gare Marítima de Alcântara - 1954: Pinta o retrato de Fernando Pessoa para o restaurante Irmãos Unidos - 1966: É eleito membro honorário da Academia Nacional de Belas Artes -1967: Recebe o Grande Oficialato da Ordem de Santiago e Espada - 1970: Morre em Lisboa.


... O movimento artístico português necessita de inovação. Os artistas plásticos continuam a satisfazer os gostos de uma sociedade burguesa. O naturalismo predomina na arte. Os impressionistas não têm repercussões em Portugal. É um país limitado. Almada sabe-o. Há que dizê-lo.
Em 1913 publica o primeiro desenho n’A Sátira - é necessário agitar a mentalidade artística portuguesa. No mesmo ano faz a primeira exposição individual. São cerca de 90 desenhos.
Fernando Pessoa escreve uma crítica à exposição. Quando Almada o aborda, responde-lhe que não percebe nada de arte... Nasce a amizade.
Entretanto Almada não pára. Colabora em várias publicações. Faz ilustrações. Escreve a primeira poesia. Desenha o primeiro cartaz. Junta-se com outros artistas.
Em 1915 sai o primeiro número da revista ORPHEU. Algum escândalo
Júlio Dantas deprecia o trabalho. Reacções à inovação. Critica a publicidade feita à revista. Afirma não haver justificação para o sucesso. Diz que os autores são pessoas sem juízo.
A 21 de Outubro do mesmo ano estreia-se a peça Soror Mariana. O autor é Júlio Dantas. Almada vai agora reagir. Publica o Manifesto Anti-Dantas e por extenso. O manifesto não é apenas contra Dantas. É uma reacção contra uma geração tradicionalista, uma sociedade burguesa, um país limitado.

"... Basta PUM Basta!
Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! PIM!

No fim assina: POETA D' ORPHEU, FUTURISTA E TUDO.

Exemplar muito estimado, capa e miolo limpos

Mário Viegas recitando o manifesto - contém um extrato inédito do autor a ler o manifesto

http://www.youtube.com/watch?v=Izz4aoZ1Bsw&sns=fb


Preço : 15,00 € 
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José de Almada-Negreiros, Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX. Edições Ática. 2000

José de Almada-Negreiros

Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX

Lisboa

Edições Ática

2000

15 p.


Opúsculo como novo da reedição do famoso manifesto modernista. Impresso com capa cartonada e miolo agrafado. Assinatura do proprietário coevo na página de rosto datado de Dezembro de 2000.



Cronologia / Biografia de José de Almada Negreiros citada de http://www.vidaslusofonas.pt/almada_negreiros.htm


1893: Nasce em S.Tomé e Príncipe - 1896: Morte da mãe. - 1900: Entra como aluno interno no Colégio dos Jesuítas, em Campolide. O pai casa novamente - 1905: Redige e ilustra jornais manuscritos - 1910 : É extinto o Colégio dos Jesuítas. Vai para Coimbra - 1911: Lisboa. Ingressa na Escola Internacional - 1915: Escreve o Manifesto Anti-Dantas - 1919: Vai para Paris - 1920: Regressa a Lisboa - 1925: Pinta dois painéis para a Brasileira do Chiado - 1927: Parte para Madrid - 1932: Regressa a Lisboa - 1933: Casa com Sarah Afonso - 1934: Nasce o filho José - 1938: Conclui os vitrais da Igreja de Nª Senhora de Fátima - 1939: Morre o pai em Paris. - 1943: Faz os estudos preparatórios para os frescos da Gare Marítima de Alcântara - 1954: Pinta o retrato de Fernando Pessoa para o restaurante Irmãos Unidos - 1966: É eleito membro honorário da Academia Nacional de Belas Artes -1967: Recebe o Grande Oficialato da Ordem de Santiago e Espada - 1970: Morre em Lisboa.



... A I Guerra Mundial assola a Europa. Muitos artistas portugueses regressam a Portugal: Amadeu Sousa Cardoso, Guilherme Santa Rita, Eduardo Viana, são alguns deles. Outros são refugiados: Sonia e Robert Delaunay.
O Manifesto causa impacto nos meios artísticos. Afinal há alguém que ousa contestar a cultura instituída. Alguém que ousa criticar a sociedade, o País. Não se pode ficar ausente. É necessário intervir. Unir esforços para que haja uma acção artística. Um movimento que cresça...
Amadeu decide sair do isolamento em Manhufe. Em 1916 faz duas exposições em Lisboa e Porto. Almada escreve no prefácio da exposição:
"Amadeu de Sousa Cardoso é o documento conciso da Raça Portuguesa do séc. XX".
É o modernismo da arte portuguesa. O movimento não pára: nas letras e nas artes. Portugal está no século XX. A transformação é uma necessidade. É preciso agitar, por vezes provocando. Almada fá-lo no Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do séc. XX:
É preciso criar a Pátria Portuguesa do séc. XX
O Povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem Portugueses, só vos faltam as qualidades.

Exemplar muito estimado, capa e miolo limpos
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Jorge Amado - Jubiabá. Lisboa, Livros do Brasil, 1969

Jorge Amado
Jubiabá
1969
5ª edição
Lisboa
Edições Livros do Brasil
331p.




Wikipedia

Severiano Manoel de Abreu ou Jubiabá (20 de abril de 1886 - 28 de outubro de 1937) foi um babalorixá do Candomblé e capitão do Exército de Salvador, Bahia. Recebia o caboclo Jubiabá, que foi o caboclo mais famoso da Bahia, a ponto de chamarem o pai-de-santo pelo nome do caboclo. Foi pai-de-santo do não menos famoso babalorixá Joãozinho da Goméia que recebia o caboclo Pedra Preta.




A controversa personalidade de Jubiabá

O primeiro texto da série de notas, artigos e reportagens sobre a cultura afro-baiana foi publicado em O Estado da Bahia no dia 09 de maio de 1936 com o título “As ‘macumbas’ através de interessantes reportagens do Estado da Bahia” e o subtítulo “Jubiabá, o célebre ‘pai de santo’, ouvido por nós, faz sensacionais revelações”.Trata-se de uma nota criada para anunciar a série de reportagens que viria a ser publicada nos meses seguintes. Para a primeira delas, foi escolhido o nome do pai de santo Jubiabá, um dos mais famosos de seu tempo, líder religioso de um candomblé de caboclo no Morro da Cruz do Cosme. Jubiabá, também, era o título do mais recente romance publicado por Jorge Amado, o que despertava ainda mais a curiosidade em torno de sua imagem. Como veremos mais tarde, numa sequência de três reportagens, Jubiabá e Jorge Amado travam uma deselegante discussão através das páginas do jornal por causa do romance.

Em 11 de maio de 1936, O Estado da Bahia publica a entrevista com Severiano Manoel de Abreu, com o título “No mundo cheio de mistérios dos espíritos e ‘pais de santos’”, acompanhado por dois subtítulos. O primeiro: “Iniciando uma larga reportagem sobre espiritismo e candomblés o Estado da Bahia viu e ouviu o famoso Jubiabá, herói do último romance de Jorge Amado”. E mais abaixo: “De incrédulo a médium curador – Cruz do Cosme e seu reduto – Até entre os espíritos há melindres e vaidades – Pai de 22 filhos vivos e influência política”.

Jubiabá novamente é apontado como o personagem do romance homônimo de Jorge Amado, dito vaidoso e detentor de influência política. As ligações políticas do capitão Severiano Manoel de Abreu com membros e assessores do governo, a exemplo de Martinelli Braga, oficial de gabinete do governador Juracy Magalhães, são destacadas nas entrevistas, inclusive por ele mesmo. Elas conferiam prestígio ao pai de santo, possibilitavam a troca de favores, atraíam benfeitorias para a comunidade e contribuíam para preservar sua casa de culto da violência policial.

O preconceito explícito nas páginas dos jornais da época praticamente se restringia às religiões de origens africanas e indígenas, enquanto o espiritismo e o ocultismo, de raízes europeias, eram mais aceitos socialmente, consideradas doutrinas mais “civilizadas”, como denota este trecho da entrevista: Mesmer e Flamarion, Cagliostro e muitos outros fizeram admiradores e fervorosos prosélitos, com os seus passes, livros ou trues [sic] hábeis e impressionantes.

Ao lado destas e outras crenças em que a grande família humana se divide, o fetichismo tem também o seu grande número de fiéis entre os africanos e indígenas de outras raças até mais ou menos civilizadas.

Por sua vez a legião de espíritos é numerosíssima, congregando em torno dos centros e associações mediúnicas milhares de crentes em curas e milagres, melhoria de condições financeiras ou de afeto que se afasta.Não raro registra a imprensa casos de envenenamentos ou de loucura devido aos meios empregados para a “cura” do paciente.



Exemplar curioso dado tratar-se do livro de estudo do curso de 1969 da Faculdade de Letras de Lisboa, da proprietária coeva Flora C. Natal. O livro está profusamente anotado a lápis resultande do seu estudo e quiça cabulado para o exame da cadeira.

 Ainda assim em bom estado de conservação, miolo limpo, capa e lombada em bom estado mas com mancha de humidade, bastante manuseado.

Preço : 15 € 
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