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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O rei da terra - Dalton Trevisan - 3ª edição revista - 1979

O rei da terra
Dalton Trevisan
1979
3ª Edição Brasileira revista
Editora Record
A 1ª edição é de 1972
(Não foi editado em Portugal)



Prémio Pessoa 2012

Recensão crítica

O 'O rei da terra' é uma fábula do amor insatisfeito, cruel, frustrado. Ler estas narrações que Dalton Trevisan expõe em seu estado de chaga é inquietar-se. Ao acentuar a precariedade de suas criaturas, cria um universo quase mitológico, varrido pela tragicomédia. E não faltam, nesta coleção de alegrias e dores sórdidas, outros mitos - a mulher castradora de maridos, a noiva esfaqueada no banquete de núpcias, o moço loiro. Trevisan deixa  em todos os dentes do vampiro.


Raridade


Livro novo... Nunca foi usado



Preço: 30€ (portes incluídos)

Pedidos a 2mitodesisifo@gmail.com ou em www.leiloes.net

portes em correio normal nacional continental. Registado acresce mais 1,70€

Em busca de Curitiba perdida Dalton Trevisan 1992 1º edição brasileira Record

Em busca de Curitiba perdida
Dalton Trevisan
1992
1º edição brasileira Record
(não foi editado em portugal)
Ilustrado
Capa, Encarte, e ilustrações de Poty


Prémio Pessoa 2012

Recensão crítica :


Em Busca de Curitiba Perdida é uma coletânea com 23 textos de Dalton Trevisan, que dão uma noção geral da obra deste autor que parece não aceitar a modernização da cidade. No conto Lamentações da Rua Ubaldino, ele recorda o passado da rua onde reside - "No Princípio Era o silêncio na Rua Ubaldino" - mas o barulho da atual "metrópole" incomoda o escritor - "o amplificador dos agudos desafinados de Gog e Magog" - que amaldiçoa o tempo presente: "mais fácil passar um camelo pelo fundo duma agulha/ do que entrar um guitarrista cenobita no reino de Deus." 

Em Curitiba Revisitada, Dalton pergunta: "uma das três melhores do mundo em qualidade de vida/ depois ou antes de Roma?", e segue cutucando a capital ecológica - "cinqüenta metros quadrados de verde por pessoa/ de que te servem/ se uma em duas vale por três chatos?" - até definir Curitiba: "falso produto de marketing político.

" Outro detalhe importante na obra do "Vampiro de Curitiba" é a utilização de personagens que vivem à margem da sociedade de consumo, sem perspectivas de ascensão social, praticamente presos a necessidades imediatas. "Ao utilizar sempre os mesmos João e Maria, o autor está fazendo uma crítica e ironizando a visão oficial da cidade, que não dá chance aos menos favorecidos". 

No conto Canção do Exílio, o autor-narrador diz que apesar de ter vivido, não quer morrer em Curitiba. Ora, se alguém xinga tanto uma cidade, por que não vai viver em outro lugar? Dalton Trevisan, mesmo criticando, faz uma declaração de amor à cidade, às avessas. Considerado o maior contista da língua portuguesa de todos os tempos, 

Trevisan criou um estilo único de escrever, caracterizado por usar uma linguagem enxuta, que com poucas palavras consegue comunicar aquilo que deseja. Para ter uma idéia, basta ler um trecho de A Faca no Coração, quando ele define: "O amor é uma faca no coração. Cada dia se enterra mais fundo, que não deixe de sangrar."

Livro como novo. Em muito bom estado





 Preço: 50€ (portes incluídos)

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Contos eróticos - Dalton Trevisan - 2ª edição - 1986

Contos eróticos
Dalton Trevisan

1986
2ª edição revista
Editora Record
1ª Edição Brasileira é de 1984
(nunca editado em Portugal)
Ilustrado



Prémio Pessoa 2012

Recensão crítica:

Este livro contém 16 contos extraídos de outras obras do autor. A obra é repleta de metáforas e referências ao Cântico dos Cânticos, livro bíblico escrito por Salomão. Outra coisa que chama atenção nos contos são as expressões e personagens que se repetem, você verá muitas vezes coisas do tipo "Boquinha de 10 anos", "Broinha de fubá mimoso", "dente de ouro", "arara bêbada" entre outros. E ainda verá que há personagens que protagonizam várias histórias, como por exemplo João, Maria, Pedro, O Doutor e Dinorá.

Nos contos ele usa uma linguagem que varia entre rebuscada e regional, com palavras chulas e por que não dizer engraçadas. Creio que muitos se decepcionem com o livro por ele não alcançar o objetivo dos leitores que o buscam, porém o livro tem um grande valor literário.

Contos como "A Noite da Paixão" (meu favorito), "Esse Mundo Engraçado" ou "Meu Querido Assassino", prendem o leitor pelos diálogos, que de longe são as melhores partes dos contos.

Os contos do livro podem ser lidos de forma individual, porém o leitor notará que os contos, escolhidos pelo próprio autor para esse volume, têm uma pequena ligação entre si. Extraídos de obras como "O Vampiro de Curitiba", "Novelas Nada Exemplares" ou "Chorinho Brejeiro", o que confirma o fato que ele repete os personagens não apenas nos contos de um livro, mas em todos os seus livros de contos.


 Preço: 30€ (portes incluídos)

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Pão e Sangue - Dalton Trevisan- 2ª edição - 1996

Pãe e Sangue

Dalton Trevisan

1996
2ª edição revista
Editora Record
1ª Edição brasileira é de 1988
(nunca editado em Portugal)

Profusamente Ilustrado 
Capa e ilustrações do miolo de http://pt.wikipedia.org/wiki/Poty_Lazzarotto
Prémio Pessoa 2012
A obra:

Um Dalton Trevisan mais sanguinolento, mais tenso e imprevisível! É a eterna história dos conflitos conjugais e familiares revisitados sempre com um olhar a cada vez mais impiedoso e estranhamente sedutor!


Raridade

Livro como novo... Nunca foi usado


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Pico na veia - Dalton Trevisan- 1ª edição - 2002

Pico na veia
Dalton Trevisan


2004

1ª Edição Brasileira

(não editado em Portugal)

Editora Record

Montagem da capa de Ricardo



Prémio Pessoa 2012

Extrato de recensão muito crítica de Almir de Freitas:


Em Pico na Veia, Dalton Trevisan exibe o lado mais simplório da fragmentação que tem caracterizado a ficção brasileira

Era uma vez João e Maria, personagens assíduos de um escritor de Curitiba que não gostava de dar as caras nem sair por aí dando declarações. A história é conhecida, ou melhor, são conhecidas na história do conto brasileiro contemporâneo as pequenas e sintéticas narrativas de Dalton Trevisan, quase sempre focadas em gente simples, de vidas atribuladas por coisas miúdas. Se não tinham nada de fulgurante – como de fato não tinham –, possuíam lá sua originalidade e ajudavam, com a sua simplicidade, a compor um retrato da diversidade literária do país. Entretanto, de algum tempopara cá e por razões ainda não devidamente estudadas, parece que algo desandou com o conto e as novelas derivadas de narrativas curtas, produzindo uma galeria de obras divididas entre uma certa tradição temática e algumas tentativas de inovação formal. Pico na Veia, novo livro do escritor curitibano, é mais do que sintomático desse fenômeno: é o limite do suportável de uma prosa que se mostra cada vez mais fragmentada, que se concede o aval de ser passada para o papel sem maiores labores do ofício de escrever.

A rigor, Pico na Veia não chega a ser um livro de contos. É, antes, um amontoado de micronarrativas, frases soltas, ruídos de diálogos, pedaços de silêncios com supostos subentendidos – tudo criando lacunas num mundo de lacunas, conhecidas da já vasta obra do escritor. É nela, espalhada um pouco em cada volume, que está a gente pobre, triste e doente como a de Mistérios de Curitiba(1968); os relacionamentos difíceis de A Guerra Conjugal (1969); as perversões sexuais e o bizarro cotidiano de Morte na Praça (1964) ou Pão e Sangue (1988). E aqui e acolá, as referências à cidade enganosa em que o escritor, “vampiro”, se esconde.

Raridade
livro em muito bom estado


Texto de Público 14/12/2012


Quando em Maio o escritor brasileiro Dalton Trevisan foi distinguido com o Prémio Camões, o maior prémio literário de língua portuguesa, o júri não tinha como o contactar por este viver praticamente enclausurado longe de qualquer atenção mediática. Não foi por isso de estranhar que esta quarta-feira Trevisan não tenha aparecido na cerimónia de entrega do prémio. No seu lugar foi a editora.
Não gosta de dar entrevistas nem de ser fotografado e não é visto habitualmente nas ruas. É assim que Dalton Trevisan é conhecido e já por isso em Maio a questão de o escritor aparecer ou não nesta cerimónia tinha sido levantada. O júri explicou na altura ser alheio a isso e que o escritor era premiado pelo seu mérito e não em função de poder ou não aparecer para receber o prémio.
No seu lugar foi Sonia Jardim, vice-presidente da editora Record, que há mais de 30 anos edita a suas obras, e leu uma pequena mensagem de Trevisan. “Os muitos anos, ai de mim, já me impedem de receber pessoalmente o prémio”, escreveu o escritor, actualmente com 87 anos, referindo-se ao Prémio Camões, que tem o valor de cem mil euros, como “o prémio dos prémios”. “Nunca jamais pensei merecer tamanha distinção. A consciência das minhas limitações como escritor proibiu-me sonhos mais altos. E agora, sem aviso, o prémio Camões”, continua na sua mensagem.
À Agência Brasil, a editora disse que o autor de O Vampiro de Curitiba (que passou a ser a sua alcunha) continua “activo” e está já a preparar um novo livro que deverá ser lançado em 2013.
Dalton Trevisan, que nasceu em 1925 em Curitiba, é licenciado em direito e foi depois de ter sido jornalista na área do crime e crítico de cinema que se dedicou à literatura. Começou a publicar em 1945, apesar de mais tarde ter renegado os seus dois livros de juventude: Sonata sempre ao Luar e Sete anos de Pastor. Entre 1946 e 1948, editou a revista Joaquim, "uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil", por onde passaram os maiores nomes da cultura brasileira.
Em 1959, lançou Novelas Nada Exemplares e recebeu o Prémio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Cemitério de Elefantes (Prémio Jabuti e Prémio Fernando Chinaglia, da União Brasileira dos Escritores) foi uma das primeiras obras do escritor editadas em Portugal, pela Relógio d’Água, em 1984. Destaca-se também Noites de Amor em Granada e Morte na Praça (Prémio Luís Cláudio de Sousa, do PEN Club do Brasil). Guerra Conjugal foi transformado em filme em 1975. Só publicou até agora um romance: A Polaquinha. Em 1996, recebeu o Prémio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto da sua obra. E em 2003 dividiu com Bernardo Carvalho o Prémio Portugal Telecom de Literatura com o livro Pico na Veia. Recentemente no Brasil publicou O Anão e a Ninfeta, obra vencedora do Prémio Portugal Telecom deste ano na categoria de conto e de crónica.
Na altura em que o Prémio Camões foi anunciado, o júri justificou a escolha escrevendo que Trevisan “significa uma opção radical pela literatura enquanto arte da palavra”. “Tanto nas suas incessantes experimentações com a língua portuguesa, muitas vezes em oposição a ela mesma, quanto na sua dedicação ao fazer literário sem concessões às distracções da vida pessoal e social”, lia-se então na acta. O presidente do júri, o escritor brasileiro Silviano Santiago, evocou os contos de Machado de Assis e Edgar Allan Poe como antecedentes de Trevisan no século XIX. "Ele vem dessa direcção e encontra, no século XXI, o argentino Borges. Pega essa tradição e dentro dela é capaz de trabalhar de maneira original." Chega a "quase um poema em prosa", exprimindo o quotidiano. Um conto transformado em haiku.

O Prémio Camões, instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989, é o maior prémio de prestígio da língua portuguesa, no valor de cem mil euros. Com a sua atribuição é prestada anualmente uma homenagem à literatura em português, recaindo a escolha num escritor cuja obra contribua para a projecção e reconhecimento da língua portuguesa.




Preço: 50€ (portes incluídos)

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2 3 4 - Dalton Trevisan - 1ª edição revista - 1997

2 3 4
Dalton Trevisan 
1997 
1ª Edição Brasileira 
(Não editado em Portugal) 
Editora Record 
Ilustrações in-folio e desenho da capa de George Grosz




Prémio Pessoa 2012
Recensão:

Mais uma vez, o contista maior do Brasil (nenhum outro escritor brasileiro, ao longo de nossa história, se dedicou ao conto com tamanha fidelidade) mostra que continua em plena forma, esbanjando graça e encanto em histórias que não perdoam as misérias humanas. Trevisan, já com uma obra feita e um nome respeitado no exterior, continua não tendo medo de experimentar novas linguagem narrativas, dentro, é claro, das fronteiras de seu universo ficcional.


234 , mosaico composto por narrativas que vão do haicai ao miniconto, investe de forma explícita no acto da leitura. Saboroso elogio da leveza, ele responde à necessidade moderna, proposta por Italo Calvino, de concentração de poesia e do pensamento.


Raridade
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Arara bêbada - Dalton Trevisan - 1ª edição - 2004

Arara Bêbada

Dalton Trevisan

2004

1ª Edição Brasileira

(Não editado em Portugal)

Editora Record

Ilustrações da capa. George Grosz


Prémio Pessoa 2012

Recensão:

Em 'Arara Bêbada', Dalton Trevisan volta ao género que o consagrou - os minicontos. O livro traz uma coletânea de textos inéditos do 'Vampiro de Curitiba'. Ao todo o livro reúne sessenta e oito pequenas histórias construídas com ironia cortante e humor cáustico abordando as várias facetas da condição humana.

São textos enxutos que retratam a realidade do Brasil de hoje, onde a miséria, o desemprego e o desespero diante da falta de perspectivas se misturam com a esperança por um futuro melhor e a alegria de amar.


Raridade

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Ah, é? - Dalton Trevisan- 1ª edição - 1994


Ah, é?

Dalton Trevisan

1994

1ª Edição Brasileira

(não editado em Portugal)

Editora Record

Profusamente ilustrado. Capa e ilustrações de Poty http://pt.wikipedia.org/wiki/Poty_Lazzarotto

Prémio Pessoa 2012

Referência à obra:
Ah, É?
(ministórias)

01
Domingo inteiro em pijama, coça o umbigo. Diverte-se com os pequenos anúncios. Em sossego na poltrona, entende as borbulhas do gelo no copo de bebida. Uma velhice tranqüila, regando suas malvas à janela, em manga de camisa. Única dúvida: ganhará o concurso de palavras cruzadas?
02
Rataplã é o gato siamês. Olho todo azul. Magro de tão libidinoso. Pior que um piá de mão no bolso. Vive no colo, se esfrega e ronrona.

— Você não acredita. Se eu ralho, sai lágrima azul daquele olho.

Hora de sua volta do colégio, ele trepa na cadeira e salta na janela. Ali à espera, batendo o rabinho na vidraça.

Doente incurável. O veterinário propõe sacrificá-lo. A moça deita-o no colo. Ela mesma enfia a agulha na patinha. E ficam se olhando até o último suspiro nos seus braços. Nem quando o pai se foi ela sentiu tanto.
03
Ao tirar a calcinha, ele rasga. Puxa com força e rasga. Vai por cima. Ó mãezinha, e agora? Com falta de ar, afogueada, lavada de suor. Reza que fique por isso mesmo.

Chorando, suando, tremendo, o coração tosse no joelho. Ele a beija da cabeça ao pé — mil asas de borboleta à flor da pele. O medo já não é tanto. Ainda bem só aquilo. Perdido nas voltas de sua coxa, beija o umbiguinho.

Deita-se sobre ela — e entra nela. Que dá um berro de agonia: o cigarro aceso na palma da mão. Mas você pára? Nem ele.
04
Só de vê-la — ó doçura do quindim se derretendo sem morder — o arrepio lancinante no céu da boca.

"Ministórias" extraídas do livro "Ah, é?", Editora Record - Rio de Janeiro, 1994, pág.13 e seguintes.

Raridade
Livro em muito bom estado


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Dinorah - Dalton Trevisan- 1ª edição - 1994

Dinorá 
Dalton Trevisan
1994 
1ª edição brasileira 
Editora Record 
(não editado em Portugal) 
Profusamente ilustrado 
Capa e ilustrações de Poty

Prémio Pessoa 2012

Uma recensão crítica da obra retirada da NET:

Série de crónicas, alguns contos e poemas em prosa. Adorei os comentários sobre as obras: Dom Casmurro, Esaú e Jacó. Os poemas de Dalton são racionais e sequenciais (uma característica que eu me identifico muito). Gostei demais de seu humor nessa obra, apesar de ainda conter alguns pontos que eu não aprecio tanto (semelhante a obra o vampiro de Curitiba). Destaque ao último conto: Noites de insónia. O melhor!

Raridade
Livro em muito bom estado


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A polaquinha - Dalton Trevisan -1ª edição - 1985


A polaquinha
1ª edição - 1985
Edição Brasileira
(não editado em Portugal)
Dalton Trevisan
Editora Record

Prémio Pessoa 2012


Referência à obra:

em cena de “O Vampiro e a Polaquinha” dirigida por Ademar Guerra Teatro Novelas Curitibanas na sua estréia em 1992.


Bobinha, de mim já não falo. Me enxugava no banheiro. Puxa, que susto.

- Está nascendo cabelo…
Um por um, tentei arrancar - doía muito. Confessei o medo para minha irmã.
- Lá embaixo.
Ela me acalmou:
- Sua tonta, é assim mesmo. Quando veio a primeira vez, bem me apavorei.
- Estou sangrando. Acho que vou morrer.
Correndo a toda hora ao banheiro.
- Estou me esvaindo… De novo, minha irmã:
- Agora você sabe. O que é moça. Daqui a um mês. Todo mês.
Me ensinou a usar toalhinha, ainda o tempo da toalhinha. Esquecida horas no banheiro, lavando, lavando. Para a mãe não ver.
O seio aflorando, o biquinho doendo - de sete novenas fiz promessa.
- Meu Deus, me acuda. Se aperto o biquinho, sai leite?
O primeiro namorado, sabe o quê? Ah, o beijo único na boca. Já era pecado: duas línguas na boca. Me abraçava, eu tremia de gozo. Tanto medo: duro, grande, furando a calça. O tempo das primeiras calças justas. Ele descia reto: o começo ali no umbigo? Como adivinhar que se dobrava para cima?
Os dois de pé, na varanda, naquelas tardes fagueiras. Qual era o versinho antigo? À sombra das bananeiras, agarradinhos, debaixo dos laranjais. Pelos cantos, a sua terceira mão, na escola noturna. Oh, João.
Passamos o domingo na praia. Galinha com farofa, a descoberta do mar, o rosto em fogo do sol. De volta, no ônibus, minha mãe dormia ao lado. Começamos a nos beijar ali no escuro.
- É um jogo - eu disse. - O que faço em você, faz em mim.
Morria de vontade que me pegasse no seio. Qual seria a sensação? Primeiro um beijinho no nariz. Alisei o queixo, a penugem do braço. Abri-lhe a camisa, achei um cabelo crespo no peito. Um olho nele, outro na mãe dormindo. Se ela acorda, já pensou?


Linhas iniciais do romance “A Polaquinha”, de Dalton Trevisan

Muito Bom estado


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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cemitério de Elefantes - Dalton Trevisan - 1ª edição -1994

Cemitério de Elefantes

1ª edição (e única) portuguesa 1994

(1ª Edição brasileira é de 1964)

Dalton Trevisan

Editora Relógio d'água

Cemitério de Elefantes, de Dalton Trevisan, publicado em 1964, reúne contos do autor, onde coloca em destaque histórias que, de um lado, se passam no contexto rural, com personagens à margem do mundo moderno, refletindo um universo fundado em valores patriarcais, e, de outro, a temática urbana, representada em um de seus contos mais famosos - Uma Vela para Dario - que representa a degradação da morte em um ambiente urbano. Dario passa mal, morre e é roubado sem que ninguém o ajude. A multidão assiste durante horas a sua agonia, movida pela curiosidade, sem um traço de piedade. É um anônimo, assim como a multidão que o cerca.

Nesse mesmo livro, o conto - Cemitério de Elefantes - traz ao leitor um mundo de seres situados à margem do chamado "mundo oficial". Simbolizando a categoria marginal dos personagens, os bêbados vivem à beira do rio e são alimentados pelos pescadores. Um duplo sentido é estabelecido: bêbados e elefantes são a imagem viva do peso, da lentidão, da falta de jeito e, ao mesmo tempo, aceitam resignadamente um destino irrefutável.

Raridade

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Meu querido assassino - 1ª edição - 1983 - Dalton Trevisan

Meu querido assassino
Dalton Trevisan
1983
1ª Edição Brasileira
Editora Record
(não editado em Portugal)


Prémio Pessoa 2012


Outra coletânea de contos de Dalton Tevisan. O autor de estilo próprio e inimitável. "Meu Querido assassino" fascina como aquele broche de madrepérola no decote de veludo. Com seu estilo guerrilheiro de diálogos certeiros, de imagens inesperadas que visam à razão e à emoção dos leitores, esses pobres fantoches manipulados pelo mefistotélico e mirabolante autor!


Muito Bom estado
miolo com algumas manchas humidade


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Essas malditas mulheres - 1ª edição - 1982 - Dalton Trevisan

Essas malditas mulheres

Dalton Trevisan

1982 

1ª Edição Brasileira

(não editado em Portugal)

Editora Record 

Prémio Pessoa 2012

Em "Essa malditas mulheres", Dalton Trevisan percorre as três fases da existência - a mocidade, a maturidade e a velhice - que são mediatizadas pelos impulsos de Eros e Tânatos (ou seja, o Amor é sempre confrontado com seu oposto: a Dor e a Morte).


Preço: 50€ (portes incluídos)

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