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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Paulo José Miranda - O Mal. Livros Cotovia & Fundação Oriente, 1ª edição, 2002

Paulo José Miranda

O Mal

Livros Cotovia & Fundação Oriente

Série Oriental Viagens

1ª edição de 1500 exemplares

2002

107p.




Prémio de Poesia Teixeira de Pascoais, 1997
1º Prémio José Saramago, 1999

Paulo José Miranda
O Poeta e escritor que perdeu a pátria!

O único jovem romancista português que Herberto Hélder conseguia ler.





VT do mesmo autor:
http://alfarrabistamitodesisifo.blogspot.pt/2014/02/trilogia-de-paulo-jose-miranda-1s.html
e
http://alfarrabistamitodesisifo.blogspot.pt/2014/02/paulo-jose-miranda-o-corpo-de-helena-1.html

Livro marcante de um autor português da jovem geração
Excelente estado. capa e miolo novos

Preço: 36€ 

com portes registados incluídos para Portugal Continental e ilhas
+ 8€ para correio registado internacional normal
UPS ou correio rápido a orçamentar

Pedidos a 2mitodesisifo@gmail.com ou em www.leiloes.net



Paulo José Miranda - O Corpo de Helena. 1ª edição, 1998, Livros Cotovia

Paulo José Miranda

O Corpo de Helena

(Teatro)

Livros Cotovia

Grafismo João Botelho

1ª edição de 750 exemplares

1998

49 p.




Prémio de Poesia Teixeira de Pascoais, 1997
1º Prémio José Saramago, 1999

Paulo José Miranda
O Poeta e escritor que perdeu a pátria!

O único jovem romancista português que Herberto Hélder conseguia ler.



O único jovem romancista português que Herberto Hélder conseguia ler



VT do mesmo autor:
http://alfarrabistamitodesisifo.blogspot.pt/2014/02/trilogia-de-paulo-jose-miranda-1s.html
e
http://alfarrabistamitodesisifo.blogspot.pt/2014/02/paulo-jose-miranda-o-corpo-de-helena-1.html


Livro marcante de um autor português da jovem geração
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Trilogia de Paulo José Miranda - 1ªs edições - Um Prego no coração (1997), Natureza Morta (1998), Vício (2001) Edições Livros Cotovia

Paulo José Miranda


Um prego no Coração

(Ficção)

Livros Cotovia

Coleção Três razões

1ª edição

1997

78 p


Natureza Morta

(Ficção)

Livros Cotovia

Coleção Três razões

1ª edição

1998

133 p


Vício

(Ficção)

Livros Cotovia

Coleção Três razões

1ª edição

2001

118 p



Prémio de Poesia Teixeira de Pascoais, 1997
1º Prémio José Saramago, 1999

Paulo José Miranda
O Poeta e escritor que perdeu a pátria!

O único jovem romancista português que Herberto Hélder conseguia ler.





José Saramago atribuiu-lhe o primeiro prémio literário com o seu nome. Herberto Helder disse que ele era «o único jovem romancista português que conseguia ler». De escritor-promessa da geração de 1990 a persona non grata do meio literário português, eis Paulo José Miranda. Um ilustre desconhecido, agora a viver no Brasil.



O escritor que perdeu a pátria

O escritor que perdeu a pátria

por Joana Emídio Marques Fotografia de Euricles Macedo, no Brasil
José Saramago atribuiu-lhe o primeiro prémio literário com o seu nome. Herberto Helder disse que ele era «o único jovem romancista português que conseguia ler». De escritor-promessa da geração de 1990 a persona non grata do meio literário português, eis Paulo José Miranda. Um ilustre desconhecido, agora a viver no Brasil.
Não há quem não conheça os nomes de José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares ou João Tordo. Mas poucos, muito poucos, registaram, recordam ou conhecem o nome de Paulo José Miranda e da sua pequena obra-prima, Natureza Morta, que em 1999 foi distinguida com o primeiro prémio literário José Saramago. O que aconteceu então a este poeta e prosador que um dia foi considerado o maior valor da sua geração, o herdeiro de Saramago e Herberto Helder, que hoje não encontra editora para os seus livros? Treze anos depois de ter recebido o prémio com o nome do Nobel, Paulo José Miranda fala pela primeira vez à imprensa.
De dois em dois anos, no outono, quando Pilar del Río anuncia o Prémio Saramago, há sempre alguém que pergunta «o que é feito de Paulo José Miranda?», e há sempre alguém que responde: «Foi para a Turquia, gastou todo o dinheiro em vinhos caros e ficou por lá.» Como não há mais pormenores, a conversa morre aqui e a lenda compõe-se com os detalhes que a imaginação de cada um permite.
Porém, a realidade é outra, e se Paulo José Miranda (P.J.M.) está mais perto do que se supunha, a sua história é mais fascinante do que qualquer ficção que sobre ele se tenha inventado.
Naquele dia de outubro de 1999, P.J.M. estava com a namorada num festival de cinema no Sul da Turquia quando teve uma súbita vontade de conversar com a mãe, com quem não falava há sete meses. Como não tinha dinheiro andou a pedir moedas numa estação rodoviária para ligar de um telefone público. A mãe avisou logo que «andava muita gente atrás dele», mas que só o seu editor, André Jorge, da Cotovia, poderia explicar-lhe a razão. A conversa com a mãe acabou-lhe com as moedas e P.J.M. teve de voltar a apelar à simpatia dos outros viajantes para conseguir ligar de novo para Portugal.
«Está sentado?», perguntou-lhe André Jorge, antes de lhe contar que Saramago e Pilar del Río também andavam à procura dele para lhe anunciarem que tinha ganho a primeira edição do prémio literário. «Andavam todos à minha procura e eu no Sul da Turquia, incontactável durante meses», recorda Paulo numa voz grave mas acolhedora, com um subtil sotaque brasileiro, fruto dos sete anos que já leva de vida no Brasil.
«Compraram-me uma passagem para ir a Portugal receber o prémio. Fiquei poucos dias em Lisboa, conversei vagamente com Saramago. Falei mais com a Pilar. De resto, fazia um ano que ele tinha ganho o Nobel e era ele o centro das atenções. Ninguém me ligou nenhuma. Não dei uma entrevista sequer. Voltei para Istambul e a única diferença foi que trazia mais dinheiro.»
A forma como o escritor gastou o valor do prémio é sem dúvida menos superficial do que a traçada na lenda. Nada de vinhos caros. Com o dinheiro do prémio comprou uma câmara de filmar à namorada, a multipremiada realizadora turca Pelin Esmer que na altura dava os primeiros passos como cineasta. «Com essa câmara ela filmou o seu primeiro documentário com o qual venceu o prémio de melhor documentarista revelação no festival de cinema de Tribeca [Nova Iorque], em 2006», revela P.J.M.
E se hoje Pelin Esmer é uma conceituada realizadora cujos filmes têm na história o nome de Saramago, Paulo José Miranda é um ilustre desconhecido. Afinal abandonou a Turquia, vive há sete anos no Brasil e como todos os que têm o vício da imaginação e o génio da palavra escreve compulsivamente. Poesia, romances, ensaios, que aguardam ver a luz do dia.
Emigrante ilegal e, até há dois meses, totalmente indocumentado (a validade do passaporte expirou em 2005, pouco depois de chegar ao Brasil, e o bilhete de identidade tinha caducado em 1997), P.J.M. sobrevive dando ocasionalmente algumas aulas particulares de música. Viveu no Rio de Janeiro, São Paulo e agora em Curitiba. Apesar das precariedades do quotidiano, voltar a Portugal é algo que o «aterroriza».
O poeta mexicano Octávio Paz escreveu sobre Fernando Pessoa: «Não há revolta na sua vida. Apenas uma mágoa parecida com desdém.» Esta frase também podia tê-la escrito sobre Paulo José Miranda.
Hoje em dia os seus livros só se encontram em alfarrabistas ou na Feira da Ladra. Trocam-se como pequenas preciosidades entre os seus admiradores. E não são poucas as obras que publicou entre 1998 e 2008. Estreou-se com o romance Um Prego no Coração (faz parte da trilogia que inclui O Vício e Natureza Morta). No mesmo ano, lança uma das mais belas e inesquecíveis peças da nova dramaturgia portuguesa, O Corpo de Helena, em que recupera a voz do herói mítico Agamémnon, e um livro de poesia, A Arma no Rosto. Nos anos seguintes lançou outra obra poética, O Mal, e aforismos sob o título América.
Só em 2011 volta a editar um romance, Com o Corpo Todo. Passou anos a enviá-lo sem sucesso para chancelas e responsáveis editoriais portuguesas até conseguir ser aceite pela Ulisseia (grupo Babel). O livro chegou às livrarias no mês de julho e passou praticamente despercebido. O escritor que fora a promessa dos anos 1990 não parecia interessar ninguém ou quase.
Como se falasse de uma coisa que só vagamente lhe interessa ou lhe pertence, P.J.M. explica que no mês em que o livro saiu o editor deixou a Ulisseia. «Não houve qualquer promoção, não recebi sequer os exemplares a que tinha direito, não sei nada sobre o percurso da obra. Vendeu muito? Vendeu pouco? Nunca me disseram nada.»
O poeta perdido no Brasil
Se há um galardão que, na última década, tem servido para alavancar a carreira de vários escritores e garantir a internacionalização da sua obra é o Prémio José Saramago. Mas Paulo José Miranda é o único que não pode contar essa história. Não consegue editar os seus livros e diz que é ostensivamente ignorado pelos media portugueses.
«Para mim, Paulo José Miranda é o melhor escritor de todos os que receberam o Prémio Saramago», afirma Vasco Luís Curado, um dos novíssimos autores e finalista do Prémio Leya. «As narrativas dele têm uma carga e uma intenção poética, quer ao nível da ação quer da linguagem, que o tornam incomparável. Nada ali é gratuito ou para entreter.»
Com o Corpo Todo é um romance violento, sem concessões. A angústia das narrativas que escreveu nos anos 1990 converte-se em dureza. A poesia está lá mas muda de tom. A realidade continua a ser algo de inacessível às personagens e aos leitores, mas é como se P.J.M. tivesse desistido da ideia de redenção e tivesse assumido que o desterro é a condição do humano.
«Admiro muito a coragem de P.J.M. ter conseguido transformar tão radicalmente a sua escrita», diz ainda Vasco Luís Curado. «A maior parte dos escritores não tem essa coragem e fica a tentar repetir-se, para continuar a agradar a editores e leitores ou porque não sabe fazer mais.»
«Eu escrevo. É isso que eu faço», afirma P.J.M. com a tranquilidade de uma evidência. «Não escrevo aquilo que os editores querem publicar, não escrevo para as massas. Além disso estou longe. Estou fora do circuito. Sempre estive.»
«Conheci o Paulo quando ele foi meu aluno no curso de Filosofia», conta António de Castro Caeiro, professor de Filosofia e Grego na Universidade Nova de Lisboa, melhor amigo do escritor. «Apesar de ser um aluno brilhante ele não é um filósofo, é um poeta. Não só no que escreve mas também no que é. No nosso meio de amigos ele é conhecido como "o poeta".»
Este desligamento de P.J.M. aos constrangimentos do quotidiano e as circunstâncias difíceis da sua vida são contados por Caeiro com um encolher de ombros e um sorriso. «Ele é mesmo assim. É um poeta.»
«Quando o visitei no Brasil ele raramente saía de casa. Não tinha documentos. Mal tinha dinheiro para comer. Apenas escrevia. Fui eu e um amigo que o levámos a conhecer a cidade onde ele vivia», diz com uma gargalhada. «Ele é mesmo assim. É mesmo um poeta», repete, como se estas palavras fossem o retrato mais preciso de P.J.M.
Paulo José Miranda nasceu em Lisboa em 1965, cresceu em Paio Pires, no Seixal. Começou por estudar música. Foi aluno do Hot Club e teve uma banda punk. Toca todos os instrumentos mas a sua especialidade é a guitarra-baixo. «A música foi a minha vida até perceber que não seria tão bom como queria», recorda. «Quando percebi isso, deixei-a para trás.»
Tinha 27 anos quando decidiu mudar de vida, 30 quando escreveu o primeiro livro, 34 quando recebeu o Prémio Saramago. Mas nunca saiu da penumbra, embora não tenha passado despercebido num certo meio literário lisboeta que se reunia todas as tarde numa leitaria das Escadinhas do Duque e onde paravam, entre outros, os poetas António Cabrita e Herberto Helder. Nunca deu uma entrevista. Nunca escreveu crónicas em jornais nem apareceu em programas de televisão. Porquê? «Porque nunca me convidaram», responde com alguma indiferença.
Quase anónimo, quase celebridade, P.J.M. regressou a Portugal em 2003 depois da rutura com a cineasta Pelin Esmer e com o seu editor de sempre André Jorge (Cotovia). Continuou a escrever compulsivamente. Mas para ele tal como para as personagens que foi criando a morte torna-se, por vezes, um lugar demasiado atraente. Sobre estes tempos sombrios P.J.M. diz apenas: «Por vezes é preciso morrer para ver melhor. Morrer para renascer.»
Agora em Curitiba escreve, reescreve, toca, reinventa-se. Por necessidade, por fatalidade. Áurea, a nova companheira, é advogada e ajudou-o a tratar da documentação. «Agora até já tenho o Cartão de Cidadão», diz, rindo.
Numa estranha coincidência, quando a Notícias Magazine preparava esta entrevista, Paulo recebeu a proposta editorial mais prometedora dos últimos anos: Gonçalo Bulhosa, da editora Oficina do Livro, queria editar não só os seus novos romances como reeditar toda a obra anterior. Filhas, que chegou às livrarias no início de julho, é o romance que promete abrir a nova fase da vida de Paulo José Miranda e, quem sabe, colocá-lo definitivamente nas rotas literárias dos portugueses, porque afinal, como ele próprio escreveu um dia, «só sofremos de amor e de uma obra por cumprir».


Trilogia marcante de um autor português da jovem geração
3 obras em excelente estado ( novos)


VT do mesmo autor:
http://alfarrabistamitodesisifo.blogspot.pt/2014/02/trilogia-de-paulo-jose-miranda-1s.html
e
http://alfarrabistamitodesisifo.blogspot.pt/2014/02/paulo-jose-miranda-o-corpo-de-helena-1.html

Preço da trilogia: 100€ 

Cada livro vendido individualmente: 36€

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Mário de Sá-Carneiro. A confissão de Lúcio.1961. 2ª edição ( 1ª de 1914). Edições Ática

Mário de Sá-Carneiro


A confissão de Lúcio


Narrativa


1961


2ª edição ( 1ª de 1914)


Edições Ática


Coleção obras completas de Mário de Sá-Carneiro






A CONFISSÃO DE LÚCIO - Mário de Sá Carneiro (resumo)

Novela escrita em primeira pessoa, consiste em uma análise do mundo sensorial. Ao modo próximo dos simbolistas, o narrador vai captando as relações mais íntimas do âmbito da percepção, levando esse conjunto de sensações a rever o conceito de realidade e aproximá-la do fantástico. Nesta obra o narrador, um sujeito provinciano está a contemplar a beleza e a riqueza do mundo cultural e urbano de Paris. O protagonista ao fechar num enredo absurdo, um tanto quanto sem lógica, deixa-se condenar por um crime que, a rigor, não cometera, mas tudo isso é fruto de um amor pervertido que o leva a ficar próximo da loucura: “Cumprido dez anos de prisão por um crime que não pratiquei e do qual, entanto, nunca me defendi.”
Num primeiro momento a história de desenvolve na Paris de 1895. O narrador, Lucio, nos conta do meio artístico e destaca-se nessa narração a figura de Gervásio Vila Nova: escultor, dono de uma conversa envolvente, embora fosse algo “disperso, quebrado, ardido”. Destaca-se ainda, nesse momento, a admiração que vai desenvolver por uma misteriosa americana, mulher rica e linda: “Criatura alta, magra, de um rosto esguio de pele dourada - e uns cabelos fantásticos, de um ruivo incendiado, alucinante.” Por meio dela fica sabendo da chegada de Ricardo Loureiro, poeta cuja obra era muito admirada.
Numa festa promovida por Gervásio, Lúcio é apresentado a Ricardo. Logo da primeira conversa vai se desenvolver uma grande amizade e admiração entre ambos.
A admirada americana ruiva desaparece de cena, Gervásio também encerra aqui sua participação no enredo, uma vez que retorna a Portugal. Enquanto as conversas com os outros tinham um interesse voltado para o intelectual, o conhecimento, as feitas com Ricardo pareciam atingir a alma de Lúcio. Desse amizade nasce uma relação que pode ser representada como sendo uma projeção de Lúcio sobre o outro, Ricardo. Pressente-se um tom de homossexualidade: “Mas uma criatura do nosso sexo, não a podemos possuir. Logo eu só poderia ser amigo de uma criatura do meu sexo, se essa criatura ou eu mudássemos de sexo.”
Ricardo vai para Lisboa, ficam os amigos separados por um ano, trocam-se cinco cartas durante esse período. Em dezembro de 1897 Ricardo retorna a Paris: “As suas feições haviam-se amenizado, acetinado - feminilizado, eis a verdade.” Lúcio sabia, no entanto, que Ricardo havia se casado. Num jantar Lúcio é apresentado a ela, Marta: “Era uma linda mulher loira, muito loira, alta, escultural (....) Cheguei a ter inveja de meu amigo.”
Os três ficaram amigos inseparáveis. Participavam em reuniões de amigos intelectuais e artistas, e nessas se destacava a figura de Sérgio Warginsky, músico russo, que no entanto, vai criar uma impressão negativa e de quase ódio em Lúcio.
Envolvido com sua produção literária, por vezes, Ricardo deixava Lúcio a sós com Marta. Entre situações às vezes constrangedoras que beiravam o limite da amizade, Lúcio começa a se sentir envolvido pela figura de Marta. Até que, enfim, Marta torna-se amante de Lúcio. Lúcio acaba se apaixonando por Marta, apesar de continuar a amizade com Ricardo. Estranhamente Lúcio atenta para alguns detalhes da fala de Ricardo, como quando o amigo lhe diz que ao se observar ao espelho não mais se via: “Ah! Não calcula o meu espanto... a sensação misteriosa que me varou... Mas quer saber? Na foi uma sensação de pavor, foi uma sensação de orgulho.”
Por outro lado, Marta também parecia a Lúcio como uma mulher irreal: “sim, em verdade, era como se não vivesse quando estava longe de mim.” Nada confirmava sua existência além do perfume penetrante que ficava no leito, precisava não mais provar o amor, mas a existência real dessa misteriosa mulher que tanto se entregava a ele e que traía com intensidade o amigo: “As suas feições escapavam-me como nos fogem as das personagens dos sonhos. E, às vezes, querendo-as recordar por força, as únicas que conseguia suscitar em imagem eram as de Ricardo. Decerto por ser o artista quem vivia mais perto dela.”
Depois de algum tempo, Marta torna-se fugidia, demora-se menos com Lúcio, os encontros tornam mais difíceis. Lúcio começa a desconfiar de Marta e desenvolve um sentimento de ciúme. Nas tardes em que apenas encontra o amigo Ricardo, começa a procurá-la desesperadamente. Uma vez seguindo Marta, descobre que ela fora ao apartamento de Sérgio Warginsky. Por essa época, Lúcio terminara uma peça de teatro e começa a andar pelas ruas, em uma dessas andanças encontra Ricardo, este lhe faz uma estranha afirmação, de que Marta é uma criação de Ricardo: “Compreendemo-nos tanto, que Marta é como se fora a minha própria alma,. Pensamos da mesma maneira; igualmente sentimos. Somos nós dois... (...) E ao possuí-la, eu sentia, tinha nela, a amizade que te deveria dedicar.”
Nesta cena alucinante, Ricardo mata Marta, e então Lúcio descobre que um mistério envolvia essa morte: Marta folheava um livro, em pé, ao fundo da casa. Ricardo dá-lhe um tiro à queima roupa: “E então foi o Mistério... o fantástico Mistério da minha vida...
Ó assombro! Ó quebranto! Quem jazia estiraçado junto da janela não era Marta - não! - era o meu amigo, era Ricardo... E aos meus pés - sim, aos meus pés! - caíra o seu revolver ainda fumegante!...”
Marta desaparecera, como uma ilusão, uma névoa.

Livro marcante de uma época e de uma personalidade histórica do modernismo português.
Excelente encadernação de carneira com filete a ouroMuito bom estado. Miolo impecável

Preço 50€  

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Mário-Henrique Leiria. Depoimentos escritos. Contos, poemas e cartas de amor. 1ª edição. 1997. Editorial Estampa

Mário-Henrique Leiria

Depoimentos escritos. Contos, poemas e cartas de amor

Editorial Estampa

Coleção Ficções, 26

1ª edição

1997

340p.







.... A 25 de Novembro de 1975 o General Eanes e o Grupo dos Nove dão um golpe militar para travar Abril montado no esquerdismo galopante. Ficas muito preocupado, temes o regresso ao tempo da Outra Senhora, ao fascismo. Tratas logo de aderir ao PRP - Partido Revolucionário do Proletariado - da Isabel do Carmo e do Carlos Antunes, que insistem na acção armada para defender a Revolução.
- Ó Mário-Henrique: mas se nem uma bengala tu consegues segurar como deve de ser, quanto mais uma espingarda ou metralhadora...
Que te importa! O que é preciso é agitar a ideia da acção armada, ai Carbonária,Carbonária...
Muitas vezes vou bater à tua porta a convidar-te a dar uma volta de carro. Aceitas sempre. De Carcavelos vamos à praia do Guincho e depois subimos à Serra de Sintra. Gostas muito de ir até ao Cabo da Roca. Será por causa da paisagem agreste, ou por ser ali a ponta mais ocidental da Europa? Sabe-se lá o que se passa pelos teus miolos...
Em Janeiro de 1980 és internado no hospital de Cascais. Um lampejo, a Fipsy, a Isabel e, sem dares cavaco aos amigos, passas-te. És um chato!
Bem, acho que já acabei a evocação da tua vida e da tua obra, vou botar aqui um ponto final.
Espera, espera aí um instante que está a chegar um fax. Não me surpreende: é o São Pedro a lamentar-se que não desistes de converter o Império do Céu em República Popular do Purgatório.

créditos de http://www.vidaslusofonas.pt/index.htm
Livro marcante de uma época e de uma personalidade histórica do movimento surrealista português.

Capa e miolo em muito bom estado

Preço 35€  

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

António Viana. Always. Catálogo Exposição 2010. Galeria Novo Século

António Viana

Always

Exposição Galeria Novo Século

11 Novembro 2010 a 4 de Dezembro 2010

Design catálogo Luís Carvalhal


Exposição
54 acrílicos sobre papel manual 
8 acrílicos sobre papel
1 objecto 
Obras de 2006 a 2010





Artista Plástico e Museógrafo


António Viana, nasceu em Coimbra a 19 de Maio de 1947. Realizou a primeira exposição individual em 1966. Tem exposto regularmente desde essa data em Portugal e no Estrangeiro. Além da actividade de artista plástico desenvolve regularmente a actividade de museógrafo, com trabalhos realizados para diversos Museus, Exposições Temporárias e Itinerantes em Portugal e em diversos Países da Europa, América e Ásia. A sua obra está representada em colecções oficiais nacionais e estrangeiras.



Preço : 25€ 
+ portes de 1,7€ para Portugal Continental e ilhas, 3,40€ correio registado
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Pedro Homem de Mello. Eu hei-de voltar um dia.Lisboa: Edições Ática [1966] 1ª edição

Pedro Homem de Mello

Eu hei-de voltar um dia

Lisboa

Edições Ática

1ª edição

[1966] 

19,6 cm x 14,5 cm

136 págs.

Coleção Poesia Fundada por Luís de Montalvor







Pedro Homem de Melo, de seu nome completo Pedro da Cunha Pimentel Homem de Melo, nasceu no Porto, em 1904 e faleceu em 1984, foi um poeta, professor e folclorista português.

Frequentou a Universidade de Coimbra e a Universidade de Lisboa, onde se formou em Direito. Foi advogado e professor, exercendo funções de direcção de uma escola, no Porto. Notabilizou-se como poeta, tentando conciliar a expressão metafórica elaborada com a tradição popular, o paganismo com a formação católica, a expressão do corpo – às vezes erótica – com valores religiosos. Nem sempre essa conciliação é conseguida e pacífica. Manifestou interesse pelo folclore e pelas danças populares, escrevendo sobre estes assuntos.



Impresso sobre papel superior avergoado.  Exemplar estimado, miolo limpo, capa com sinais de alguma humidade


Preço : 45€ 
+ portes de 1,7€ para Portugal Continental e ilhas, 3,40€ correio registado
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Manuel Grangeia Crespo. Apelo ao Povo. 1ª edição. Edição do autor.[1976]

Manuel Grangeia Crespo

Apelo ao Povo

1ª edição

Edição do autor

[1976]

120p.





OBRA DE COLEÇÃO
RARIDADE

Edição de promoção de uma candidatura e de um Candidato Surrealista às Eleições Presidenciais de 1976.

Livro com texto policopiado de AVISO AO POVO
 para divulgação, e angariação das assinaturas para viabilizar a candidatura Presidencial de Jaime Manuel Brás de Almeida Crespo.








Na obra promove-se a defesa de uma Constituição Popular composta por apenas 3 capítulos:

No 1º Capítulo diz-se que:

- Em cada distrito existirá uma Universidade
- Em cada concelho existirá um Liceu
- Em cada Freguesia existirá uma escola

No 2º capítulo trata da organização do estado popular:

A A nivel Comunal
B A N´vel Municipal
C A Nivel Distrital
D A Nível nacional
          Composta por uma Assembleia Popular Nacional composta por um representante de cada Assembleia  Comunal
e por Moderadores Nacionais: O reitor de uma escola comunal, O reitor de um Liceu e o Reiror duma Universidade.

No 3º Capítulo.... capitulo transitório entre o estado Popular e o Estado Oficial Partidário, gerido por Um Conselho da Revolução

Manuel Grangeia Crespo

Autor dramático nascido em 1939, em Viana do Castelo, e falecido a 23 de março de 1983, em Lisboa, que evolui de um teatro marcado pela influência de Jean Genet, em Os Implacáveis, para uma dramaturgia que, na esteira de Artaud, coloca em relevo o carácter ritualístico e mágico do espetáculo teatral, em O Gigante Verde.


Exemplar como novo, capa e miolo com marcas ligeiras de humidade.
Inclui extra texto comunicado policopiado de promoção da candidatura presidencial



Preço : 50 € 
com portes registados para Portugal Continental e ilhas
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Maria Teresa Horta, Minha mãe meu amor. 1ª edição, Ilustrada, Rolim, 1986

Maria Teresa Horta

Minha mãe meu amor

1ª edição

Ilustrações extra-texto de Regina Chulam

Edições Rolim

Coleção Ilhas

Capa José Carlos Albernaz

1986

150p






Maria Teresa Horta

por Patrícia Reis, em 22.11.12
Ontem, na entrega do Prémio Máxima a Maria Teresa Horta calhou-me o privilégio de falar sobre ela. Assim:

A Maria Teresa disse:
Estou a fazer marmelada mas como me pode surgir um poema e depois perco a noção do tempo, ligo um alarme. Para não deixar queimar os marmelos com o açúcar. Não posso é deixar que o poema me escape da mão, percebes?

A desobediente disse tudo isto com uma calma imensa, um
riso pequeno guardado no canto de cada palavra.
Podíamos esquecer o cinzento lá de fora e ainda o estranho barulho na cabeça. Somos uma aparição uma da outra entre a marmelada e o poema. Agitamos a solidão, uma da outra, na panela já gasta. Uma colher de pau na mão, sempre na direcção do relógio. Sem pressa.

A minha relação com Maria Teresa Horta é feita destes pedaços. E, através dos seus olhos cor de mar, vejo o mundo de outra forma. Desde que a descobri, por fim, a palavra que melhor me serve surgiu com enorme clarividência: desobediência. Ela é desobediente e eu sou igualmente feita desse molde que não se encaixa em nada.

Há muito que nos separa, a começar pela idade, mas isso pouco nos importa. As nossas conversas fluem como água fresca num riacho e, de repente, pela noite, chega um poema numa letra a azul que a Maria Teresa escolhe e, no fim, a assinatura para aqueles que ama: beijo-te de te adorar. Nunca ninguém me tinha escrito nada de semelhante: beijo-te de te adorar. O amor entre as mulheres, amizade que nos cola e não se explica, nasce de uma forma algo inusitada. É um mistério. E, ao mesmo tempo, um regresso a um lugar de consolo, de renascimento.
Eu, a admiradora, ela, a escritora, poetisa, activista que tanto me tinha dado.

Leio a Maria Teresa desde os meus 13 anos.

No ano passado li e reli as Luzes de Leonor e nunca perco a sua poesia de vista. Preciso que esteja perto. E preciso ainda de um sentido ético que existe na Maria Teresa e que, ligado à desobediência e a um sentido político de cada acto individual, define a sua maneira de estar e ver o mundo. Não é – nunca foi ou será – uma mulher como as outras, uma acomodada, comodista, politicamente correcta, calada, submissa. No entanto, nada disto invalida o outro lado da moeda. É que com a Maria Teresa aprendemos a paixão, o empenho, o entusiasmo, a não desistência que é diferente da militância cega e fundamentalista.

Os poemas ditos eróticos de Maria Teresa são poemas de amor e ela carrega em si, na sua pele, na escrita, um amor imenso por pessoas que a rodeiam, do marido, Luís, ao filho Luís Jorge, à nora e filha de coração Antónia e aos netos Bernardo e Tiago. Mas há mais outros laços e rotinas que a encantam. As sextas-feiras da família. O bolo que faz, a marmelada que pode queimar e, acima de tudo, a ideia de que a escrita está na ponta dos dedos, no fim ou princípio de um caudal de alma que será derramado, diariamente, num poema. E um poema pode ser uma frase ou um desabafo. Ou, para quem saiba entender, um exercício de expulsar a tristeza. Pelo menos de tentar expulsar a tristeza.

Há um certo espelho da vida da Teresa que eu encontro na minha. Talvez por isso tenha demorado tanto tempo a ter a coragem de lhe falar. Depois disso nunca mais nos largámos e sei que será assim.

Esta homenagem, ou qualquer outra, comove-me e enche-me de orgulho, já que todas as vezes que alguém acarinha, lê e apreende o que Maria Teresa Horta anda a escrever há mais de 52 anos (faz este ano 52 anos de vida literária, teve o seu primeiro prémio como um prémio de carreira da revista Máxima em 2008 e o Dom Dinis no ano passado) eu acredito que fico menos sozinha no mundo. Tudo graças a esta mulher absoluta, a minha nossa senhora dos anéis.

Tiragem de 1650 exemplares em papel superior. Livro como novo, capa, lombada e miolo limpos


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