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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Exílio Perturbado, Urbano Tavares Rodrigues, 1ª edição, Bertrand , 1962


URBANO TAVARES RODRIGUES

Livraria Bertrand

Coleção Autores Portugueses

Capa Guilherme Casquilho

1962

1ª Edição

282 pág + 4

19cm

... ao longo da carreira, sente-se injustiçado por nunca ter conquistado o Grande Prémio de Romance e Novela da então extinta Sociedade Portuguesa de Autores, hoje APE, sobretudo quando concorreu com “Exílio Perturbado” (1962): “Um dos meus melhores romances, preterido pelo livro de Jorge Reis ‘Matai-vos Uns aos Outros’.
Foi uma grande injustiça.” Questionado pelo Ípsilon, o actual presidente da APE, José Manuel Mendes, não pestaneja: “O Grande Prémio de Romance e Novela é atribuído, ano após ano, por decisão exclusiva, livre e responsável, de cada júri. À direcção da APE cabe tão-só escolher com critério, exigência e isenção os cinco membros  que assumem o resultado final.” Em todo o caso lembra que a APE “no uso de competência própria, outorgou a Urbano o Prémio Vida Literária, em 2002, uma alta distinção que prestou homenagem à obra multímoda, inconfundível, de um autor que marcou sucessivas gerações de escritores e leitores.” Uma fonte da D. Quixote tem outra visão. “É preciso não esquecer que ele é comunista.” Urbano também não entende: “Se Diogo Freitas do Amaral me tivesse pedido para apresentar ‘O Magnífico Reitor’[Gradiva 2001], não diria que não.”

Ipsilon, 2 Nov 2007

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Terra Ocupada, Urbano Tavares Rodrigues, 1964, 1ª edição





URBANO TAVARES RODRIGUES

capa de Luís Filipe Abreu
Lisboa, 1964

Livraria Bertrand

1.ª edição

19,1 cm x 12,5 cm

232 págs.



Por esta altura, 1964, Urbano Tavares Rodrigues era dado na PIDE, não como mero simpatizante de ideais oposicionistas ao regime vigente, mas, de uma vez por todas, como comunista, «[...] após ser signatário de vários abaixo-assinados e petições, nomeadamente para a realização de um congresso de democratas, de amnistia para os presos políticos, contra a censura, ser testemunha de defesa em julgamentos de presos políticos, e por umas quantas actividades e acções mais ou menos “suspeitas” e clandestinas nas JAP [Juntas de Acção Patriótica]. Em 1965 é proibido de dar aulas no ensino particular, porque “não oferece garantias de cooperar na realização dos fins superiores do Estado”. [...]» (Fonte: Luísa Duarte Santos, «Alvor de um poeta de generosidade militante», in Escrevivendo Urbano Tavares Rodrigues – Exposição Biobibliográfica, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 2009)


"Qual maioria qual quê! Alguém que puxe fogo ao rastilho e você verá?", defende em "Terra Ocupada" (1963). O espírito subversivo e militante do escritor floresce quando participa na Revolta da Sé em 1959, no mesmo ano em que escreve o primeiro romance, "Bastardos do Sol", um sucesso de vendas em França e Portugal. Constantemente assediado pela PIDE , Urbano é preso por três vezes em Caxias, conseguindo neste período (de 61 a 68) passar para fora obras como "Os Insubmissos" (1961) ou "Exílio Perturbado" (1962). Em França encontrou sempre o refúgio recorrente para um salazarismo que se tornava insuportável para a criatividade e ensino.

Um socialista convicto, Urbano passa também a filiado do Partido Comunista em 1968, tendo no mesmo ano assistido à grande greve geral francesa. Como dirigente do sector intelectual do partido, o escritor critica arduamente o Estalinismo da URSS, elogiando ao mesmo tempo Álvaro Cunhal, figura que o convenceu a fazer parte do PCP. O regresso definitivo de Urbano a Portugal acontece com o 25 de Abril, voltando a trabalhar como professor na Faculdade de Letras.

, in http://www.ionline.pt/artigos/portugal/urbano-tavares-rodrigues-romance-prefacio-no-alentejo por Luís de Freiras Branco


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A Jangada de Pedra. José Saramago, 1ª edição, 1986




JOSÉ SARAMAGO

A Jangada de Pedra

Lisboa

1986

Editorial Caminho

1.ª edição

21 cm x 13,5 cm

332 págs.



«[...] Fruto imediato do ressentimento colectivo português pelos desdéns históricos da Europa (mais exacto seria dizer fruto de um meu ressentimento pessoal...), o romance que então escrevi – A Jangada de Pedra – separou do continente europeu toda a Península Ibérica para a transformar numa grande ilha flutuante, movendo-se sem remos, nem velas, nem hélices[,] em direcção ao Sul do mundo, “massa de pedra e terra, coberta de cidades, aldeias, rios, bosques, fábricas, matos bravios, campos cultivados, com a sua gente e os seus animais”, a caminho de uma utopia nova: o encontro cultural dos povos peninsulares com os povos do outro lado do Atlântico, desafiando assim, a tanto a minha estratégia se atreveu, o domínio sufocante que os Estados Unidos da América do Norte vêm exercendo naquelas paragens... [...]»

Extracto do discurso pronunciado na Academia Sueca por altura da atribuição do Prémio Nobel.

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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Bernardo Santareno. António Marinheiro (o édipo de Alfama). sd ( 1960) 1ª edição. Divulgação. Porto

Bernardo Santareno

António Marinheiro (o édipo de Alfama)

Peça em 3 actos

Porto

s.d. ( 1960)

1ª edição

capa de António Emílio Teixeira Lopes

Edição do autor

Divulgação - Porto

Obra marcante no percurso de Bernardo Santareno





Livro com lombada em mau estado do uso intenso. 
Muito valorizada pela dedicatória do autor datada de Janeiro de 1968 à actriz Olga da Fonseca que iria representar na peça a personagem de "Bernarda".


A curiosidade da obra é que os diálogos de Bernarda estão sublinhados, marcados e com anotações de indicação à actriz da colocação no palco, expressão artística a adoptar nessas cenas e indicação de deixas.






De Tebas a Alfama: Bernardo Santareno e o mito de édipo*

Maria Eugénia Pereira
Universidade de Aveiro
C’est tentant de photographier la Grèce en aéroplane. 
On lui découvre un aspect tout neuf.
A vol d’oiseau de grandes beautés disparaissent,
d’autres surgissent; il se forme des rapprochements,
des blocs, des ombres, des angles, des reliefs inattendus.

Cocteau, Antigone

Presente na nossa linguagem quotidiana, definido de forma singular pelos eruditos, o mito representa um campo de batalha onde historiadores, historiadores das religiões, antropólogos, psiquiatras procuram dar provas do seu saber. Mas, como nos diz Mircea Eliade, porque «o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ter uma abordagem e uma interpretação em perspectivas múltiplas e complementares»1, a sua designação resulta de um conjunto de noções que se sobrepõem e que se opõem, delimitando o tipo de abordagem realizado pela corrente de pensamento de uma época.

Também não falta uma série de interpretações do mito de Édipo uma vez que os teóricos o tomaram como exemplo para estabelecer a pertinência dos seus métodos, mas, talvez a representação filosófica e histórica do mito seja aquela que melhor se adeque à adaptação, no século XX, de mitos antigos, gregos e romanos. O desejo de querer fugir de uma sociedade, que pretende ser lógica e objectiva, leva a que o mito seja utilizado ou recriado, tornando-se um dos suportes mentais do homo sapiens. Dado que o tempo que o homem dedica à imaginação é cada vez menor, e tem tendência para desaparecer, há, pois, que lutar contra esse fenómeno para conseguir sobreviver, para estabelecer um equilíbrio na vida. Victor Jabouille diz-nos a esse respeito que:Depois de Freud, Jung, Fromm, Bachelard e Durand, sabemos que o homem, para sobreviver,
precisa não só de imagens como, sobretudo, de fabricar sequências com essas imagens.2 

Bernardo Santareno sentiu essa necessidade de se afastar da vida real e procurou instalar-se num mundo onde pretendia encontrar novas forças para criar ou inventar e esse mundo é o do mito. É nesse universo mítico que se desenvolve a sua peça em 3 actos António Marinheiro (o Édipo de Alfama). Nela, o autor exprime, através de uma transposição popular directa da tragédia grega Rei Édipo de Sófocles, e de uma transposição indirecta do complexo de Édipo, a sua verdade, a da maldição que pesa sobre as mulheres e a da inibição para o amor dos homens.

Partindo do princípio que o mito é a verdade de um universo primitivo onde predomina a unidade absoluta entre os seres, os deuses e as coisas, talvez possamos debruçar-nos sobre a representação filosófica e histórica do mito, concebida e exposta por Gusdorf na sua tese Mythe et métaphysique3, para explicar a natureza do mito na obra de Bernardo Santareno. 

Gusdorf estuda o mito e a sua natureza em três momentos diferentes da sua história: o primeiro, do mito vivido pela consciência mítica nos tempos imemoriáveis de um Éden pré-adamita; o segundo, do mito pensado e organizado pela consciência intelectual da época clássica - essa submissão à inteligência anula qualquer possibilidade de autenticidade e redu-lo à simples forma de um discurso - ; o terceiro, do mito readmitido pela consciência existencial que permanece insatisfeita perante as explicações da razão triunfante. 

Partindo do pressuposto que o mito deve ser encarado e vivido como a verdade, e já não como uma lenda, um relato de acontecimentos extraordinários, ele «constitui um formulário ou uma estilística do comportamento humano na sua inserção entre as coisas»4.Não sendo separado do contexto existencial a que pertence, ele adquire uma função de participação, de intervenção que ajuda o homem a compreender-se.

Bernardo Santareno também vai utilizar o mito para exprimir a sua verdade, a de uma realidade vivida num universo autêntico, mas, não podendo abstrair-se da cultura e do pensamento da sua época, a sua criação vai querer partilhar o discurso e o modo de pensamento de grande parte dos intelectuais da sua época5.

Tal como os seus contemporâneos, Gide, Cocteau, Giraudoux e Anouilh, Bernardo Santareno vai apoderar-se da evolução do mito, que vai do seu estado primitivo de verdade autêntica e vivida à forma intelectual que adquiriu finalmente. A mitologia, assim integrada no universo do discurso, transforma-se num dispositivo intemporal, tornando-se palavra explicativa das situações e dos seres, e reduto das formas de escrita e de pensamento. Exprime, pois, a reflexão de uma época e a consciência humana de todos os tempos.

Nessa perspectiva, e segundo também Ana Paula Medeiros, na sua tese Do Teatro em Bernardo Santareno, se deve situar o dramaturgo que possui «um misto de concepções românticas (…) – que correspondem à necessidade de regresso a uma pureza perdida – e, simultaneamente, uma atracção pela mítica cultura grega»6, sendo esta uma referência permanente em toda a sua obra.

A sua obra, António Marinheiro (O Édipo de Alfama), depende fortemente do tempo histórico em que se encontra ancorada sem deixar, contudo, de renovar o mais antigo dos discursos literários, a fábula mitológica do rei de Tebas, para tentar reaver um absoluto, um tempo que está, definitivamente, perdido para o homem.

Procurando um público que fosse capaz de o entender, de penetrar o significado do seu discurso, o poeta pensou encontrar na mitologia o meio mais seguro de alcançar a consciência universal.

No entanto, o autor transcende a mera recriação de uma linguagem ou de um modo de comunicação: ele respeita também o ser singular que ele representa. Na sua imitação, retém, antes de mais, o que os verdadeiros criadores de mitos lhe deixaram e transforma o que a sua intuição, quase infalível, lhe determinava escolher. O mito adquire, assim, a forma íntima do seu ser e das suas angústias.

A dramaturgia "santariana" exprime e exterioriza as próprias perplexidades do autor, originadas pela experiência pessoal, mas não esquece o contexto estilístico, idelógico e social que a circunda:

A obra de um dramaturgo autêntico terá de ser, em grande parte, o homem que ele for. É claro que não me refiro a grosseiros aspectos biográficos; penso na sua realidade interior, nas coordenadas éticas, políticas e religiosas que o norteiam. Assim é que Bertholt Brecht criou um teatro sociológico, Ionesco o auto-teatro e Paul Claudel um teatro católico. (…) Aliás, se é autêntico, o dramaturgo não pode realmente, mesmo que queira, sair de si, do seu mundo, das suas verdades, dos seus obscuros movimentos de afectos e instinto. Pode, sim, alargá-los, engrendecê-los, fazendo-os viver por personagens muito acima do homem que ele é.»7

O autor existe na e para a sua obra, na medida em que escreve para actuar, para alterar o panorama político e cultural da sua época. Confrontado com o autoritarismo do poder censório, Santareno procurava criar o seu próprio caminho no seio da dramaturgia quer portuguesa, quer europeia. A liberdade escolhida pelas suas personagens Amália e António encontramo-la no dramaturgo quando tematiza problemas da actualidade. Tendo a realidade portuguesa como pano de fundo, Bernardo Santareno pretende questionar essa mesma realidade. Mais ainda, ele pretende circunscrever essa realidade a um local preciso, bem determinado: Portugal, Lisboa e, mais precisamente, o bairro de Alfama. 

Mas entenda-se por vontade de localizar, de recriar uma cenografia portuguesa, um meio de alcançar o universal. Como ele próprio nos diz (no Jornal de Letras e Artes):

Quero, sempre e cada vez mais a partir do «local», esforçar-me, ampliar-me no sentido de chegar ao «universal». (…) Cada vez estou menos disposto a «cosmopolizar-me»: cada vez mais, as minhas peças serão testemunho do meu povo, nesta hora. Testemunho interessado, participante e interveniente, comovido.»8

Assim, em António Marinheiro, o autor retira as suas personagens do interior das muralhas de Tebas, antes de Jesus Cristo, e coloca-as na segunda metade do século XX, fá-las viver num cenário típico onde o fado, o vinho e a taberna são elementos caracterizadores de uma mentalidade pitorescamente portuguesa. O marujo lisboeta que é António Marinheiro, a costureira que é Amália são o Édipo e a Jocasta de Sófocles despojados da sua realeza. O drama desceu até ao povo, o povo português para tratar problemas universais, comuns a todos os homens: o desespero, o medo, o amor, a morte, a liberdade, o destino.

Em António Marinheiro (O Édipo de Alfama), o artista afere a validade de alguns processos dramatúrgicos conhecidos da modernidade europeia, apesar de estes serem mais evidentes na segunda fase da sua obra, depois da sua peça o Judeu de 1966. Fascinado pela tragédia antiga, Santareno reescreve-a para testemunhar a tragicidade contemporânea onde se encontra o «sentimento trágico da existência» que Lorca, Sartre, Genet, assim como Beckett e Ionesco, já exprimiam. Esta peça surge, pois, de uma articulação entre uma influência longínqua - o trágico grego - e uma influência mais próxima - o absurdo9 «como que a confirmar que o trágico não está, pois, nos acontecimentos, nem exclusivamente nos homens. Reside, essencialmente, na especial relação que os implica (…)».10

António Marinheiro obedece, tal como Édipo, a forças superiores – o destino, aqui o fado - que o vão dilacerando até que se reencontre com a sua verdadeira identidade: avança, passo a passo, para a catástrofe. Como diz a personagem Rosa: «É este o meu fado: cada qual é pró que nasce…»11. 

António é conduzido para o mal involuntariamente: «Antes de te encontrar, eu não me sentia bem em nenhum lado: tinha uma coisa aqui dentro sempre a roer, a roer… uma força que, sem descanso, me empurrava nem sei pra onde»12. Ele é empurrado para o assassínio de um homem e é levado a apaixonar-se por uma mulher que lhe corresponderá: é o fado, o destino, mau, porque esse homem era seu pai e essa mulher sua mãe. Onde esteve a liberdade?

Descoberto o mal – o incesto e o parricídio -, as normas sociais deveriam levar à culpabilidade e ao castigo das personagens principais – Amália e António -, mas, recusando a penitência social, fazem do destino o «derradeiro obstáculo à plena realização da liberdade humana.»13 As personagens lutando contra a normatividade e escolhendo o seu caminho, afirmam o seu eu sincero. O povo do bairro de Alfama reclama a morte de António e de Amália pelo incesto cometido mas, assumindo, definitivamente, o seu papel de marido e mulher que se amam, correm um para o outro e beijam-se desesperadamente mas, também, apaixonadamente14. Esta novidade "santariana" obriga a um desenlace forçosamente diferente da obra modelo: António afirma a sua liberdade partindo com Rui, e Amália, contrariando a propensão maternal, presente em todas as outras adaptações edipianas, decide-se pela mullher e não pela mãe. Por isso, perante a exigência do povo que se mate15, a mulher apaixonada, inocente no crime, na medida em que ignorava os laços de sangue que a uniam a António, decide viver: «Quero viver!!… Hei-de viver, Rosa!… Que ninguém me toque!… Que ninguém me faça mal!!… Hei-de viver»16. Como nos diz Vítor Jabouille na sua tese intitulada Édipo: da antiguidade aos nossos dias, «(…) Amália afirma o abater da moral e o erigir uma nova em que imperam os sentimentos individuais sobre os conceitos pré-estabelecidos e impostos»17.

Menos inocente que no mito clássico – onde Édipo recebe Jocasta em casamento porque venceu a esfinge –, o relacionamento de António e Amália repousa sobre o assassínio de José, marido de Amália, por António. Perante o povo do bairro de Alfama, e de toda uma sociedade impregnada de falsa moralidade ou, melhor dizendo, de um código moral muito tradicional, - aqui, constantemente representado por Bernarda - , a aproximação entre os dois é logo amaldiçoada. Já, nesta sua afirmação do amor, apesar do homicídio cometido, as duas personagens principais afirmam a sua liberdade porque decidiram que se concretizasse o amor entre ambos e que se realizasse o casamento. Esta liberdade de acção vai culminar, no final da obra, numa liberdade existencial.

A afirmação da liberdade, que valoriza a obra santariana, tem uma função de intervençã,o na medida em que contribui para uma maior consciencialização do que é humano. A acção humana é, nesta peça, orientada segundo um horizonte previamente definido: a moral tradicional. O homem, para cumprir o seu verdadeiro papel, que é o de desmascarar, de denunciar e de libertar, desafia o seu próprio destino e a sociedade evitando a morte e o castigo do modelo clássico.

As estruturas do mito de Édipo, sendo permanentes, voltaram a ser colocadas no presente para perpetuar uma realidade ontológica. Bernardo Santareno reinterpreta o papel exemplar dos heróis clássicos para alcançar o universo primitivo: o da realidade da vida humana fora do tempo.

Através dos dilemas e conflitos da sua heroína, o autor pretende contestar, intervir e actuar para um mundo melhor, onde a pureza existe no seu estado primitivo, despojada de qualquer artefacto socializante que impeça a individualização do ser humano. Assim sendo, a sua peça António Marinheiro ganha significação intemporal.


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Indústria, ideologia e quotidiano ( ensaio sobre o capitalismo em Portugal), João Martins Pereira, Edições Afrontamento, 1ª edição (1974)

João Martins Pereira

Indústria, ideologia e quotidiano

(ensaio sobre o capitalismo em Portugal)

Edições Afrontamento

1ª edição

1974

Coleção Luta de classes, 2

251 p.

Obra e autor marcantes do pensamento social e económico marxista português dos "anées de rêve et de poudre" portugueses (décadas de 60-70 do século XX)



Obra particularmente interessante, de análise económica de Portugal no período marcelista. Enviada para publicação em 22 de Abril de 1974, tornou-se impublicável tal como estava por um acaso histórico. Reformulada à pressa nalguns aspectos ficou como um documento serio de análise económica dum Portugal que aquando da sua publicação já não existia tal como estava descrito.





Depoimentos relevantes sobre João Martins Pereira:
Evocação de João Martins Pereira organizada pelo CES e CD 25 de Abril da Universidade de Coimbra em 2009 um ano após a sua morte prematura. 

O Radical que gostava de compreender as coisas (1932-2008) - Um texto de homenagem do Vitor Malheiros.
Bibliografia publicada

1963 - As instalações da aciaria da Siderurgia Nacional. Lisboa: [S.n.], 1963

1971 - Pensar Portugal Hoje / João Martins Pereira. 1ª ed. e 2ª ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1971 (Colecção Diálogos) 8

1974 - Indústria, ideologia e quotidiano (ensaio sobre o capitalismo em Portugal). Porto: Editora Afrontamento, 1974 (Colecção Luta de Classes) 9

1975 - Portugal 75: Dependência externa e vias de desenvolvimento. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1975 10

1976 - O Socialismo, a Transição e o Caso Português. Lisboa: Edições Livraria Bertrand, 1976 11

1979 - Pensar Portugal Hoje: Os caminhos actuais do capitalismo português. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 3ª ed., 1979 (Colecção Diálogos) [Inclui Introdução] 12

1980 - Sistemas Económicos e Consciência Social: Para uma teoria do socialismo como sistema global. Oeiras: Instituto Gulbenkian de Ciência, 1980 (Colecção Centro de Estudos de Economia Agrária - Instituto Gulbenkian de Ciência) Trabalho realizado com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. 13 14

1983 - No Reino dos Falsos Avestruzes: Um olhar sobre a política. Lisboa: Edições A Regra do Jogo, 1983 15

1986 - O Dito e o Feito: Cadernos 1984-1987. Lisboa: Edições Salamandra, 1986 16

1988 - Urgent infrastructural needs of portuguese industry in science, research and technology development / João Martins Pereira. 1ª ed. SL: Commission of the European Communities, 1988.

1995 - Indústria e Sociedade Portuguesa Hoje. Porto: Página a Página, 1995 Realizada no âmbito das “Conferências de Matosinhos – 1ª série”, em 14 de Abril de 1994, por iniciativa da CMM. 17

1996 - As PMEs industriais em números. Lisboa: IAPMEI, 1996 18

2002 – “Como entrou a siderurgia em Portugal?”. Comunicação apresentada ao Seminário "Com os Homens do Aço – história, memória e património”, organizado pelo Ecomuseu Municipal do Seixal em 25 e 26 de Outubro de 2002 19 20

2005 - Para a História de Indústria em Portugal 1941-1965: Adubos azotados e siderurgia. Lisboa: ICS - Imprensa de Ciências Sociais, 2005 (Colecção Estudos e Investigação, 37) Trabalho realizado no âmbito do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, projecto financiado pelo Observatório das Ciências e das Tecnologias, do Ministério da Ciência e Tecnologia. 21

2008 - As voltas que o capitalismo (não) deu. Lisboa: Edições Combate, 2008


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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Pensar Portugal Hoje, João Martins Pereira, Publicações D. Quixote, 1ª edição (1971) e 3ª edição (1979)

Pensar Portugal Hoje

João Martins Pereira

Publicações D. Quixote

1ª edição

1971

Coleção Diálogo, 12

165p




Obra e autor particularmente marcantes do pensamento social e económico marxista português dos anos do sonho e da brasa  (décadas de 60-70 do século XX)




Trata-se ainda da primeira obra de análise económica estruturada e aprofundada, sobre a sociedade portuguesa, assente numa visão e metodologia do pensamento económico marxista.

No mesmo mês de Janeiro de 1971, em período de primavera marcelista, de enorme mudança na infra-estrutura industrial do país e com efeitos já previsíveis da crise petrolífera, foram editadas e esgotadas as 1ª e 2ª edições, numa enorme surpresa editorial, não previsível nem pelo autor nem pela editora

Pensar Portugal hoje, marcou toda uma geração de esquerda que a partir inicialmente da redação de O Tempo e o Modo e depois através da crítica da obra, se afastou e começou a contestar a influência do PCP e a agrupar-se na EDE - Esquerda Democrática Estudantil ( que esteve na origem do MRPP ) e noutros movimentos que originaram diversos grupos de estrema-esqueda maoista, trotskista e libetária, em Portugal


Pensar Portugal hoje.

Caminhos actuais do capitalismo português

Publicações D. Quixote

3ª edição

1979

Coleção Participar, nº 14

175 p.




Depoimentos relevantes:

Sobre a obra vídeo do trecho do debate de Arnaldo Matos sobre a revista "O Tempo e o Modo" e João Martins Pereira 


Evocação de João Martins Pereira organizada pelo CES e CD 25 de Abril da Universidade de Coimbra em 2009 um ano após a sua morte prematura. 


O Radical que gostava de compreender as coisas (1932-2008) - Um texto de homenagem do Vitor Malheiros.


João Martins Pereira
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

João Martins Pereira (Lisboa, 24 de Novembro de 1932 — Lisboa, 13 de Novembro de 2008) foi um engenheiro industrial, economista, jornalista, ensaísta e político português.1 2
Entre Março e Agosto de 1975 foi secretário de Estado da Indústria e Tecnologia do IV Governo Provisório, presidido por Vasco Gonçalves, no ministério da Indústria e Tecnologia, tutelado por João Cravinho 3 , e foi o autor da nacionalização das grandes empresas industriais: siderurgia, cimentos, estaleiros navais, química pesada, petroquímica e celuloses.4

Fez parte da redacção da revista Seara Nova, foi fundador e colaborador da segunda série da revista O Tempo e o Modo, coordenador da secção de Economia da revista Vida Mundial, director interino do semanário Gazeta da Semana e director da Gazeta do Mês.

Foi autor de inúmeros ensaios e artigos de opinião e de vários livros na área da economia industrial e da história da indústria e do capitalismo em Portugal. Entre as suas obras, destaca-se: À esquerda do possível (1993), com João Paulo Cotrim e Francisco Louçã, 'O socialismo, a transição e o caso português, Indústria, ideologia e quotidiano e Para a História da indústria em Portugal (2005).1

João Manuel Midosi Bahuto Pereira da Silva Martins Pereira nasce a 24 de Novembro de 1932 em Lisboa, na freguesia de Belém. Filho de Carlota do Rosário Midosi Bahuto Pereira da Silva Martins Pereira e de Flávio Martins Pereira.


Quando tem um ano de idade, a sua família muda-se para Algés, onde viverá até aos sete anos. Em 1939 mudam-se para Lisboa, para uma casa na Av. 5 de Outubro, que ocupará até 1966. De 1939 a 1942 faz a instrução primária em casa, com uma professora particular, juntamente com a irmã. É nesta altura que começa a escrever e a fazer livros e jornais ilustrados (Rim-tim-tim, O Tareco, Tiro-liro).



Em 1942 é admitido no Colégio Académico, mas é obrigado a interromper as aulas por doença e a fazer um ano de repouso. São deste período a 2ª série do Tiro-Liro, o jornal Júpiter e o começo do seu interesse pelas notícias, que não o abandonará ao longo da vida. Entre 1944 e 1949 frequenta o Colégio Valsassina, onde completa o curso liceal.



Vida estudantil

Em 1950 entra para o Instituto Superior Técnico (IST), onde frequenta o curso de Engenharia Químico-Industrial.5 É durante estes anos que descobre Jean-Paul Sartre, que se tornará uma referência central no seu pensamento. Falará dessa época no seu livro "No reino dos falsos avestruzes" (1983):"Eu fiz 20 anos em 1952. Não crente já então, se é que o fui alguma vez, eu era a ignorância do mundo, das coisas, das pessoas. Estudava engenharia, afincadamente. Mas desencantadamente. Punham-se-me as questões metafísicas (e físicas) do costume, as ditas «próprias da idade», e outras menos próprias. No meio disto, apenas duas armas, que já deviam vir, como hoje se diz, no meu «código genético»: uma enorme curiosidade, uma visceral propensão para o «não-alinhamento». Debicava sem nexo, como qualquer galináceo, nos grãos que, ao acaso das circunstâncias, me vinham cair no minúsculo pedaço em que me movia: livros, filmes (cine-clubes), associação de estudantes, pouco mais. E sem nexo continuei, anos fora, até que, já nem sei como, dei comigo embrenhado no mundo sartriano."6

É no IST que conhece João Cravinho, três anos mais novo, com quem manterá uma relação de amizade ao longo da vida. Cravinho descrevê-lo-á como "um participante destacado nas actividades associativas", "um interventor selectivo com particular queda para ajudar a pensar e a resolver os problemas de fundo com que a Associação se debatia", possuidor de "uma cabeça bem arrumada, uma grande bagagem intelectual, uma lógica de intervenção coerentemente sustentada", "muito exigente para consigo próprio" e ressalta "o rigor do seu espírito aberto ao aprofundamento sistemático de uma síntese de saberes" 7

Entre 1954 e 1956 integra a Direcção da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST), a convite de José Manuel Prostes da Fonseca, tendo participado nas lutas estudantis contra o Decreto 40.900 (que retirava poderes às Associações de Estudantes) e na criação da RIA (Reunião Inter-Associações). Colabora até 1958 no Boletim da AEIST.7

Em 1955, nas férias entre o 5º e o 6º ano do IST, faz um estágio numa empresa siderúrgica francesa, em Longwy. No regresso a Portugal, de comboio, é detido pela PIDE na fronteira de Vilar Formoso. É possível que a polícia política do Estado Novo tenha suspeitado de que Martins Pereira, dirigente estudantil, tinha ido participar num congresso realizado em Varsóvia em Agosto, o 5º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que reuniu 30.000 jovens de 114 países. As suas malas são revistadas e são encontrados prospectos em russo. É detido no Aljube até serem traduzidos os prospectos, que se vem a constatar serem provenientes do pavilhão da União Soviética numa feira industrial que se tinha realizado em Julho desse ano em Estocolmo.7

Em 1956 licencia-se em Engenharia Químico-Industrial, com a média final de 17 valores.

Serviço militar

É incorporado na tropa em Setembro de 1956, no R.A.C. (Regimento de Artilharia de Costa), em Oeiras, para fazer o Curso de Oficiais Milicianos. Findo o curso, em que ficou em primeiro lugar, e após a promoção a Aspirante a Oficial Miliciano, é colocado na Bateria de Alcabideche, onde se manteve até meados de Fevereiro de 1958. É durante o serviço militar que conhece o artista plástico José Escada, de quem se tornará amigo.7

Actividade profissional

Em Fevereiro de 1958 começa a trabalhar na CUF (Companhia União Fabril), no Barreiro, na Divisão de Metais Não-Ferrosos, onde participa no arranque de uma unidade de silicato de sódio. A sua entrada faz-se por convite da empresa, que tradicionalmente convidava para integrar os seus quadros os melhores alunos do curso de Química. 7 Em Agosto de 1958 é contratado pela Siderurgia Nacional por um período de quatro anos. As peripécias da sua transferência da CUF de Jorge de Mello para a Siderurgia Nacional de António Champalimaud são contadas pelo próprio num relato pessoal que ilustra a relação então existente entre os dois grupos industriais rivais. 7

Os dois primeiros anos de trabalho na Siderurgia Nacional são passados em estágios em siderurgias no estrangeiro: 16 meses na Alemanha (Hattingen, Dortmund), cinco meses na Áustria (Donawitz, Linz). É na Alemanha, segundo conta, que descobre o que é a esquerda e a direita, graças a leituras de revistas francesas como L'Express, o France Observateur (mais tarde rebaptizado Le Nouvel Observateur), Les Temps Modernes e à discussão que tem lugar nas suas páginas sobre a Guerra da Argélia.5

Quando regressa a Portugal, em 1960, é nomeado engenheiro-chefe da aciaria, no Seixal, e encarregado de preparar o arranque da unidade, incluindo o recrutamento e treino do pessoal, a aquisição de materiais e a organização interna.

Em Agosto de 1962 deixa a Siderurgia Nacional e aceita um convite para ir dirigir uma fábrica de vidro impresso e garrafaria na Venezuela: o Centro Vidriero de Venezuela, em Guarenas, propriedade de Carlos Galo, um industrial vidreiro da Marinha Grande. Ficará aí apenas um ano, o suficiente para poupar o dinheiro que lhe permitirá ir estudar Sociologia e Economia para Paris. 7

Em 1963 vai estudar para Paris, no Institut des Sciences Sociales du Travail, onde obtém os certificados de Sociologia do Trabalho, Economia do Trabalho e Problemas do Trabalho em Países em Vias de Desenvolvimento. Entre os professores que recorda dessa época conta-se Alain Touraine, Michel Rocard e André Philip. 5

Bibliografia activa
Obra publicada

1963 - As instalações da aciaria da Siderurgia Nacional. Lisboa: [S.n.], 1963

1971 - Pensar Portugal Hoje / João Martins Pereira. 1ª ed. e 2ª ed. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1971 (Colecção Diálogos) 8

1974 - Indústria, ideologia e quotidiano (ensaio sobre o capitalismo em Portugal). Porto: Editora Afrontamento, 1974 (Colecção Luta de Classes) 9

1975 - Portugal 75: Dependência externa e vias de desenvolvimento. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1975 10

1976 - O Socialismo, a Transição e o Caso Português. Lisboa: Edições Livraria Bertrand, 1976 11

1979 - Pensar Portugal Hoje: Os caminhos actuais do capitalismo português. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 3ª ed., 1979 (Colecção Diálogos) [Inclui Introdução] 12

1980 - Sistemas Económicos e Consciência Social: Para uma teoria do socialismo como sistema global. Oeiras: Instituto Gulbenkian de Ciência, 1980 (Colecção Centro de Estudos de Economia Agrária - Instituto Gulbenkian de Ciência) Trabalho realizado com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. 13 14

1983 - No Reino dos Falsos Avestruzes: Um olhar sobre a política. Lisboa: Edições A Regra do Jogo, 1983 15

1986 - O Dito e o Feito: Cadernos 1984-1987. Lisboa: Edições Salamandra, 1986 16

1988 - Urgent infrastructural needs of portuguese industry in science, research and technology development / João Martins Pereira. 1ª ed. SL: Commission of the European Communities, 1988.

1995 - Indústria e Sociedade Portuguesa Hoje. Porto: Página a Página, 1995 Realizada no âmbito das “Conferências de Matosinhos – 1ª série”, em 14 de Abril de 1994, por iniciativa da CMM. 17

1996 - As PMEs industriais em números. Lisboa: IAPMEI, 1996 18

2002 – “Como entrou a siderurgia em Portugal?”. Comunicação apresentada ao Seminário "Com os Homens do Aço – história, memória e património”, organizado pelo Ecomuseu Municipal do Seixal em 25 e 26 de Outubro de 2002 19 20

2005 - Para a História de Indústria em Portugal 1941-1965: Adubos azotados e siderurgia. Lisboa: ICS - Imprensa de Ciências Sociais, 2005 (Colecção Estudos e Investigação, 37) Trabalho realizado no âmbito do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, projecto financiado pelo Observatório das Ciências e das Tecnologias, do Ministério da Ciência e Tecnologia. 21

2008 - As voltas que o capitalismo (não) deu. Lisboa: Edições Combate, 2008


Exemplares estimados (em excelente estado de conservação), miolo limpo como novo, capas em bom estado, nunca foram lidos e pouco manuseados

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domingo, 18 de agosto de 2013

Breve sumário da história de Deus. Gil Vicente. Coleção Clássicos Portugueses 1943

Breve Sumário da história de Deus
Gil Vicente
Coleção Clássicos Portugueses
Trechos escolhidos - Século XVI - Teatro
Livraria Clássica Editora
1943
102 p.

Prefácio, Bibliografia, restituição, notas, variantes e glossário de
João de Almeida Lucas

O auto  Breve Sumário da História de Deus, foi representado ao muito alto e mui poderoso Rei Dom João, o terceiro deste nome em Portugal, e à Sereníssima e muito esclarecida Rainha Dona Caterina, em Almeirim, na era do Senhor de 1527. 






Gil Vicente - Vida e Obra

créditos: http://dizquesim.blogs.sapo.pt/2581.html

Quem foi afinal Gil Vicente?

Não se sabe ao certo muito acerca de Gil Vicente. A maior parte das informações que temos acerca do escritor foram decifradas a partir das obras que escreveu. Muitas vezes é associado com o autor da Custódia de Belém e com o mestre de Retórica de Manuel I, o 14.º rei de Portugal.
Gil Vicente, enquanto dedicou a sua vida ao teatro, desempenhou também tarefas de músico, actor e encenador. É considerado o pai do teatro português, e por alguns, pai do teatro ibérico uma vez que escreveu para além fronteiras, tendo desenvolvido dramaturgia com Juan del Encina, poeta espanhol.

A data de nascimento de Vicente continua a ser uma incógnita, sendo atribuídos os anos que vão desde 1460 a 1470, sendo 1465 o mais aceite. Da mesma forma, também não se sabe ao certo onde terá nascido, sendo atribuídas várias regiões de Portugal para o seu nascimento. No entanto, o local mais provável terá sido em Guimarães.
Sabe-se que estudou em Salamanca, Espanha.
Vicente casou-se com Branca Bezerra, de quem teve 2 filhos, e mais tarde quando esta faleceu voltou a casar-se com Melícia Rodrigues, tendo tido no total 5 filhos.
O seu primeiro trabalho foi uma peça em castelhano chamada "Monólogo do Vaqueiro", que foi representada nos aposentos da rainha D. Maria, consorte de Manuel I, tendo sido esta representação o arranque da história do teatro português, embora já existissem algumas peças de outros autores, mas pouco notórias.
O sucesso das suas obras foi tão grande que os reis para os quais Gil Vicente desenvolvia as suas peças convidaram-no a tornar-se responsável pela organização dos eventos palacianos.
E como já dissemos, o nosso escritor não se ficava pela escrita das peças! Ele próprio encenava-as e representava-as!
Pensa-se que morreu em 1536, em lugar desconhecido, porque é a partir desta data que se deixa de encontrar qualquer referência ao seu nome nos documentos da época, além de ter deixado de escrever a partir de então.
Como já dissemos, os registos biográficos são poucos, no entanto optamos por apresentar os anos com os acontecimentos mais marcantes relativos à vida do autor:

E quais são as suas obras?

Apresentamos uma lista com as obras mais importantes do autor, e os respectivos anos de criação:

Auto Pastoril Castelhano (1502) 
Auto dos Reis Magos (1503) 
Auto de S. Martinho (1504) 
Auto da Índia (1509) 
Auto da Fé (1510) 
Auto das Fadas (1511) 
Auto da Sibila Cassandra (1513) 
Comédia do Viúvo (1514) 
Quem tem farelos (1515) 
Auto dos Quatro Tempos (1516) 
Auto da Barca do Inferno (1517) 
Auto da Barca do Purgatório (1518) 
Auto da Barca da Glória (1519) 
Auto do Deus Padre (1520) 
Cortes de Júpiter (1521) 
Auto da Fama (1521) 
Pranto de Maria Parda (1522) 
Farsa de Inês Pereira (1523) 
Auto Pastoril Português (1523) 
Auto dos Físicos (1524) 
Farsa das Ciganas (1525) 

Breve Sumário da História de Deus (1526) 

Diálogo dos Judeus sobre a Ressurreição (1526) 
Nau d'Amores (1527) 
Farsa dos Almocreves (1527) 
Auto Pastoril da Serra da Estrela (1527) 
Auto da Feira (1528) 
Auto da Festa (1528) 
O Clérigo da Beira (1530) 
Jubileu d'Amores (1531) 
Auto da Lusitânia (1532) 
Romagem de Agravados (1533) 
Auto da Cananeia (1534) 
Floresta de Enganos (1536) 


Assinatura de proprietária coeva na pág 5.

Rascunho de requerimento à Directora da Faculdade de letras de lisboa, presume-se que da mesma proprietária, solicitando admissão à 2ª chamada do exame por motivo de doença, na verso da contracapa.

Obra em muito bom estado atendendo à idade com capa um pouco suja e miolo sem humidade

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Usina - José Lins do Rego - 1ª edição - s.d.(anos 50)

Usina

José Lins do Rego
1ª edição
s.d.(anos 50)
Editora Livros do Brasil
Coleção "Livros do Brasil"
Capa Infante do Carmo
271 p




Créditos a Rui Martins em http://tertuliabibliofila.blogspot.pt/

José Lins do Rego – “Usina”. Romance.“Ciclo da Cana do Assucar V”

1ª edição brasileira 

Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1936. 1ª edição. Encadernação original brochura. 392 pp. 

Tiragem: 5.000 exemplares (1ª edição)
Usina é uma narrativa descritiva do meio de vida nos engenhos de açúcar e nas plantações de cana do Nordeste. Em 1936, após a publicação dessa obra, José Lins do Rego decretou o fim do "ciclo da cana-de-açúcar".
Usina retoma a história do Moleque Ricardo, a partir de sua prisão com os companheiros grevistas em Fernando de Noronha até o seu retorno ao engenho.
Com pouco mais de estariam no velho Santa Rosa, que Ricardo deixara há oito anos, fugido, como de um presídio, de uma ilha de trabalhos forçados. escapara de lá para não ser alugado e fora pior que isso. Tivera dores que os alugados não sofriam nunca.
É na segunda parte do livro que começa propriamente Usina, quando são narrados os acontecimentos que envolvem o Santa Rosa depois que Carlos Melo, fugindo dos problemas que envolviam o engenho, entrega o seu património a parentes.
O Santa Rosa transforma-se na Usina Bom Jesus. O Dr. Juca sonha com o prestígio, negociando com Zé Marreira, proprietário da Fazenda São Félix, deixa-se levar pela ambição e faz a sua primeira operação desastrosa. As hipotecas contraídas e a pressão da Usina São Félix, na figura do Dr. Luís, terminam por forçar a venda. A enchente do Rio Paraíba, destruindo a antiga propriedade, simboliza o fim de um ciclo. O usineiro retira-se com a família em meio à destruição física dos seus antigos domínios.



José Lins do Rego – Obras: uma descrição bibliográfica e bibliófila.


Os romances de José Lins do Rego são agrupados em três temáticas diferentes: 

Ciclo da cana-de-açúcar:
José Lins escreveu cinco livros a que nomeou "Ciclo da cana-de-açúcar", numa referência ao papel que nele ocupa a decadência do engenho açucareiro nordestino, visto de modo cada vez menos nostálgico e mais realista pelo autor: Menino de Engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935), e Usina (1936). Aos quais acrescentaria Fogo morto (1943).

Ciclo do misticismo e do cangaço reúne duas obras: Pedra Bonita (1938) e Cangaceiros (1953).

Não se enquadrando em qualquer destas temáticas temos: Pureza (1937); Riacho doce (1939) e Eurídice (1947).

Otto Maria Carpeaux fez uma súmula de sua obra: “A obra de José Lins do Rego é profundamente triste. É uma epopéia da tristeza, da tristeza da sua terra e da sua gente, da tristeza do Brasil (...) Há na sua obra a consciência de que tudo está condenado a adoecer, a morrer, a apodrecer. Há a certeza da decadência dos seus engenhos e dos seus avós, de toda essa gente que produziu, como último produto, o homem engraçado e triste que lhe erigiu o monumento. É grande literatura.”
Na obra de José Lins do Rego, a parte mais importante é a que corresponde ao chamado ciclo da cana-de-açúcar. Partindo de experiências autobiográficas – a vida no engenho do avô – o escritor encontra na memória o fundamento de seus romances, nos quais fixa melancolicamente a decadência do engenho-de-açúcar, substituído como modo de produção pela fábrica. Participante, ou pelo menos observador, deste processo, José Lins do Rego esforça-se para registrar a verdadeira revolução social desencadeada pela nova tecnologia de produção açucareira que, em pouco tempo, levou um grande número de senhores de engenho a mais completa bancarrota económica.
Pesou também sobre Lins do Rego, a influência de Gilberto Freyre, cujo “Manifesto regionalista”, de 1926, propugnava por uma arte voltada para as questões específicas da sociedade nordestina. No prefácio de Usina, o próprio José Lins do Rego delimitou o ciclo da cana-de-açúcar:
“A história desses livros é bem simples: comecei querendo apenas escrever umas memórias que fossem as de todos os meninos criados nas casas-grandes dos engenhos nordestinos. Seria apenas um pedaço da vida o que eu queria contar. Sucede, porém, que um romancista é muitas vezes o instrumento apenas de forças que se acham escondidas no seu interior.”









Exemplar muito estimado ( em excelente estado de conservação), miolo limpo como novo, alguns cadernos ainda por cortar


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