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domingo, 18 de agosto de 2013

Breve sumário da história de Deus. Gil Vicente. Coleção Clássicos Portugueses 1943

Breve Sumário da história de Deus
Gil Vicente
Coleção Clássicos Portugueses
Trechos escolhidos - Século XVI - Teatro
Livraria Clássica Editora
1943
102 p.

Prefácio, Bibliografia, restituição, notas, variantes e glossário de
João de Almeida Lucas

O auto  Breve Sumário da História de Deus, foi representado ao muito alto e mui poderoso Rei Dom João, o terceiro deste nome em Portugal, e à Sereníssima e muito esclarecida Rainha Dona Caterina, em Almeirim, na era do Senhor de 1527. 






Gil Vicente - Vida e Obra

créditos: http://dizquesim.blogs.sapo.pt/2581.html

Quem foi afinal Gil Vicente?

Não se sabe ao certo muito acerca de Gil Vicente. A maior parte das informações que temos acerca do escritor foram decifradas a partir das obras que escreveu. Muitas vezes é associado com o autor da Custódia de Belém e com o mestre de Retórica de Manuel I, o 14.º rei de Portugal.
Gil Vicente, enquanto dedicou a sua vida ao teatro, desempenhou também tarefas de músico, actor e encenador. É considerado o pai do teatro português, e por alguns, pai do teatro ibérico uma vez que escreveu para além fronteiras, tendo desenvolvido dramaturgia com Juan del Encina, poeta espanhol.

A data de nascimento de Vicente continua a ser uma incógnita, sendo atribuídos os anos que vão desde 1460 a 1470, sendo 1465 o mais aceite. Da mesma forma, também não se sabe ao certo onde terá nascido, sendo atribuídas várias regiões de Portugal para o seu nascimento. No entanto, o local mais provável terá sido em Guimarães.
Sabe-se que estudou em Salamanca, Espanha.
Vicente casou-se com Branca Bezerra, de quem teve 2 filhos, e mais tarde quando esta faleceu voltou a casar-se com Melícia Rodrigues, tendo tido no total 5 filhos.
O seu primeiro trabalho foi uma peça em castelhano chamada "Monólogo do Vaqueiro", que foi representada nos aposentos da rainha D. Maria, consorte de Manuel I, tendo sido esta representação o arranque da história do teatro português, embora já existissem algumas peças de outros autores, mas pouco notórias.
O sucesso das suas obras foi tão grande que os reis para os quais Gil Vicente desenvolvia as suas peças convidaram-no a tornar-se responsável pela organização dos eventos palacianos.
E como já dissemos, o nosso escritor não se ficava pela escrita das peças! Ele próprio encenava-as e representava-as!
Pensa-se que morreu em 1536, em lugar desconhecido, porque é a partir desta data que se deixa de encontrar qualquer referência ao seu nome nos documentos da época, além de ter deixado de escrever a partir de então.
Como já dissemos, os registos biográficos são poucos, no entanto optamos por apresentar os anos com os acontecimentos mais marcantes relativos à vida do autor:

E quais são as suas obras?

Apresentamos uma lista com as obras mais importantes do autor, e os respectivos anos de criação:

Auto Pastoril Castelhano (1502) 
Auto dos Reis Magos (1503) 
Auto de S. Martinho (1504) 
Auto da Índia (1509) 
Auto da Fé (1510) 
Auto das Fadas (1511) 
Auto da Sibila Cassandra (1513) 
Comédia do Viúvo (1514) 
Quem tem farelos (1515) 
Auto dos Quatro Tempos (1516) 
Auto da Barca do Inferno (1517) 
Auto da Barca do Purgatório (1518) 
Auto da Barca da Glória (1519) 
Auto do Deus Padre (1520) 
Cortes de Júpiter (1521) 
Auto da Fama (1521) 
Pranto de Maria Parda (1522) 
Farsa de Inês Pereira (1523) 
Auto Pastoril Português (1523) 
Auto dos Físicos (1524) 
Farsa das Ciganas (1525) 

Breve Sumário da História de Deus (1526) 

Diálogo dos Judeus sobre a Ressurreição (1526) 
Nau d'Amores (1527) 
Farsa dos Almocreves (1527) 
Auto Pastoril da Serra da Estrela (1527) 
Auto da Feira (1528) 
Auto da Festa (1528) 
O Clérigo da Beira (1530) 
Jubileu d'Amores (1531) 
Auto da Lusitânia (1532) 
Romagem de Agravados (1533) 
Auto da Cananeia (1534) 
Floresta de Enganos (1536) 


Assinatura de proprietária coeva na pág 5.

Rascunho de requerimento à Directora da Faculdade de letras de lisboa, presume-se que da mesma proprietária, solicitando admissão à 2ª chamada do exame por motivo de doença, na verso da contracapa.

Obra em muito bom estado atendendo à idade com capa um pouco suja e miolo sem humidade

Preço 15€  

com portes registados incluídos para Portugal Continental e ilhas

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Usina - José Lins do Rego - 1ª edição - s.d.(anos 50)

Usina

José Lins do Rego
1ª edição
s.d.(anos 50)
Editora Livros do Brasil
Coleção "Livros do Brasil"
Capa Infante do Carmo
271 p




Créditos a Rui Martins em http://tertuliabibliofila.blogspot.pt/

José Lins do Rego – “Usina”. Romance.“Ciclo da Cana do Assucar V”

1ª edição brasileira 

Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1936. 1ª edição. Encadernação original brochura. 392 pp. 

Tiragem: 5.000 exemplares (1ª edição)
Usina é uma narrativa descritiva do meio de vida nos engenhos de açúcar e nas plantações de cana do Nordeste. Em 1936, após a publicação dessa obra, José Lins do Rego decretou o fim do "ciclo da cana-de-açúcar".
Usina retoma a história do Moleque Ricardo, a partir de sua prisão com os companheiros grevistas em Fernando de Noronha até o seu retorno ao engenho.
Com pouco mais de estariam no velho Santa Rosa, que Ricardo deixara há oito anos, fugido, como de um presídio, de uma ilha de trabalhos forçados. escapara de lá para não ser alugado e fora pior que isso. Tivera dores que os alugados não sofriam nunca.
É na segunda parte do livro que começa propriamente Usina, quando são narrados os acontecimentos que envolvem o Santa Rosa depois que Carlos Melo, fugindo dos problemas que envolviam o engenho, entrega o seu património a parentes.
O Santa Rosa transforma-se na Usina Bom Jesus. O Dr. Juca sonha com o prestígio, negociando com Zé Marreira, proprietário da Fazenda São Félix, deixa-se levar pela ambição e faz a sua primeira operação desastrosa. As hipotecas contraídas e a pressão da Usina São Félix, na figura do Dr. Luís, terminam por forçar a venda. A enchente do Rio Paraíba, destruindo a antiga propriedade, simboliza o fim de um ciclo. O usineiro retira-se com a família em meio à destruição física dos seus antigos domínios.



José Lins do Rego – Obras: uma descrição bibliográfica e bibliófila.


Os romances de José Lins do Rego são agrupados em três temáticas diferentes: 

Ciclo da cana-de-açúcar:
José Lins escreveu cinco livros a que nomeou "Ciclo da cana-de-açúcar", numa referência ao papel que nele ocupa a decadência do engenho açucareiro nordestino, visto de modo cada vez menos nostálgico e mais realista pelo autor: Menino de Engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935), e Usina (1936). Aos quais acrescentaria Fogo morto (1943).

Ciclo do misticismo e do cangaço reúne duas obras: Pedra Bonita (1938) e Cangaceiros (1953).

Não se enquadrando em qualquer destas temáticas temos: Pureza (1937); Riacho doce (1939) e Eurídice (1947).

Otto Maria Carpeaux fez uma súmula de sua obra: “A obra de José Lins do Rego é profundamente triste. É uma epopéia da tristeza, da tristeza da sua terra e da sua gente, da tristeza do Brasil (...) Há na sua obra a consciência de que tudo está condenado a adoecer, a morrer, a apodrecer. Há a certeza da decadência dos seus engenhos e dos seus avós, de toda essa gente que produziu, como último produto, o homem engraçado e triste que lhe erigiu o monumento. É grande literatura.”
Na obra de José Lins do Rego, a parte mais importante é a que corresponde ao chamado ciclo da cana-de-açúcar. Partindo de experiências autobiográficas – a vida no engenho do avô – o escritor encontra na memória o fundamento de seus romances, nos quais fixa melancolicamente a decadência do engenho-de-açúcar, substituído como modo de produção pela fábrica. Participante, ou pelo menos observador, deste processo, José Lins do Rego esforça-se para registrar a verdadeira revolução social desencadeada pela nova tecnologia de produção açucareira que, em pouco tempo, levou um grande número de senhores de engenho a mais completa bancarrota económica.
Pesou também sobre Lins do Rego, a influência de Gilberto Freyre, cujo “Manifesto regionalista”, de 1926, propugnava por uma arte voltada para as questões específicas da sociedade nordestina. No prefácio de Usina, o próprio José Lins do Rego delimitou o ciclo da cana-de-açúcar:
“A história desses livros é bem simples: comecei querendo apenas escrever umas memórias que fossem as de todos os meninos criados nas casas-grandes dos engenhos nordestinos. Seria apenas um pedaço da vida o que eu queria contar. Sucede, porém, que um romancista é muitas vezes o instrumento apenas de forças que se acham escondidas no seu interior.”









Exemplar muito estimado ( em excelente estado de conservação), miolo limpo como novo, alguns cadernos ainda por cortar


Preço 15€  

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

A minha mulher. Anton Tchekov, Contraponto, 1996, 1ª edição. Versão de Luíz Pacheco

A minha mulher

Anton Tchekov

Contraponto

1996

1ª edição

Versão ( tradução ) de Luíz Pacheco

Ilustrações Luís Filipe

coleção autores estrangeiros

tiragem 1000 exemplares

ISBN 972-95042-1-0

118p

12x16,5





Sobre a mítica Editora Contraponto de Luiz Pacheco

Fundação da Contraponto

Luiz Pacheco cria a Contraponto: Edições e Distribuição em 1950 (Setembro), na rua Rafael Andrade, nº12 1º, Lisboa. Motivado pela ideia de combate ao regime vigente e pela luta contra as instituições. Concebe uma editora cujo objectivo era a denúncia da situação política, social e literária. O trabalho de escrita, revisão, tratamento gráfico e distribuição era, todo ele, feito pelo Luiz Pacheco. Contava com a colaboração de alguns amigos que se propunham para realizar certas tarefas e, por outro lado, garantir a publicação das suas obras.
Inicia a sua actividade com a publicação do primeiro número de "Cadernos de Crítica e Arte" sob organização e direcção de José Nunes Ferreira e Pitta Simões, tiragem de 2000 exemplares mas vendeu-se muito mal. 
Artigos publicados: "Sobre a poesia de Carlos de Oliveira"; "Apontamento" de Augusto Abelaira; "O Presidente" de Pacheco; entre outros.
Colaboradores: Augusto Abelaira, Jaime Salazar Sampaio, Arlinda Franco Oliveira, Vasco Vidal, Eugénio Morais Cardigos.
Em 1952 saiu o segundo número de "Cadernos de Crítica e Arte" , com uma tiragem de 1000 exemplares. Desta vez, as vendas superaram as expectativas.
Artigos publicados: Tentativa de publicar uma peça de Garcia Lorca mas foi cortada pela Censura. É alterada por poemas de Pedro Oom e Carlos Drummond de Andrade.
Colaboradores: Luiz Pacheco, Tomás Ribas, Paulo-Guilherme de Eça Leal, Alfredo Margarido, Renato Ribeiro, Manuel Nunes da Fonseca, António Nuno Barreiros, Francisco Aranda, Florentino Goulart Nogueira, Egito Gonçalves.
Em 1962 publica o terceiro, e último, número de "Cadernos de Crítica e Arte". Por questões económicas este número só contém as páginas 1, 2, 7 e 8. A tiragem foi de 1000 exemplares mas 500 ficaram na tipografia da Sertã.
Colaboradores: Luiz Pacheco, Artur Ramos, Ernesto Sampaio, António José Forte.
primeiro livro publicado pela Contraponto foi em 1951, intitulado "Discurso sobre a reabilitação do real quotidiano" de Mário Cesariny de Vasconcelos.

Logótipo

O criador do logotipo da Contraponto foi o Paulo Guilherme d'Eça Leal. Este está presente na maioria das publicações produzidas pela editora. No caso dos folhetos, panfletos e em stencyl o nome da editora por vezes não surgia no pé da capa ou página ou surgia, em letras normais

Edição de 1996 da mítica Contraponto de Luiz Pacheco
Estado como novo
Com ex-libris do proprietário coevo

Preço 45€  

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Estórias de coisas. José-Alberto Marques . 1ª edição, Contraponto,[1972] 2ª edição 2008, Edição Bonecos Rebeldes

Estórias de coisas

José-Alberto Marques

1ª edição
Contraponto [Luiz Pacheco]
[1972]
54p[1]

e

 2ª edição

 2008

Edição Bonecos Rebeldes

Coleção Musa Irregular, 4

75 p.



Posfácio de Zetho Cunha Gonçalves

Capa Fernando Martins
edição de 625 exemplares
ISBN 978-989-8137-16-6


1ª Edição de Estórias de Coisas na mítica Editora Contraponto de Luiz Pacheco, livro 128 de 300 exemplares e muito valorizado pela assinatura do autor e do editor Luiz Pacheco







José Alberto Marques

Foto do Autor
José Alberto Marques, nasceu a 4 de Outubro de 1939, em Torres Novas, é um dos poetas mais conhecidos e consagrados da poesia contemporânea portuguesa, protagonismo que nunca aclamou, sendo porém muitas vezes menosprezado pela critica literária portuguesa.
                  
Dono de uma vida particularmente difícil, José Alberto Marques, cedo começou a despertar a sua paixão pela poesia, não só pela sua, mas fundamentalmente a criada por parte dos outros autores. Frequentou a universidade, apesar de não dar muito tempo a esta causa, muitas vezes devido á vida que levava e ás horas de trabalho que o atormentavam para se sustentar a si mesmo e aos seus estudos. Foi editor do jornal Quadrante da Faculdade de Direito de Lisboa, seguindo o seu percurso literário, onde ficou bastante conhecido devido ao movimento da poesia experimental, tendo sido dele o 1º poema concreto em Portugal, intitulado de Solidão, na revista do Colégio Andrade Corvo entre o ano de 1958 e 1959.
                  
Vários cargos desempenhou na sua vida, muitos deles ligados á literatura e arte portuguesa, tendo sido Orientador pedagógico de português, fazendo também parte da direcção do S.P.G.L. No seu currículo encontram-se variadas obras e publicações, escrevendo livros de poesia, romances, livro infantis, livros juvenis, publicando também vários textos de critica literária em diversos diários e jornais de Portugal, bem como elaborou algumas exposições não só no nosso país, mas também no estrangeiro no que toca a á poesia visual. Encenou várias peças de teatro, realizou vários happenings, bem como outro tip de performances.
                  
No que toca à poesia experimental, organizou conjuntamente com Erneste de Melo e Castro, a obra Antologia da Poesia concreta, que continha um mundo de descoberta e de criatividade que algo de novo. Ao contrário de muitos dos poetas verbais que têm, normalmente uma certa incapacidade para dizer os seus poemas e as suas obras em público, José Alberto é um desses casos particulares, conseguindo valorizar os seus poemas através da forma que os consegue dizer, realizando performances poéticas ao longo dos anos. Participou também em outras publicações como Operação I e Operação II, obras estas resultantes também da poesia experimental. È-lhe reconhecida a qualidade do seu trabalho como poeta verbo-experimental e como romancista, onde outras obras fazem dele um histórico no que toca a poesia experimental.
Exemplares muito estimados. Em excelente estado de conservação tanto a edição originária como a mais recente que está como nova.

Preço 1ª edição: 100€

Preço 2ª edição: 45€  

Comprados em conjunto: 125€

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Seara de Vento Manuel da Fonseca 1ª edição Capa de Marcelino Vespeira

Seara de Vento
Manuel da Fonseca
1ª edição
Lisboa
1958
Editora Ulisseia Limitada
1.ª edição
20,1 cm x 13,5 cm
176 págs.


Sobrecapa de Marcelino Vespeira
Obra prima do neo-realismo português




capa impressa a uma cor (preto) e relevo seco, revestida com sobrecapa

exemplar muito estimado ( em excelente estado de conservação); miolo limpo

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Isto de estar vivo. Luiz Pacheco e Alice Geirinhas. 1ª edição. Contraponto. 2000

Luiz Pacheco

Alice Geirinhas ( ilustrações )

Isto de estar vivo

Lisboa

Contraponto

2000

1ª edição

exemplar 293/300

128p











Luiz Pacheco, em discurso directo. "Isto de estar vivo ainda um dia acaba mal. É uma frase do Manuel da Fonseca. Para o Manuel acabou, coitado. Ele caiu de uma escada abaixo, os amigos estavam à espera dele no café, ele não aparecia, foram lá a casa dele, e deram com ele inanimado. Depois ficou em coma profundo e morreu daí a uns 8 dias, talvez.
Isto [o lar] não é uma casa alegre. Não pode ser. É o terceiro lar onde estou e já sei que não há hipótese de arranjar melhor. Agora, para pagar isto é que me vejo um bocado aflito, porque eu não tenho dinheiro que chegue para isto. Como é que faço? Olhe, faço os possíveis. Isto custa para cima de mil euros por mês. O que eu recebo não dá para estar descansado. Tenho uma situação muito incerta.
Tenho um subsídio vitalício de 120 contos por mérito cultural. Há muita gente que tem. Agradeço isso ao Alçada Baptista. E ao Balsemão. Foi o Balsemão que inventou um decreto, que era o do mérito cultural, para legalizar estas pensões. O meu subsídio em princípio é vitalício, é um subsídio pelo passado. Mas com essa maluca das Finanças - por acaso até é gira, é muito feia mas é gira, é uma mulher a sério, não é o Peixoto, aliás o Barroso! - nunca se sabe. Mas não, porque se uma pessoa tem mérito cultural não o perde por causa da Ministra das Finanças.
Eu até estou um bocado resguardado. Enfim, estou bem aqui. Este quarto é um bom quarto, apetece trabalhar. Eu é que já não estou muito capaz de trabalhar, porque a memória, a vista, tudo isso inibe um tipo. Já não leio os jornais, não consigo. A minha ligação com o mundo é a rádio.
(...)
Para escrever bem, para estar atento - por desejar está-lo - é preciso um tipo ler muita coisa. Sim, o trabalho do Lobo Antunes interessa-me. Tem muitas qualidades. Tem métier, já escreveu alguns 15 romances, são anos de escrita. Esse também diz que não pode estar sem escrever, mas esse é verdade. Mas também é maluqueira. Ele tem muita pancadinha. Há livros do Lobo Antunes de que eu gostei porque me tocavam. Gostei deles por bairrismo, porque ele falava de Benfica, e da Avenida Grão Vasco, da palmeira ao pé dos correios. O Lobo Antunes é um tipo um bocado sentimental, é um tipo um bocado arrapazado".
(...)
Quem tiver dois palmos de testa ou um só de nuca perceberá - depois de ler esta entrevista na íntegra - qual a importância (relativa) que hoje os jornais de papel todos juntos têm...


Exemplar excelente
Assinado pelo autor



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Bodas Vermelhas. Pedro Homem de Melo. 1ª edição. 1947

Bodas Vermelhas

Pedro Homem de Melo

 1ª edição

Editorial Domingos Barreira

Porto

1947

171p.





 Prefácio de Júlio Dantas


Advogado e poeta. Folclorista. Assume-se como monárquico.

Retirado de Respublica, JAM

"Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (Porto, 6 de Setembro de 1904 - Porto, 5 de Março de 1984). Poeta, professor e folclorista.

Nasceu no Porto, em 1904, no seio de uma família fidalga, filho de António Homem de Mello e de Maria do Pilar da Cunha Pimentel, tendo desde cedo sido imbuído de ideais monárquicos, católicos e conservadores. Foi sempre um sincero amigo do povo e a sua poesia é disso reflexo. O seu pai, pertenceu ao círculo íntimo do poeta António Nobre.

Estudou Direito em Coimbra, acabando por se licenciar em Lisboa, em 1926. Exerceu a advocacia, foi subdelegado do Procurador da República e, posteriormente, professor de português em escolas técnicas do Porto (Mouzinho da Silveira e Infante D. Henrique), tendo sido director da Mousinho da Silveira. Membro dos Júris dos prémios do secretariado da propaganda nacional. Foi um entusiástico estudioso e divulgador do folclore português, criador e patrocinador de diversos ranchos folclóricos minhotos, tendo sido, durante os anos 60 e 70, autor e apresentador de um popular programa naRTP sobre essa temática. Pedro Homem de Mello casou com D. Maria Helena Pamplona e teve dois filhos, Maria Benedicta, que faleceu ainda criança e Salvador Homem de Mello, que faleceu sem deixar desccendência poucos anos após o seu pai.

Foi um dos colaboradores do movimento da revista Presença. Apesar de gabada por numerosos críticos, a sua vastíssima obra poética, eivada de um lirismo puro e pagão (claramente influenciada por António Botto e Federico García Lorca), está injustamente votada ao esquecimento. Entre os seus poemas mais famosos destacam-se Povo que Lavas no Rio (imortalizado por Amália Rodrigues), Havemos de Ir a Viana e O Rapaz da Camisola Verde.

Afife (Viana do Castelo) foi a terra da sua adopção. Ali viveu durante anos num local paradisíaco, no Convento de Cabanas, junto ao rio com o mesmo nome, onde escreveu parte da sua obra, "cantando" os costumes e as tradições de Afife e da Serra de Arga.

Meia - encadernação em pele, com capas e ligeiramente aparado. Miolo excelente

Edição esgotada aquando da sua impressão.
Obra rara

Preço: 50€ + portes


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